quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Golfe

Quando eu comecei a escrever o átomo, lá em 2003, não sabia bem o que iria colocar aqui. Tentei começar com alguns pensamentos e divagações, mas logo isso se mostrou trabalhoso demais para algo que deveria ser objeto de lazer. Um dia, resolvi transformar o átomo em um blog sobre "as coisas que eu gosto", algo que me agradou muito mais, tanto que ele serve para isso até hoje. E, enquanto existirem "coisas que eu gosto", ele continuará assim.

Há algum tempo, porém, eu comecei a ter alguns pensamentos subversivos. Mais especificamente, tive algumas ideias para posts que não eram exatamente sobre coisas das quais eu gostasse. Comecei a pensar sobre como eu faria para colocar algumas "coisas que eu não gosto" em um "blog de coisas que eu gosto", e acabei chegando a uma nova ideia: fazer o "mês das coisas que eu não gosto". De posse de, digamos, quatro assuntos, eu colocaria um deles por semana, e faria uma espécie de especial, tipo quando eu fiz a série de "posts para completar meu Perfil".

Mas essa ideia do "mês das coisas que eu não gosto" esbarrava em dois pequenos problemas. Em primeiro lugar, escrever quatro posts sobre coisas que eu não gosto seria, sejamos francos, um saco. Afinal, que interesse eu teria em pesquisar sobre coisas que eu nem gosto? Em, segundo lugar, os assuntos que eu já tinha separado não eram exatamente "coisas que eu não gosto", mas "coisas que eu não gosto tanto assim" ou "coisas que eu gosto só um pouquinho".

Inesperadamente, assim que eu tomei consciência disso, foi extremamente fácil arrumar quatro assuntos. Só faltava escolher um mês qualquer para a "homenagem", e acabou calhando de ser esse mês de setembro. Portanto, começando hoje e durante todo esse mês, teremos mais um especial no átomo: o Mês das Coisas que eu Não Gosto Tanto Assim. Não é lá um nome digno de prêmio, mas reflete bem o que eu sinto por esses quatro assuntos. E, para inaugurar esse Mês especial, nada mais natural do que o primeiro assunto, aquele que me deu a ideia inicial e me levou a escolher os outros três: Golfe.

Acho que não é segredo para ninguém que eu nunca gostei de golfe, pois, além de ter falado isso aqui em uns três ou quatro posts, estava escrito com todas as letras no meu Perfil (hoje, para não ficar uma coisa contraditória, modifiquei essa informação). Os motivos que me levavam a não gostar de golfe, porém, não tinham nada a ver com suas regras, mas com a transmissão pela TV: em primeiro lugar, eu sempre achei muito estranho o fato de que, nas raras ocasiões em que dá para ver a bola após uma tacada, ela está voando pelos céus, sem que a gente faça a menor ideia de para que lado ela está indo, sem saber se ela vai cair no green ou em um estacionamento. Em segundo lugar, um jogo de golfe dura vários dias inteiros, ocupando a programação enquanto outras coisas mais legais poderiam estar passando.

Como eu já disse aqui uma vez, entretanto, eu posso ter um milhão de defeitos, mas ninguém pode me chamar de preconceituoso. Esse ano, decidi que iria assistir a alguns trechos de partidas, quando elas estivessem passando. Se eu disser que passei a ser um fã de golfe, estarei mentindo. Mas, de certa forma, passei a achar que os motivos que me levavam a não gostar de golfe eram implicância. Hoje, quando estou procurando algum esporte para assistir, não passo direto pelas partidas de golfe como fazia antigamente. Mas também não fico torcendo nem acompanho o campeonato. Um passo de cada vez.

Como todo esporte de regras simples, o golfe é muito antigo, e tem sua origem bastante disputada. Alguns dizem que ele teria se originado na Holanda, no final do Século XIII, sob a forma de um jogo no qual se rebatia uma bola de couro com um bastão de madeira com o objetivo de acertar um alvo posicionado a centenas de metros adiante. Outros alegam que ele seria ainda mais antigo, tendo se originado na China, no Século X, sendo descrito em documentos escritos e pinturas que mostram nobres da época jogando um jogo que usava dez tipos de tacos, e tinha o objetivo de usá-los para fazer com que bolinhas caíssem em buracos marcados com bandeirinhas. Há uma espécie de consenso, porém, de que o jogo de golfe como conhecemos teria sido inventado na Escócia, no Século XV, com a criação do primeiro campo de golfe permanente do mundo, o surgimento dos primeiros clubes de golfe, e, o mais importante, a codificação das regras do esporte. O nome do esporte, golf - no início também escrito como gouf ou gowf - seria uma corruptela do verbo goulf, que significa "acertar" no idioma escocês.

O golfe é um dos pouquíssimos esportes do mundo que não têm um campo de jogo padronizado. Pelo contrário, cada campo de golfe é único, com características que o diferenciam de todos os demais. Todos os campos de golfe, porém, devem ter alguns elementos característicos, necessários para o desenrolar da partida.

O primeiro desses elementos é a teeing area, também conhecida como teeing ground ou tee box. Trata-se do local onde cada golfista dará sua primeira tacada em direção ao buraco, assim chamada por causa do tee, aquele "prego" que os jogadores colocam no chão para colocar a bola em cima. A teeing area é normalmente plana, um pouco elevada em relação ao restante do campo, e tem grama baixa, sendo demarcada por dois marcos removíveis dispostos no campo. Cada buraco pode ter até cinco teeing areas, uma usada pelos homens, uma pelas mulheres, uma pelos jogadores juvenis, uma pelos veteranos, e e uma conhecida como championship tee, usada pelos homens em torneios oficiais (as mulheres, em torneios oficiais, usam a teeing area normalmente destinada aos homens). Cada uma dessas teeing areas possui uma distância diferente em relação ao buraco, sendo a championship a mais distante, seguida da dos homens, dos veteranos, das mulheres e dos juvenis. A teeing area é a única parte do campo onde um jogador pode usar um tee para apoiar a bola, mas ele não é obrigado a fazê-lo, podendo rebatê-la direto do chão ou apoiá-la em um montinho de areia.

O segundo elemento característico de todos os campos de golfe é o fairway, ou simplesmente fair ("suave"), que na verdade corresponde à maior parte do campo. O fair é uma grande área de grama baixa entre a teeing area e o green, que é a área em torno do buraco. Se não conseguir colocar a bola direto no green, a preferência de todo golfista é fazer com que ela caia no fair, pois de lá é muito mais fácil rebater a bola. Em contraste com o fair, temos o rough ("grosseiro"), uma área de grama alta, de onde é difícil rebater a bola, e onde pode haver árvores, que dificultam o ângulo da tacada. O rough sempre fica entre o fair e o out of bounds ("além dos limites"), a parte "de fora" do campo - ou seja, se a bola cair no out of bounds, será considerada fora, e a jogada, inválida.

Em torno do buraco, como já foi dito, há o putting green, ou simplesmente green ("verde"), uma área de grama bem baixinha, onde a bola corre com facilidade. O green normalmente tem um formato circular, mas pode ser irregular se o terreno no qual ele está for acidentado. O green é tão "sensível" que a forma como sua grama é cortada e irrigada afeta a forma como a bola se comportará nele, gerando greens "mais rápidos" - onde uma tacada leve faz com que a bola já corra muito - ou "mais lentos" - onde é preciso uma tacada mais forte para que ela corra a mesma distância. Em torno do green há uma área de grama um pouco mais alta, quase como o rough, conhecida como edge ("borda"). E, dentro do green, fica o buraco, dentro do qual há um copinho de 10,8 cm de diâmetro por 10 cm de profundidade, para facilitar que a bola seja recuperada após cair lá dentro. O buraco não fica sempre no mesmo ponto do green, sendo mudado a cada dia do torneio, e totalmente tapado quando não estão acontecendo torneios naquele campo. Quando os jogadores não estão rebatendo de dentro do green, fica encaixada no buraco uma bandeira fixada em poste de no mínimo 2,13 m de altura, para que os jogadores possam ver de longe em que direção está o buraco. Embora o normal seja que o jogador possa ver a bandeira já da teeing area, alguns trajetos até o buraco possuem "curvas", sendo conhecidos como doglegs (isso mesmo, "perna de cachorro", em referência à curvatura natural da perna de um cachorro). Um trajeto que tenha duas curvas, uma para cada lado, é conhecido como double dogleg.

Além dessas áreas, os campos de golfe podem ter obstáculos, sendo os mais famosos os bunkers e os water hazards. Um bunker é um buraco com areia, localizado no meio do fair ou bem próximo ao green. Rebater uma bola que caiu em um bunker já é difícil porque espalha areia e não se tem como controlar com precisão a direção da bola, mas além disso o golfista não pode tocar com o taco na areia em nenhum momento antes de concretizar a tacada. Alguns bunkers ainda possuem uma elevação, quase como uma "parede", na direção do green, o que força o golfista a bater por sobre ela, dificultando ainda mais a tacada. Após uma tacada em um bunker, o golfista ou seu caddie tem de "arrumar" a areia, deixando-a do jeito que estava antes da tacada.

Já os water hazards são obstáculos que contêm água, como rios, lagos e poças. Eles podem ser laterais, margeando o campo, ou estarem localizados no meio do fair, não dando ao golfista outra opção senão jogar a bola por sobre eles. Se a bola cair na água, o golfista possui três opções: se for possível, ele pode tentar rebater a bola no local onde ela caiu normalmente; se não for, mas for possível recuperar a bola, ele pode colocá-la no ponto onde ela cruzou a margem do obstáculo (no seco) e rebatê-la dali, recebendo uma penalidade. Se não for possível recuperar a bola, ele pode rebater uma bola reserva do local onde deu a tacada que jogou a bola na água, também recebendo uma penalidade.

Além desses tipos "padrão" de obstáculos, o terreno onde o campo está localizado pode criar outros, como áreas de vegetação densa, aclives e declives, ou até mesmo vento forte. Campos de golfe são enormes, ocupando em média o mesmo espaço que 60 campos de futebol. Por causa disso, se tornaram figuras comuns neles os famosos carrinhos de golfe, usados para a movimentação dos jogadores e árbitros pelo campo, e os não menos famosos caddies, jovens que carregam o equipamento dos jogadores para eles. Originários de uma época na qual os golfistas eram pessoas riquíssimas que não queriam carregar peso, os caddies hoje já são vistos como uma espécie de "aprendizes", e muitos deles acabam se tornando golfistas bem sucedidos, por adquirir um vasto conhecimento das regras do esporte e das sutilezas de cada campo durante seu trabalho.

Como o campo de golfe possui tantos elementos diferentes, cada jogada criará para o golfista uma situação única, na qual será necessária uma maneira diferente de se acertar a bola. Assim, existem diferentes tipos de tacos, sendo que cada golfista, pelas regras do esporte, pode usar até 14 tacos diferentes em uma partida. Para isso, ele os guarda em uma bolsa especial, cilíndrica, onde carregará os 14 tacos que acha que serão necessários de acordo com as características do campo.

Esse número de 14 pode parecer exagerado, mas existem tacos de golfe de muitos tipos diferentes, cada um para uma situação. No geral, eles podem ser divididos em três grupos, os woods ("madeiras"), de cabo longo e cabeça grande, usados para rebatidas longas; os irons ("ferros"), de cabo mais curto e cabeças menores, para rebatidas mais precisas; e os putters ("colocadores"), bem pequeninos, e somente usados quando a bola está dentro do green. Cada taco de golfe costuma ter também um número; quanto mais elevado esse número, mais curto o cabo e maior o ângulo de inclinação da cabeça, conhecido como loft. Isso é importante porque é o loft que determina a que altura a bola subirá, enquanto o comprimento do cabo determina a força da tacada e a distância percorrida. Um taco de valor alto, portanto, faz com que a bola suba muito, mas viaje pouco.

Os tacos conhecidos como woods têm entre 1 e 1,15 m de comprimento, e loft entre 7,5 e 31 graus. Embora originalmente eles fossem feitos de madeira (daí seu nome), hoje em dia os woods costumam ser fabricados em materiais mais duráveis, como fibra de carbono. Os woods normalmente são usados para tacadas longas, portanto sua cabeça é a maior dentre todos os tacos de golfe, sendo planas do lado que acerta a bola, esféricas do outro, e atualmente feitas de titânio. Normalmente, um golfista carrega para o jogo três woods, um número 1, um 3 e um 5. O wood número 1 também é conhecido como driver, é o taco mais longo disponível, e o preferido dos jogadores para a primeira tacada de um buraco, aquela que tira a bola da teeing area.

Vindo em seguida, os irons, originalmente feitos de ferro, mas hoje feitos de aço, são o que normalmente as pessoas reconhecem como um taco de golfe, com a cabeça pequena, em formato de elipse, e plana de ambos os lados. O lado da cabeça do iron que acerta a bola possui ranhuras que fazem com que a bola gire após a tacada, para adicionar efeito às jogadas. O cabo de um iron tem entre 91 e 99 cm, e seu loft fica entre 20 e 41 graus. Os irons também são numerados, sendo que, quanto maior o número, não somente o cabo é mais curto e o loft maior, mas a cabeça do taco também é maior. Os irons são usados para a maioria das jogadas, então um jogador normalmente carrega muitos deles, normalmente um conjunto que contém do número 3 ao número 9. Graças aos avanços tecnológicos dos materiais, atualmente alguns jogadores acham mais prático jogar com woods de números mais altos ao invés de com irons de números mais baixos, e outros até substituem os irons 3 e 4 por tacos chamados híbridos, que mesclam as características dos woods e dos irons.

Existe um subconjunto de irons conhecido como wedges. Com o mesmo formato e feitos do mesmo material, os wedges servem para situações especiais, como rebater bolas que tenham caído na grama alta, na areia, ou em uma depressão do terreno. Seu cabo é mais curto, entre 88 e 90 cm, e seu loft é maior, entre 45 e 60 graus. Wedges não são normalmente identificados por um número (embora, a rigor, o primeiro wedge seja o iron 10, e o último o iron 14), mas por um código, que determina seu uso: pitching wedge (PW), para todos os efeitos um iron 10; gap wedge (AW), normalmente usado quando a bola está no fair, bem próxima ao green; sand wedge (SW), usado quando a bola cai em um bunker; e lob wedge (LW), usado para tirar a bola de depressões ou fazê-la saltar por sobre obstáculos. Algumas companhias já estão comercializando o ultra lob wedge (UW), com um loft de 64 graus, que manda a bola ainda mais alto, e que seria próprio para sair de bunkers com "paredes". Normalmente um jogador só carrega dois ou três wedges por partida, sendo um deles o SW, por razões óbvias.

Finamente, temos o putter, o taco mais curto (81 cm) e de menor loft (5 graus) disponível, com cabeça quase retangular, uma pequena inclinação no ponto que liga a cabeça ao cabo, e feito de aço com detalhes de madeira. O putter só é usado em uma situação: quando a bola está dentro do green, e o jogador necessita de uma tacada precisa para colocá-la dentro do buraco. Embora, pelas regras, nenhum tipo de taco seja obrigatório, não existe nenhum jogador que não carregue um putter para uma partida.

Tão importante para um jogo de golfe quanto os tacos é a bola. Uma bola de golfe é feita de vários plásticos e borrachas sintéticas, e podem ser compostas de duas, três ou quatro camadas de materiais - sendo que o número de camadas afeta a forma como a bola se comporta após a tacada. Seja qual for o número de camadas, a bola não pode ter menos de 42,67 mm de diâmetro nem 45,93 gramas de peso. A bola normalmente é feita na cor branca, e possui várias concavidades, projetadas para diminuir o arrasto aerodinâmico. Diferentemente do que ocorre em outros esportes, o normal no golfe é que cada jogador use sua própria bola - e a mesma bola - do início até o final da partida; por causa disso, a maioria das bolas, além do nome do fabricante, traz também um número ou outro símbolo, para que o jogador identifique mais facilmente se aquela é sua bola ou a de um oponente.

Além dos tacos e da bola, o único equipamento indispensável para a prática do golfe são pequenos marcadores semelhantes a moedas coloridas, usados para marcar o lugar onde uma bola caiu, caso essa bola vá atrapalhar a jogada de outro jogador - se estiver bem no caminho entre outra bola e o buraco, por exemplo. Esses marcadores têm de ser fabricados de forma que, uma vez colocados no campo, não alterem a trajetória de uma bola que passe sobre eles. Alguns jogadores também costumam usar sapatos de golfe, que possibilitam uma base mais firme no momento da tacada, ou luvas de golfe, que permitem uma pegada mais firme no taco, mas esses equipamentos são opcionais.

O jogo de golfe pode seguir vários critérios de pontuação diferentes, sendo que dois são considerados "oficiais". Desses, o mais comum, utilizado na maioria dos torneios, é o chamado stroke play. Nele, todos jogam simultaneamente, e, depois que todos tiverem jogado todos os buracos, será declarado vencedor o golfista que precisou de menos tacadas para acertar a bola em todos eles. O outro critério de pontuação oficial é o chamado match play, ainda presente em alguns torneios, mas cada vez mais raro. No match play, os golfistas se enfrentam dois a dois, com os vencedores avançando e os perdedores sendo eliminados, até que só reste o campeão. Além disso, eles se enfrentam buraco a buraco: cada vez que um jogador acertar um buraco com menos tacadas que o outro, ele "vence" aquele buraco; se ambos acertarem o mesmo buraco com o mesmo número de tacadas, o buraco fica empatado. O vencedor da partida será o golfista que tiver vencido o maior número de buracos ao final do jogo. Em ambos os critérios, caso dois ou mais golfistas terminem empatados, é jogado um play-off entre eles, que pode ter morte súbita - ou seja, assim que um conseguir um buraco com menos tacadas que o outro, o jogo acaba.

Seja qual for o critério de pontuação, uma partida de golfe dura 18 buracos. Nem todos os campos de golfe possuem 18 buracos diferentes; alguns possuem só nove, sendo que em uma partida cada buraco é jogado duas vezes - e, em alguns desses campos, a segunda rodada é jogada "de trás para a frente", jogando da teeing area originalmente usada para o buraco 8 em direção ao buraco 7, por exemplo, com uma teeing area extra após o nono buraco sendo usada só para a "volta". Outros campos, maiores, possuem 27 ou 36 buracos, sendo escolhidos 18 deles para a partida. Alguns torneios exigem mais de uma partida para se apontar o vencedor, normalmente quatro, sendo jogados em vários dias, com uma partida de 18 buracos a cada dia.

Ao invés de simplesmente se contar quantas tacadas cada jogador deu em cada buraco, as regras do golfe convertem as tacadas em pontos, atribuindo um placar a cada jogador. Para isso, cada um dos buracos de um campo de golfe possui um número de tacadas "padrão", correspondente ao número de tacadas que um golfista experiente precisa para, partindo da teeing area, colocar a bola no buraco. Este número é conhecido como Par, e normalmente corresponde a 3, 4 ou 5 tacadas, embora muito raramente um buraco possa ter Par 6. O Par normalmente é determinado pela distância entre a teeing area e o buraco, mas alguns obstáculos, como aclives e declives, podem alterar o Par para mais ou para menos. A dificuldade de um campo é medida por seu Par total, que é a soma dos Par de todos os seus buracos; a maioria dos campos de golfe usados pelos profissionais tem Par 70, 71 ou 72, sendo mais comuns em torneios os de 72, com quatro buracos de Par 3, quatro de Par 5 e dez de Par 4.

O objetivo de cada golfista não é acertar o buraco com um número de tacadas igual ao Par, mas sim, se possível, com um número de tacadas menor que o Par. Isso porque, acertando um buraco com um número de tacadas igual ao Par, ele ganha 0 pontos, mas, para cada tacada a menos que o Par que ele der, ele perde um ponto (ou seja, se o Par era 5 e ele acertou o buraco com três tacadas, terá um placar de -2). Da mesma forma, para cada tacada a mais que o Par, o golfista ganhará um ponto (se o Par era 3 e ele precisou de cinco tacadas, terá um placar de +2). Penalidades, como as conferidas por tirar a bola da água para rebatê-la do seco, tocar a areia de um bunker antes da tacada, ou jogar a bola no out of bounds resultam em pontos extras para o jogador, aumentando seu placar. Em uma partida de stroke play, portanto, o vencedor será o jogador que, ao final do jogo, tiver o menor placar, pois isso demonstra que ele foi o que deu menos tacadas - e recebeu menos penalidades - durante o jogo.

Na linguagem do golfe, existem apelidos para o desempenho do jogador em cada buraco, dependendo do número de tacadas. Se o golfista conseguir acertar o buraco em um número de jogadas igual ao Par, a jogada também é conhecida como Par; mas se ele conseguir uma tacada a menos, será um birdie. Duas tacadas a menos configuram um eagle, três tacadas a menos, um albatross, e quatro tacadas abaixo do par valem um condor. No outro sentido, a contagem é mais fácil: uma tacada a mais do que o Par transforma a jogada em um bogey, duas tacadas a mais são um double bogey, três tacadas a mais, um triple bogey, e quatro tacadas acima do par fazem um quadruple bogey. Não existe um limite máximo de tacadas para um jogador acertar um buraco, mas a partir das cinco tacadas a mais a jogada é conhecida simplesmente como +5, +6, +7, e assim sucessivamente. Como quase não existem buracos de Par 6, quase nunca um jogador vai conseguir uma jogada de cinco tacadas abaixo do Par, então o único apelido que existe para ela é o hole in one, mesmo nome dado a qualquer jogada na qual o golfista acerte o buraco logo na primeira tacada. Além desses nomes todos, há o chip-in, que acontece quando o golfista acerta a bola direto no buraco, sem que ela corra pela grama.

Além de individualmente, o golfe pode ser jogado em duplas, de duas formas: na foursome, cada dupla joga com uma bola, e os golfistas se alternam nas tacadas, enquanto na four ball cada golfista tem sua própria bola, mas apenas o placar mais baixo de cada dupla é computado para cada buraco. Ambas as variações podem ser jogadas como stroke play ou match play. Finalmente, o golfe pode ser jogado em equipes, exatamente como a versão individual, mas somando-se os pontos de cada jogador de uma equipe para determinar sua pontuação total e apontar a equipe vencedora.

O golfe é um dos poucos esportes que não possuem uma federação internacional. Ele é regulado em conjunto por duas associações, a escocesa R&A, baseada no Royal and Ancient Golf Club of St. Andrews, um dos clubes de golfe mais aintigos e de maior prestígio do mundo, fundado em 1754 e considerado a "casa do golfe"; e a United States Golf Association (USGA), equivalente à federação norte-americana de golfe, fundada em 1894 e baseada em Far Hills, Nova Jersey. Para todos os efeitos, a USGA é a autoridade máxima do golfe para os Estados Unidos e México, enquanto a R&A é a autoridade máxima do golfe no resto do mundo. As regras do esporte, porém, são publicadas em conjunto pelas duas associações desde 1952, com boletins publicados por ambas a cada dois anos para dirimir eventuais dúvidas que surjam em torneios nesse meio tempo.

Tanto a R&A quanto a USGA organizam torneios anualmente, mas elas também permitem que outras organizações o façam, sendo as duas mais famosas a PGA Tour, de torneios exclusivamente masculinos, e a LPGA, de torneios exclusivamente femininos. Embora "PGA" signifique "Professional Golfers Association", a PGA Tour não tem nada a ver com a Associação dos Golfistas Profissionais dos Estados Unidos, da qual se separou em 1968. Desde então, a PGA reúne jogadores profissionais que atuam em clubes, como professores, por exemplo, enquanto a PGA Tour reúne os profissionais que disputam torneios. A LPGA (cujo L significa "Ladies") continua reunindo ambos os tipos de jogadoras.

Assim como ocorre com o tênis, alguns torneios de golfe são considerados "mais importantes" ou "mais charmosos" do que outros, atraindo mais atenção da imprensa e dos jogadores, e conferindo mais prestígio a seus vencedores. No golfe masculino, os quatro torneios mais importantes (mais ou menos equivalentes aos Grands Slam do tênis) são conhecidos como majors, e reúnem o Masters de Golfe, disputado desde 1934 no Augusta National Golf Club, em Augusta, Geórgia, Estados Unidos; o Aberto dos Estados Unidos, disputado desde 1895, a cada ano em um campo diferente; o British Open (conhecido no Reino Unido apenas como "The Open"), realizado desde 1860, a cada ano em um de nove campos tradicionais da Inglaterra e Escócia; e o PGA Championship, disputado desde 1916, também a cada ano em um campo diferente dos Estados Unidos. O British Open é organizado pela R&A, enquanto os três outros majors são organizados pela USGA. Todos os quatro são disputados em stroke play.

Abaixo dos majors, em ordem de importância, vêm as etapas do World Golf Championships, também em número de quatro: o WGC-Accenture Match Play Championship, único dos quatro disputado em match play, atualmente disputado na cidade de Marana, Arizona, Estados Unidos; o WGC-CA Championship, disputado em Doral, Flórida, Estados Unidos; o WGC-Bridgestone Invitational, em Akron, Ohio, Estados Unidos; e o WGC-HSBC Champions, disputado em Xangai, China. Abaixo do WGC temos as 24 etapas regulares do PGA Tour, todas disputadas nos Estados Unidos, e as 42 etapas do PGA European Tour, que, apesar do nome, são disputadas em países da Europa e da Ásia, na África do Sul e na Austrália. E além desses ainda temos outros torneios, como o Japan Golf Tour, o Asian Tour, o Sunshine Tour, o PGA Tour of Australasia, a Ryder Cup, disputada em equipes, e o The Players Championship, disputado anualmente em Ponte Vedra Beach, Flórida, e considerado pelos golfistas norte-americanos como o "quinto major".

No golfe feminino, os quatro majors são o Kraft Nabisco Championship, disputado desde 1972 em Rancho Mirage, Califórnia, Estados Unidos; o LPGA Championship, disputado desde 1955, sempre em cidades dos Estados Unidos, atualmente em Havre de Grace, Maryland; o Aberto Feminino dos Estados Unidos, disputado desde 1946, a cada ano em uma cidade diferente; e o British Open feminino, disputado desde 1976, sempre em cidades da Inglaterra e Escócia. Semelhante ao que ocorre no masculino, as jogadoras europeias elegeram um "quinto major", o Evian Masters, disputado desde 1994 em Évian-les-Bains, França. Abaixo dos majors, temos 25 etapas da LPGA Tour, disputadas nos Estados Unidos, Tailândia, Cingapura, México, Canadá, China, Coreia do Sul e Japão. Além desses, temos os eventos da Ladies European Tour, da LPGA of Japan Tour, e alguns outros torneios, como o HSBC LPGA Brasil Cup, disputado no Rio de Janeiro.

O golfe também já foi esporte olímpico, tendo sido disputado nas Olimpíadas de 1900 e 1904. Em 1900, em Paris, foram disputados um torneio individual masculino, de duas rodadas de 18 buracos cada, e um feminino, em uma rodada de nove buracos, ambos em stroke play. Em St. Louis, 1904, foram disputados um torneio individual masculino em match play e um torneio masculino por equipes de 10 golfistas cada, em stroke play. O golfe está na lista dos esportes que tentam ser incluídos em uma edição futura das Olimpíadas, mas esbarra em dois problemas: o primeiro é que o calendário do golfe já é muito apertado, e há uma desconfiança de que os principais golfistas do circuito profissional não estariam dispostos a abrir mão de torneios que oferecem polpudos prêmios em dinheiro para tentar ganhar uma medalha olímpica; o segundo é que, apesar da maioria das principais cidades do mundo já contar com um campo de golfe, não parece justo obrigar uma cidade candidata a construir uma coisa que ocupe tanto espaço só para sediar uma Olimpíada.

O tamanho dos campos, inclusive, está colocando o golfe no centro de uma disputa político-ecológica: muitas cidades simplesmente não estão conseguindo construir ou manter campos de golfe, devido a manifestações contrárias de habitantes que alegam que os campos causarão impacto ambiental, já que seus enormes gramados necessitam de uma grande quantidade de água e pesticidas para se manter sempre em condições de jogo. O fato de que o golfe é um esporte ligado às classes ricas não ajuda muito, pois dá argumentos a esses manifestantes de que os campos cobrarão muito e darão pouco à população.

Como a maioria dos esportes, porém, o golfe já não pode mais ser ligado a uma ou outra classe social. Já existem vários clubes no mundo inteiro que dão chances a crianças pobres de praticarem o esporte, com a possibilidade de desenvolver suas habilidades e se tornarem jogadores profissionais no futuro. Aqui mesmo, no Estado do Rio de Janeiro, temos o Campo Público Municipal de Golfe de Japeri, que não somente dá chance para crianças da Baixada Fluminense treinarem o esporte, mas também preserva o local, sendo um campo ecologicamente correto. Só é uma pena que o Governo do Estado tenha decidido construir uma auto-estrada que passa por dentro do campo, impossibilitando o uso de sete dos nove buracos, o que acabará com o campo e com o projeto social.

1 enfiaram o nariz:

Anônimo disse...

esdsa merda e muit grande pow!

4:53 PM

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