quarta-feira, 1 de julho de 2009

Battlestar Galactica

Há algumas semanas, eu terminei aqui uma série de posts que tinha o intuito de falar sobre temas do meu Perfil que ainda não haviam sido abordados - da qual eu, aparentemente, não consigo me livrar, já que depois de seu fim eu já falei sobre dois outros desses temas. Mas hoje não é dia de falar sobre um terceiro. Bem, pelo menos não totalmente.

Se alguém lê com regularidade meu Perfil - o que eu duvido muito, já que ninguém teria motivo para isso - deve ter percebido que ele não é imutável, que seus temas não são os mesmos desde o dia em que eu o escrevi pela primeira vez. Não que eu seja esquizofrênico e fique mudando de gostos a toda hora, mas de vez em quando eu chego à conclusão de que já não gosto tanto assim de um assunto e o retiro, ou percebo que algum assunto estava faltando e o incluo. A inclusão, aliás, é bem mais frequente que a exclusão, já que é mais fácil eu sentir vontade de incluir alguma coisa na minha lista de favoritos do que deixar de gostar de outra a ponto de não querê-la mais lá.

Além de ser mais frequente, a inclusão é, de certa forma, mais alardeada: quando eu excluo um assunto, normalmente não aviso nada a ninguém, mas, quando incluo um, sempre deixo para fazê-lo no dia em que levo ao ar um post sobre ele. Hoje, portanto, se vocês consultarem o meu Perfil, mais especificamente a parte sobre séries de TV, perceberão que Battlestar Galactica foi incluída entre elas.

A Battlestar GalacticaA Galactica original nunca foi uma de minhas séries preferidas. Ela passava quando eu era pequeno, mas, por algum motivo, eu não dava muita bola. Por causa disso, quando a nova série estreou, eu não me interessei em assisti-la. Além do mais porque quem passava era o TNT, canal com o qual eu nutro uma certa implicância.

Entretanto, eu posso ter um milhão de defeitos, mas ninguém pode me chamar de preconceituoso. Quando eu não conheço uma coisa, mas alguém me diz que é bom, eu sempre procuro conferir se é bom mesmo. Assim, quando um amigo me aconselhou que eu assistisse à série, pouco depois de eu fazer meu post sobre Jornada nas Estrelas aqui no átomo, tratei de alugar um DVD do piloto, que eu já tinha visto na locadora aqui perto de casa. Gostei bastante, tanto que acabei comprando a primeira temporada. E a segunda. E a terceira. A quarta eu ainda estou devendo, então por favor nada de spoilers nos comentários desse post!

Apesar de terem o mesmo nome, as duas séries de Battlestar Galactica são distintas o suficiente para fazer com que a segunda seja considerada uma "reimaginação" da primeira, já que não é uma refilmagem nem uma continuação. A série original foi criada em 1978 por Glen A. Larson, produtor executivo de sucessos como O Homem de Seis Milhões de Dólares e Dr. Quincy, e que na década seguinte criaria Magnum e A Super Máquinha. Seu episódio-piloto, de 148 minutos, foi o mais caro da história da TV até então, e chegou a ser exibido nos cinemas do Canadá, Europa e Japão. A ideia original de Larson era fazer três filmes para a TV, que juntos contassem uma história completa, mas, graças aos excelentes índices de audiência do primeiro, o projeto ganhou mais 21 episódios de 45 minutos cada, se transformando em uma série exibida entre 17 de setembro de 1978 (data da exibição do piloto) e 29 de abril de 1979. No final, porém, a audiência já não era a mesma, e a ABC, que exibia o seriado, decidiu não encomendar uma segunda temporada à Universal, que o produzia.

Galactica não era ambientada no futuro da Terra, mas em um tempo indeterminado, em uma região remota do espaço onde existem as Doze Colônias, um grupo de doze planetas onde viviam seres humanos, que estavam em guerra contra os cilônios, robôs guerreiros criados por uma raça reptiliana ancestral que supostamente foi destruída por suas próprias criações. Sem terem sido instruídos a parar de guerrear, os cilônios continuaram lutando, desta vez contra os humanos. Após mil anos de guerra, os cilônios receberam uma ajudinha do Conde Baltar (John Colicos) e destruíram as Doze Colônias, forçando os sobreviventes a fugirem em quaisquer naves disponíveis. A Astronave de Combate Galactica era supostamente a única nave de guerra que não foi destruída no ataque, e, por causa disso, seu comandante, Adama (Lorne Greene, do seriado Bonanza), decidiu tomar para si a missão de proteger o que restava da humanidade, espalhada por uma frota de 200 naves, guiando-os até um planeta mítico, onde as lendas contavam também existir humanos, chamado Terra.

Os cilônios, porém, não eram de desistir fácil, e decidiram seguir a frota para terminar o serviço. Assim, a cada episódio, os humanos tinham de lidar com um novo ataque cilônio, com os habitantes de um novo planeta descoberto, ou com as maquinações de Baltar, que sobreviveu ao ataque e se juntou à frota. Além de Baltar e Adama, os personagens principais da série eram os filhos de Adama, a jovem Atena (Maren Jensen) e o piloto Apolo (Richard Hatch); o também piloto e melhor amigo de Apolo, Starbuck (Dirk Benedict); a repórter Serina (Jane Seymour) e seu filho Boxey (Noah Hathaway); o engenheiro Boomer (Herb Jefferson Jr); e o segundo em comando na Galactica, Coronel Tigh (Terry Carter).

Como a série foi cancelada de repente, a Galactica jamais chegou à Terra, embora no último episódio eles tenham perdido por pouco as transmissões da Apollo-11 que avisavam sobre seu pouso na Lua. Após o cancelamento, porém, algo estranho aconteceu, e a série, por algum motivo, virou cult. Milhares de fãs descontentes com a interrupção da busca pela Terra escreveram para a ABC, que decidiu rever sua decisão de cancelar a série e encomendar uma nova temporada à Universal. Como Galactica era uma série muito cara, porém, a ABC exigiu alterações em seu formato, para que os episódios saíssem menos custosos.

Starbuck, Apolo, Adama e Atena na série originalLarson e o produtor Donald P. Bellisario decidiram, então, tomar uma atitude arriscada: ambientar a série na Terra, nos "dias atuais", e com um elenco reduzido, criando uma espécie de spin-off. Assim, em 27 de janeiro de 1980 estrearia Galactica 1980, ambientada cinco anos após o final da série original, com os humanos finalmente conseguindo chegar à Terra no ano terrestre de 1980. Como os cilônios continuam seguindo-os, eles não podiam simplesmente pousar suas naves e viver em paz, já que a Terra ainda não possuía a tecnologia necessária para proteger-se de um ataque dos robôs. A frota decide, portanto, permanecer em órbita, e enviar regularmente - e secretamente - cidadãos das Doze Colônias para se misturar à população e influenciar avanços tecnológicos e científicos que permitam à Terra ajudar na luta contra os cilônios. Os únicos personagens de Galactica presentes em 1980 são Adama e Boomer, promovido a segundo em comando; outros personagens importantes são Troy (Kent McCord), que na verdade é Boxey, já crescido; e o Comandante Xavier (Richard Lynch), que tem uma abordagem mais direta para o problema: viajar no tempo para o passado da Terra, e provocar um avanço científico que permita à frota destruir os cilônios assim que chegarem ao planeta. Galactica 1980 não fez o sucesso esperado, e teve apenas 10 episódios. Depois de seu fracasso, durante muito tempo ninguém mais quis ouvir falar em Galactica, achando que a série já dera o que tinha de dar.

Somente em 1998 o ator Richard Hatch decidiu tentar ressucitar a série, criando, produzindo e dirigindo um curta de 30 minutos chamado Battlestar Galactica: The Second Coming, que contava com a participação dele mesmo, como um Apollo promovido a comandante da frota; Colicos como Baltar; e Carter como Coronel Tigh, além de outros atores em outros papéis, de personagens que existiam na série original ou não. O intuito de Hatch era produzir uma nova série, que começasse exatamente do ponto onde a original parou, ignorando os eventos de 1980. Hatch preparou um trailer de 4 minutos de seu curta, e o exibiu em diversas convenções de ficção científica dos Estados Unidos. A Universal, porém, jamais se interessou pelo projeto, e, como ela ainda detinha os direitos da série, ninguém mais se animou a tentar produzi-la. The Second Coming permanece inédito até hoje, e não existem planos para lançá-lo em nenhum formato.

Em 1999, o produtor Todd Moyer se uniu a Larson para tentar criar um filme estrelado pela Battlestar Pegasus, uma segunda astronave de combate que aparece nos episódios 12 e 13 da série original. Este projeto, porém, jamais saiu do papel. No ano seguinte, foi a vez do diretor Bryan Singer e do produtor Tom DeSanto criarem o projeto de uma minissérie baseada no Galactica original, que ofereceram à Fox, da qual ambos eram contratados. A Fox deu sinal verde para a produção e começou a negociar os direitos com a Universal, mas os ataques de 11 de setembro de 2001 levaram a sucessivos atrasos do cronograma do projeto, que acabou engavetado quando Singer foi filmar X-Men 2.

Finalmente, em 2003, os produtores Ronald D. Moore e David Eick, com consultoria de Larson, criaram um novo projeto, que ofereceram à Universal. Ao invés de uma continuação ou uma refilmagem, seria uma nova versão de Galactica, com a mesma trama central e personagens principais, mas com uma abordagem mais séria e tensa. Além disso, assim como Singer e DeSanto, Moore e Eick apresentaram seu projeto como uma minissérie de três horas de duração total, fechada o suficiente para ser condensada em um filme para a TV caso não fizesse sucesso, e aberta o suficiente para servir como piloto caso uma série fosse desenvolvida. A Universal adorou tanto a ambientação quanto o formato, e deu luz verde para a minissérie, que foi exibida em duas partes, em 8 e 9 de dezembro de 2003 no Sci Fi Channel dos Estados Unidos. O sucesso foi estrondoso: o primeiro episódio de Battlestar Galactica foi nada menos que o programa de maior audiência de toda a história do canal.

Na minissérie, os cilônios foram criados não por uma raça ancestral, mas pelos próprios humanos habitantes das Doze Colônias, doze planetas batizados em homenagem aos signos do zodíaco (Aerilon, Tauron, Gemenon, Canceron, Leonis, Virgon, Libran, Scorpia, Sagittaron, Cáprica, Aquarion e Picon), colonizados há séculos por outros humanos, que vieram de um planeta chamado Kobol. Originalmente criados para "tornar a vida mais fácil nas Doze Colônias", atuando como trabalhadores braçais e soldados, um dia os cilônios se rebelaram e atacaram os humanos, dando início a uma guerra que durou muitos anos, e só terminou graças a um armistício, nos termos do qual os cilônios procurariam outro planeta para morar e ambos os lados cessariam as hostilidades. Depois do armistício, mais de quarenta anos se passaram sem que os humanos tivessem notícia de qualquer cilônio.

Mas, durante esse tempo, os cilônios, que originalmente tinham forma e aparência de robôs, se adaptaram e evoluíram - tramando, alguns dizem, seu ataque final contra as Doze Colônias. A minissérie começa com a revelação de que agora existem cilônios que são, em todos os aspectos, idênticos a humanos, e que alguns deles, como a bela Número Seis (Tricia Helfer) estão inflitrados nas Doze Colônias, colocando um sinistro plano em prática: seduzido por uma Seis, o muito inteligente mas pouco esperto cientista Dr. Gaius Baltar (James Callis) acaba permitindo que os cilônios acessem as defesas computadorizadas do planeta Cáprica, capital das Doze Colônias, o que leva a um ataque nuclear maciço, que praticamente extermina a raça humana. Praticamente só sobrevivem os que estavam fora dos planetas, em naves espaciais, no momento do ataque.

Nessa nova série, a Galactica não é uma importante astronave de combate, muito pelo contrário: é uma nave antiga, caindo as pedaços, que lutou na primeira guerra contra os cilônios, há mais de quarenta anos, e está prestes a ser decomissionada e transformada em um museu. O que parece ser uma fraqueza, porém, acaba se revelando o maior trunfo da Galactica: como apenas uma pequena parte de seus sistemas é computadorizada, e seus computadores não estão em rede com os da superfíce de Cáprica, a nave não é afetada pelo ataque inicial cilônio, e continua funcionando normalmente. Com a suposta morte de todos os oficiais hierarquicamente superiores, o Comandante da Galactica, William Adama (Edward James Olmos), assume o comando da frota e começa a traçar um plano de contra-ataque ou, na pior das hipóteses, fuga. Eventualmente, Adama acaba convencido por Laura Roslin (Mary McDonnell), uma professora primária escolhida Secretária da Educação e que acaba se tornando Presidente das Doze Colônias quando todos os 42 nomes anteriores na lista de sucessão são mortos no ataque, de que lutar é impossível, e que o melhor que eles têm a fazer é fugir para o mais longe possível dos cilônios. Para levantar a moral da frota, Adama divulga que eles não estão simplesmente fugindo, mas indo para uma nova vida no planeta Terra, que seria a décima-terceira colônia, para onde também foram humanos de Kobol na época da colonização. O próprio Adama, porém, não acredita que a Terra exista, considerando que ela é só uma lenda dos tempos antigos. De qualquer forma, assim se configura a mesma situação do seriado original, com a Galactica liderando uma frota de aproximadamente 40 naves, que carregam aproximadamente 50.000 sobreviventes do ataque cilônio, em direção à Terra.

Além de Adama e Baltar, outros personagens da série original também estavam presentes na minissérie, todos, porém, com algumas pequenas diferenças em relação aos originais: Apolo, agora chaamdo Lee Adama (Jamie Bamber), ainda é filho de Adama, Capitão da frota e piloto de Viper, os caças da frota, mas tem uma relação complicada com o pai, parcialmente influenciada por um acidente que vitimou seu irmão mais novo, Zak (Clarke Hudson). Starbuck também ainda é piloto, parceiro de Apolo, e ocupa o posto de Tenente, mas agora é uma mulher, Kara Thrace (Katee Sackhoff), que é tratada como filha por Adama e tem uma espécie de relacionamento amoroso complicado com Apolo, principalmente porque, no passado, também se envolveu com Zak. O Coronel Saul Tigh (Michael Hogan) ainda é o segundo em comando na Galactica; e Boxey, agora Alex Boxman (Connor Widdows), é uma criança sobrevivente do ataque, que anda pela nave com Starbuck e Boomer; mas Boomer, agora Sharon Valerii (Grace Park), além de ser mulher, ainda deixou de ser engenheiro para se tornar Tenente e piloto de Raptor, uma pequena nave de transporte. Personagens novos incluem o Chefe Galen Tyrol (Aaron Douglas), responsável pelo hangar e pela manutenção dos Vipers e Raptors; sua assistente, a Especialista Cally Handerson (Nicki Clyne); a oficial de comunicações Anastasia Dualla, conhecida como Dee (Kandyse McClure); o oficial tático Felix Gaeta (Alessandro Juliani); o assistente de Roslin, Billy Keikeya (Paul Campbell); o Tenente Karl "Helo" Agathon (Tahmoh Penikett), parceiro de Boomer no Raptor, que acaba perdido em Cáprica após uma missão de resgate pós-ataque cilônio; e os cilônios Número Cinco (Matthew Bennett) e Número Dois (Callum Keith Rennie).

Baltar, Número Seis, Tigh, Roslin, Adama, Apolo, Tyrol, Boomer e Starbuck


O enorme sucesso alcançado pela minissérie fez com que a Universal se animasse a produzir a série regular, que começaria com uma temporada de 13 episódios de 45 minutos cada. Curiosamente, graças a um acordo com a British Sky Broadcasting, que forneceu parte do dinheiro da produção, essa primeira temporada estrearia primeiro no Reino Unido, em 18 de outubro de 2004, só chegando ao Sci Fi Channel norte-americano em 14 de janeiro de 2005. Nada menos que 3 milhões de espectadores assistiram a 33, o primeiro episódio da série regular, que contou com boa audiência durante toda a temporada. Além de continuar combatendo os cilônios - e fugindo deles para lutar outro dia, quando necessário - a frota intensifica suas buscas pela Terra, após Adama e Roslin descobrirem que a lenda talvez não seja tão fantasiosa assim. Novos personagens da primeira temporada incluem os pilotos Alex "Crashdown" Quartararo (Sam Witwer), Brandon "Hot Dog" Constanza (Bodie Olmos), Margaret "Racetrack" Edmondson (Leah Caims) e Louanne "Kat" Katraine (Luciana Carro); o Especialista James "Jammer" Lyman (Dominic Zamprogna); o médico da nave, Major Dr. Sherman Cottle (Donnelly Rhodes); a esposa do Coronel Tigh, dada como morta após o ataque cilônio, Ellen Tigh (Kate Vernon); e Tom Zarek (Richard Hatch), ex-terrorista de Sagittaron que decide se tornar político. Curiosamente, Boxey não aparece em nenhum dos episódios da série regular, sumindo sem dar maiores explicações.

A segunda temporada de Galactica estrearia primeiro nos Estados Unidos, em 15 de julho de 2005, com mais 20 episódios. Entretanto, devido à política do Sci Fi Channel de que temporadas longas eram divididas em duas, uma "temporada de verão" e uma "temporada de inverno", ela seria interrompida após o episódio 10, em 23 de setembro, para retornar apenas em 6 de janeiro de 2006. O mais importante acontecimento da primeira metade da segunda temporada é o aparecimento da Battlestar Pegasus, que também sobreviveu ao ataque cilônio, mas estava vagando pelo universo em busca da frota. Como a comandante da Pegasus, Almirante Helena Cain (Michelle Forbes) é hierarquicamente superior a Adama, ela assume o comando da frota, tomando algumas decisões controversas que acabam desestabilizando o frágil estado de coisas conseguido por Adama e Roslin. Outra sacudida acontece na segunda metade, quando, em uma eleição limpa, Baltar ganha de Roslin e se torna o novo Presidente das Doze Colônias, decidindo que é hora de parar de procurar a Terra e se estabelecer em um planeta de ambiente favorável encontrado por acaso e batizado de Nova Cáprica. Infelizmente, um ano após o início da colonização de Nova Cáprica, os cilônios chegam e dominam tudo, governando os humanos com mão de ferro. Novos personagens importantes da segunda temporada incluem Samuel T. Anders (Michael Trucco), que sobreviveu ao ataque nuclear em Cáprica e montou uma pequena resistência local com outros sobreviventes, e desenvolve um relacionamento amoroso com Starbuck; Tory Foster (Rekha Sharma), uma nova assistente para Roslin, mais incisiva e decidida que Billy; e três novos modelos de cilônios, a Número Três (Lucy Lawless), o Número Quatro (Rick Worthy) e o Número Um (Dean Stockwell).

A produção da terceira temporada foi mais esmerada - e, de certa forma, complexa - que a das duas primeiras, o que fez com que ela só estreasse sete meses após a segunda, em 6 de outubro de 2006, com mais 20 episódios - pelo menos eles foram exibidos de uma vez só, e não em duas partes. Antes da estreia, o Sci Fi Channel teve a ideia de pegar algumas cenas que foram gravadas mas não utilizadas na terceira temporada e lançar dez "webisódios", de por volta de dois minutos cada, dois por semana, em seu site. Esses webisódios mostravam o Coronel Tigh, o Chefe Tyrol e Jammer formando uma resistência para lutar contra os cilônios em Nova Cáprica, e consistiam de cenas que originalmente apareceriam como flashbacks, já que o primeiro episódio da terceira temporada é ambientado quatro meses após o último da segunda. Por melhor que tenha sido a ideia dos webisódios, ela gerou alguma confusão em relação aos direitos conexos dos autores e atores, que tinham contrato com a Universal, não com o Sci Fi Channel, o que resultou em um processo e na proibição de se lançarem novos webisódios enquanto não se chegasse a um acordo.

A terceira temporada começa focada na luta contra os cilônios em Nova Cáprica, e no resgate dos sobreviventes, que voltam a procurar pela Terra, após encontrarem novas pistas de sua localização. Alguns episódios seguintes são "soltos", com pouca ligação com o arco original, por pressão do Sci Fi Channel, que imaginou que desta forma atrairia novos fãs que não estivessem acompanhando a série desde o início. Esses episódios foram, porém, bastante criticados, e acusados de terem feito a audiência cair no final da temporada, o que levou a Universal a decidir não aceitar nenhuma forma de intervenção criativa para a quarta temporada. A terceira temporada de Galactica foi a primeira a ser exibida em HD nos Estados Unidos e Reino Unido, e seu único personagem novo de destaque é Romo Lampkin (Mark Sheppard), advogado de Baltar em um julgamento no qual ele é acusado de ter colaborado com os cilônios durante a ocupação de Nova Cáprica.

Após a terceira temporada, o Sci Fi Channel chegou a um acordo com a Universal em relação aos webisódios, e lançou mais dez deles, novamente de dois a três minutos cada, com um novo formato: primeiro, ao invés de feitos de cenas descartadas, eles foram produzidos especialmente para a ocasião; segundo, eles serviam de introdução para um filme feito para a TV baseado na série, chamado Razor, que já estava em produção; e terceiro, simultaneamente à sua estreia na internet, eles também eram exibidos no próprio Sci Fi Channel. E quarto, obviamente, todos os direitos foram pagos. Esses novos webisódios mostravam um William Adama ainda jovem (Nico Cortez), lutando no último dia da primeira guerra contra os cilônios, representados com a mesma aparência que tinham na série original.

um cilônioRazor estrearia dia 24 de novembro de 2007. Ao invés de acompanhar a Galactica, porém, ele era centrado na Pegasus, mostrando flashbacks do último dia da primeira guerra contra os cilônios, e do dia do ataque nuclear contra Cáprica, quando a Pegasus conseguiu escapar, ligando esses eventos com o presente através da Major Kendra Shaw (Stephanie Jacobsen). A iniciativa de fazer esse filme partiu da Universal, que desejava lançar um filme fechado mas relacionado com a série em DVD, para atrair novos fãs e ganhar alguns trocados com os antigos. Moore gostou da ideia por poder usá-la para explorar eventos que não eram abordados com muita frequência na série regular. Além de filme para a TV e de lançamento em DVD, Razor, por decisão de Moore e Eick, também foi dividido em dois para servir como os dois primeiros episódios da quarta temporada, que seria também a última da série - não devido a baixos índices de audiência ou cancelamento, mas porque os produtores acharam que ela faria mais sentido como uma série fechada, com um fim programado, do que se ficasse sendo produzida até o eventual cancelamento.

Assim como a segunda, a quarta temporada também foi dividida em duas metades de 10 episódios cada, desta vez não por decisão do Sci Fi Channel, mas por causa da greve dos roteiristas. A primeira metade estreou dia 4 de abril de 2008, enquanto a segunda começou a ir ao ar dia 16 de janeiro de 2009. Entre as duas metades foram lançados mais 10 webisódios de 3 a 6 minutos cada, mais uma vez exibidos simultaneamente no Sci Fi Channel e disponibilizados na internet. Tudo o que eu posso dizer sobre a quarta temporada é que, nela, finalmente a frota encontra a Terra. O último episódio, com duas horas de duração, foi exibido dia 20 de março de 2009.

Apesar da série já ter terminado, ainda falta ir ao ar um novo filme para a TV, chamado The Plan, que consiste de novo material permeado por cenas tiradas da minissérie e da primeira temporada, e conta como os cilônios armaram seu plano de ataque nuclear às Doze Colônias. The Plan está previsto para ir ao ar em novembro, encerrando de vez a série, cujos cenários já foram desmontados, materiais cenográficos vendidos em leilão, e atores liberados para procurar outros projetos.

O legado de Galactica, porém, ainda se faz presente: já foi lançado o piloto de uma nova série, chamada Caprica, que deve estrear no ano que vem. Ambientada em Cáprica, antes da primeira guerra contra os cilônios, a série mostrará como eles foram criados e como se rebelaram contra os humanos, dando origem a tudo isso que vimos aí em cima. Pelo jeito, todas as boas histórias sempre arrumam uma forma de serem contadas mais uma vez.

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