quarta-feira, 6 de maio de 2009

Daytona USA

Como os que leram o post da semana passada sabem, hoje é o dia do segundo post de uma série de cinco, onde eu planejo abordar assuntos de meu Perfil que, aparentemente, jamais seriam abordados de outra forma. Como eu já disse, escrevi os nomes dos assuntos que ainda não haviam sido abordados em papeizinhos, os coloquei dentro de um saco, e os sorteei, escrevendo seus posts na ordem em que eles saíram. O segundo papelzinho sorteado trazia o nome de um game: Daytona USA, o tema do post de hoje.

Daytona USADaytona USA é um dos jogos que mais me comeu dinheiro em toda a história da humanidade. Tanto que, nos áureos tempos, creio que conseguiria fazer a pista Beginner de olhos fechados. Depois, infelizmente, minhas idas aos fliperamas foram rareando, as máquinas foram desaparecendo, a do Iguatemi ficou toda sucateada, e aí eu larguei o vício. Como ter uma máquina de Daytona em casa é impraticável, cheguei a comprar uma versão do jogo para PC, que, por não ter os pedais, o volante e o banco que treme, não é bem a mesma coisa, mas ainda serve para matar a saudade pelo menos da musiquinha (Day-tonaaaaaaaaaaaaaaa).

Para quem não sabe, Daytona é o nome de uma das mais famosas corridas da Nascar e do automobilismo internacional - ou pelo menos parte do nome, que completo seria Daytona 500, ou 500 Milhas de Daytona - podendo ser comparada talvez apenas a outro megaevento do automobilismo, as 500 Milhas de Indianápolis. Realizada anualmente no terceiro domingo de fevereiro na cidade de Daytona Beach, Flórida, desde 1959, as 500 Milhas de Daytona são o evento automobilístico de maior audiência televisiva dos Estados Unidos, o que faz com que o nome Daytona seja automaticamente associado às corridas de stock. Talvez tenha sido só por isso que que o nome foi escolhido para o jogo, já que nenhuma de suas três pistas é a de Daytona.

Lançado no Japão em 1993 pela Sega, Daytona USA era uma espécie de "versão stock" de um jogo lançado um ano antes, Virtua Racing, onde o carro pilotado era de fórmula. Embora muitos dos fundamentos de Virtua Racing tenham sido aproveitados pelos desenvolvedores, este usava uma placa Sega Model-1, enquanto Daytona USA usava uma Model-2, a geração seguinte, que lhe permitia gráficos melhores e movimentos mais fluidos. De fato, durante muito tempo, Daytona USA foi o simulador de corrida de gráficos mais detalhados de todo o mercado.

Mas não foi sua beleza que fez do jogo um sucesso, e sim a possibilidade de vários jogadores correrem uns contra os outros ao mesmo tempo, algo que já havia sido feito pela Sega em uma versão especial de Virtua Racing chamado Virtua Formula, mas que se popularizou com Daytona USA, e fez com que todos os jogos seguintes de corrida da Sega adotassem o mesmo esquema. Cada gabinete de Daytona USA trazia dois "carros", sendo que até quatro gabinetes podiam ser ligados uns nos outros para uma corrida entre oito jogadores, embora o mais comum aqui no Brasil fosse utilizar dois gabinetes e quatro jogadores. Ao inserir a ficha e iniciar o jogo, cada jogador tem um tempo, normalmente dez segundos, para que outros jogadores se unam a ele na mesma corrida. Os que não se unirem ainda podem correr sozinhos contra os carros controlados pelo computador, mas correr contra os amigos é bem mais divertido.

Além deste gabinete "duplo", Daytona USA também podia ser encontrado em uma versão deluxe, com um gabinete individual e mais bonito, imitando um carro, e que trazia uma câmera que filmava as reações do jogador durante a corrida e as mostrava em uma tela em seu topo. Gabinetes deluxe também permitiam até oito jogadores - sendo necessário, para isso, linkar oito gabinetes - e, fora a aparência e a câmera, pouco tinham de diferente em relação ao gabinete tradicional.

O gabinete de Daytona USA trazia uma tela de 26 polegadas e um banco para o jogador se sentar, com ajuste de proximidade, que balançava conforme o carro também balançava na tela, para uma sensação de maior realismo. No painel, além de um volante, dois pedais (um acelerador e um freio) e um câmbio de quatro marchas, quatro botões mudavam o tipo de visão do jogo - primeira pessoa (também conhecido como "visão do carro"), visão do piloto, terceira pessoa ("visto de trás") e uma visão em terceira pessoa em ângulo meio inclinado (a "visão do helicóptero") - de acordo com a preferência do jogador.

o gabinete duploO carro utilizado era sempre um Chevrolet Lumina apelidado "Hornet" ("zangão"), por trazer a figura de um zangão no capô. No modo de um jogador, o Hornet é sempre número 41, e sua cor depende do tipo de câmbio escolhido: vermelho e azul para câmbio automático; amarelo e preto para câmbio manual. Caso mais de um jogador esteja participando da mesma corrida, os carros serão numerados de acordo com o jogador (o jogador 1 será o carro 1 e assim por diante) e cada um terá uma cor própria (se não me engano, o jogador 1 é vermelho, o 2 azul, o 3 verde e o 4 amarelo, a partir daí eu nunca vi). Todos os carros "inimigos", ou seja, controlados pelo computador, são da cor roxa - e, graças a isso, acabaram apelidados pelos meus amigos de "carros do Coringa".

Além da transmissão manual ou automática, o jogador pode escolher também entre três pistas - desnecessário dizer, no modo de mais de um jogador todos têm de escolher a mesma pista para jogarem juntos. A mais fácil, conhecida como Beginner ("iniciante"), tem o nome oficial de Three Seven Speedway e é um tri-oval (três curvas para a esquerda) semelhante ao verdadeiro circuito de Daytona. A largada é dada em movimento, para vencer a corrida é necessário completar oito voltas, e no modo de um jogador 40 carros participam da corrida (incluindo o do jogador). Em seguida temos a pista Advanced ("avançado"), o Dinosaur Canyon, um circuito de rua de 4 voltas, com 20 carros participando e largada parada. O mais difícil é o Expert ("especialista"), chamado Seaside Street Galaxy, tão difícil que exige apenas 2 voltas, tem largada parada e 30 carros competindo. É importante dizer que nem sempre o jogador conseguirá completar as voltas necessárias para ganhar a corrida: desde o início do jogo, há uma contagem de tempo decrescente, que decreta o Game Over caso chegue a zero. Cada vez que o jogador passa por pontos pré-determinados do circuito (no Beginner, apenas a linha de chegada), ele ganha um pequeno acréscimo neste tempo. Para completar a corrida, portanto, é preciso chegar no ponto seguinte o mais rápido possível, ou o tempo, mesmo acrescido, não será suficiente. Por causa disso, apesar de todas as pistas terem pit lanes (os famosos "boxes"), onde o carro poderia ser consertado após um acidente ou coisa parecida, entrar em um deles era pedir para perder o jogo.

Daytona USA chegou nos Estados Unidos e no resto do mundo um ano após seu lançamento, em 1994, em uma versão que corrigia alguns bugs, e mais tarde foi lançada também no Japão com o codinome Revision. O grande sucesso dos arcades também fez com que o jogo ganhasse um grande número de versões caseiras, sendo as primeiras, para Sega Saturn e Windows, lançadas em 1995 e 1996, respectivamente. Estas versões não foram bem recebidas por terem gráficos dos cenários inferiores à versão arcade, e um número de frames por segundo três vezes menor, o que fazia com que o movimento fosse menos fluido. Além disso, em nenhuma das duas havia a opção de se jogar com mais de um jogador. Para tentar compensar, a versão Saturn trazia oito carros secretos, sendo dois idênticos aos normais, mas de cor diferente (vermelho se fosse escolhido o câmbio automático, azul se fosse o manual); dois que não quebravam, apenas perdiam velocidade, quando acertavam muros (de cor preta no automático e laranja no manual); dois que não perdiam velocidade ao andar sobre grama (verde no automático e rosa no manual); e dois que alcançavam maior velocidade, mas eram mais difíceis de controlar (azul claro no automático, amarelo no manual). Além desses carros todos, cumprindo certas condições o jogador podia jogar com dois cavalos (!), sendo um manual e um automático (!!). A versão PC não tinha essas novidades todas, mas em ambas as versões era possível inverter as pistas, correndo no sentido contrário (o que fazia com que o Beginner tivesse três curvas para a direita ao invés de para a esquerda), além de escolher os modos Grand Prix, onde o número de voltas era maior (20 voltas no Beginner, 10 no Advanced e 5 no Expert) ou o modo Endurance, um verdadeiro teste de resistência (80 voltas no Beginner, 40 no Advanced, 20 no Expert).

No final de 1996, para tentar se redimir da versão porca que lançou para o Saturn, a Sega lançou Daytona USA: Championship Circuit Edition, uma nova versão mais fiel à do arcade, e que ainda trazia novidades: além de um modo para dois jogadores, agora era possível escolher entre oito carros diferentes desde o início, cada um com valores de aceleração, aderência e velocidade final diferentes, sendo alguns mais indicados para jogadores iniciantes e outros para experientes. O Hornet do jogo original estava disponível como um carro secreto, assim como os dois cavalos. Mas a principal novidade de Daytona USA CCE são duas pistas inéditas: National Park Speedway, um pouco mais difícil que a Beginner, com 6 voltas, e Desert City, um pouco mais difícil que a Advanced, com 4 voltas. Ambas têm 20 carros correndo e largada parada. Curiosamente, Daytona USA CCE foi lançado nos Estados Unidos primeiro; no Japão, o jogo teve seu nome reduzido para Daytona USA: Circuit Edition, e ganhou mais uma novidade, a opção de jogar de dia, no final da tarde ou à noite.

Daytona USA CCE foi lançado em 1997 para Windows, com o nome de Daytona USA Deluxe. Esta versão tinha mais uma pista extra, Silver Ocean Causeway, a mais difícil do jogo, com 2 voltas, 20 carros e largada parada. A última versão caseira de Daytona USA seria lançada em 2001 para o Dreamcast, com gráficos de última geração, a possibilidade de se jogar online, dez carros diferentes à disposição, duas opções de pneus, e três pistas novas, Circuit Pixie (oval curto, 8 voltas, largada em movimento), Rin Rin Rink (6 voltas) e Mermaid Lake (também 6 voltas), todos indicados para iniciantes. Infelizmente, a Silver Ocean Causeway ficou de fora. Além disso, essa versão costuma ser muito criticada pelos controles, que se tornam difíceis se o controle original do Dreamcast estiver sendo utilizado ao invés de um volante.

Além de todas estas versões caseiras, Daytona USA ganhou uma continuação, Daytona USA 2: Battle on the Edge, lançada em 1998. Usando a terceira geração da placa Model, a Sega Model-3, Daytona USA 2 tinha gráficos ainda melhores e movimentos mais fluidos que seu antecessor, mas não conseguiu o mesmo sucesso. Muitos atribuem este fato ao custo elevado da máquina, que inicialmente existia apenas na versão deluxe, e permitia apenas quatro gabinetes interconectados, e não oito. Eventualmente, a Sega passou a produzir também o gabinete mais simples, para dois jogadores, mas ainda assim apenas dois podiam ser interconectados para um total de quatro jogadores.

Daytona USA 2Daytona USA 2 mais uma vez trazia três pistas disponíveis, uma para cada nível de experiência do jogador: o Astro Waterfall Speedway, um tri-oval de 8 voltas, 40 carros e largada lançada; o Joypolis 2020 Amusement Park, um circuito de rua de 4 voltas, 20 carros e largada parada; e a Virtua City, um circuito de rua de 2 voltas, 30 carros e largada parada. Se algum deles fosse selecionado com o botão start pressionado, o jogador poderia correr no sentido contrário, e ajustes internos na máquina acionavam os modos Double Lap (o dobro de voltas em cada corrida), Grand Prix e Endurance, normalmente usados em torneios. Diferentemente do primeiro jogo, neste era possível escolher entre três carros diferentes, um Chevrolet Monte Carlo, um Pontiac Grand Prix e um Ford Thunderbird, cada um com características diferentes. Daytona USA 2 também tinha três pontos de vista secretos, um como se fosse a câmera do lado esquerdo do carro, um como se fosse a do lado direito, e um visto de cima. Tirando essas novidades, a jogabilidade era idêntica à do primeiro jogo, para atrair tanto novos quanto antigos fãs.

Em 1999, a Sega lançou uma versão melhorada do jogo, que corrigiu alguns bugs e trouxe algumas novidades, chamada Daytona USA 2: Power Edition. Nela, a pista mais fácil foi renomeada para Sega International Speedway, e o cenário foi modificado para que os jogadores corressem em um autódromo, ao invés de no meio de uma floresta; o circuito, porém, era idêntico. Também foi incluída uma quarta pista, chamada Challenge; com apenas uma volta, 30 carros e largada parada, esta pista era, na verdade, uma colagem das outras três: a largada era dada na Joypolis 2020 Amusement Park, mas, antes de se completar a volta, um bloqueio na pista fazia com que os jogadores pegassem um túnel e saíssem em Virtua City, próximo à estação de trem, onde deviam correr até o desvio na interestadual, quando, ao invés de virar à direita, pegavam a esquerda e entravam no Sega International Speedway, onde davam uma volta completa na pista antes de cruzar a linha de chegada. Finalmente, Daytona USA 2 PE tinha quatro carros à disposição, sendo o quarto o Hornet original do primeiro jogo.

Por não ter feito muito sucesso nos arcades, Daytona USA 2 não ganhou versões caseiras. Até hoje, também não ganhou continuações. Como arcades costumam ter vida longa, porém, máquinas de Daytona USA e Daytona USA 2 ainda podem ser encontradas em vários fliperamas ao redor do mundo, o que garante a sobrevivência do jogo. E a alegria dos fãs.

E aqui encerramos o segundo post da série. Semana que vem, o terceiro papelzinho sorteado! Até lá!

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