terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Tênis

Como eu já disse aqui algumas vezes, eu escrevo os posts do átomo com uma certa antecedência. Enquanto estou escrevendo esse, por exemplo, está rolando o Australian Open de tênis. Mais precisamente, uma partida entre Roger Federer e Marat Safin.

Por algum motivo, eu adoro assistir tênis. Tanto que, se eu tivesse de fazer uma lista, ele estaria entre os cinco esportes que eu mais gosto de assistir. Curiosamente, porém, poucas vezes eu assisto a uma partida do início até o final, já que isso demandaria um certo tempo livre que eu pareço não ter mais. Mesmo assim, quando estou zapeando, se tiver algum jogo de tênis passando, é bem provável que eu pare por lá.

Assim, indo direto ao assunto, hoje é dia de tênis no átomo!

O jogo de tênis que conhecemos hoje é uma evolução de vários outros jogos que envolviam rebater uma bola para o adversário. No início, os jogadores rebatiam a bola com as mãos nuas, mais tarde com luvas especiais, e depois com raquetes de vários formatos e feitios. Muitos destes jogos, como o kaatsen, a pelota basca e o handebol americano, sobrevivem até hoje, outros caíram no esquecimento ao longo da história. Um deles evoluiu até dar origem a outro jogo, chamado tênis real, que se tornou muito popular entre a nobreza medieval - ao contrário do que muitos imaginam, porém, o nome "real" não vem deste fato, mas foi cunhado por jornalistas norte-americanos na metade do século XX para diferenciá-lo do "outro" tênis, que se tornou mais popular. Isso porque o tênis real também existe até hoje, sendo conhecido nos países de língua francesa como jeu de paume.

Mas voltando ao fio da meada, em dezembro de 1873 o major inglês Walter Clopton Wingfield decidiu inventar um novo esporte para entreter os convidados de uma festa que realizou em sua casa em Llanelidan, País de Gales. Wingfield baseou as regras deste novo esporte nas do tênis real, pegando, inclusive, alguns nomes de alguns termos do jogo emprestados. Como o tênis real era jogado em um salão fechado, e o novo esporte de Wingfield seria disputado em um gramado aberto, um dos convidados sugeriu que ele o batizasse de "lawn tennis", ou "tênis de gramado". Até hoje, aliás, nos países de língua inglesa, é comum se referir ao esporte como lawn tennis, para não confundi-lo com o tênis real.

O nome "tênis", caso alguém esteja imaginando, não vem dos sapatos usados para jogá-lo - na verdade é o contrário, os tênis de calçar originalmente eram tennis shoes, "sapatos de tênis". "Tênis" é uma corruptela do francês tenez, o imperativo do verbo tenir, que significa ter. No tênis real, todo jogador que vai sacar diz "tenez", para alertar ao recebedor que irá lançar a bola. O nome "raquete" também é uma corruptela, do árabe rakhat, que, curiosamente, significa "palma da mão".

Voltando ao que interessa novamente, em 1874 Wingfield escreveu as regras do tênis, e tentou patenteá-las. Só não conseguiu porque dois outros jogadores, o também major inglês Harry Gem e seu amigo comerciante espanhol Augurio Perera haviam inventado um esporte parecido, jogado com raquetes em um campo de croquê, alguns anos antes. De fato, no mesmo ano de 1874, Gem e Perera fundariam o primeiro clube de tênis do mundo, em Leamington, Warwickshire, Inglaterra. De qualquer forma, o esporte de Wingfield foi o que sobreviveu, sofrendo algumas modificações nas regras até se tornar o esporte jogado hoje.

O primeiro torneio de tênis da história foi disputado em Wimbledon, Inglaterra, em 1877. A falta de uma codificação, porém, fazia com que cada torneio tivesse regras um pouco diferentes, o que acabava confundindo alguns jogadores. O primeiro órgão a tentar codificar as regras, adotando as mesmas em todos os torneios, foi a Associação de Tênis dos Estados Unidos, que decidiu organizar todas as suas competições com as mesmas regras do US Open, realizado pela primeira vez em 1881. A Federação Internacional de Tênis (ITF, na sigla em inglês), só seria fundada em 1924, quando seriam finalmente codificadas as regras do tênis para o mundo inteiro. Mas, nesse tempo todo, as regras pouco mudaram das adotadas em 1881, sendo a única mudança de maior destaque a adoção do tie break na década de 1970. Hoje, a ITF conta com 205 países membros, dentre eles o Brasil.

O tênis é jogado em uma quadra (conhecida em inglês como court), de 10,97 metros de largura por 23,78 metros de comprimento, dividida no meio por uma rede de 92 cm de altura, presa a dois postes, um em cada ponta, de 1,07 metro de altura cada. A 1,37 metro de cada lateral da quadra é traçada uma linha, que delimita uma seção especial da quadra: para o jogo de simples, qualquer bola que caia além desta linha é considerada "fora" (o que faz com que a quadra só tenha, efetivamente, 8,23 metros de largura), mas, no jogo de duplas, esta seção também é considerada "dentro". A 5,49 metros de cada fundo da quadra é traçada uma outra linha, que delimita a "área de saque", dividida exatamente no meio. As linhas de fundo também possuem uma marcação exatamente em sua metade, chamada center mark. Em volta da quadra deve haver um espaço para os tenistas se movimentarem e as bolas jogadas para fora quicarem, mas as regras não especificam as medidas deste espaço, ficando a cargo de cada clube ou estádio.

Uma curiosidade sobre as quadras de tênis é que elas podem ser feitas de quatro materiais diferentes, e o material do qual a quadra é feito (normalmente chamado de "superfície"), influencia no jogo, já que a bola pode quicar mais lento ou mais rápido. As primeiras quadras de tênis eram feitas de grama, a superfície mais rápida, onde a bola ganha mais velocidade a cada quique; atualmente, porém, poucos torneios são disputados na grama, sendo o mais famoso o torneio de Wimbledon, na Inglaterra.

Depois da grama, o material mais rápido é o chamado sintético ou carpete. Normalmente usado em quadras cobertas, consiste de um material emborrachado, como o taraflex, mesmo material das quadras de vôlei, pintado nas cores azul ou roxa. O Australian Open e a Copa Masters são jogados em quadras sintéticas. Em seguida temos o concreto, segundo piso mais lento, que antigamente era mesmo feito de concreto ou asfalto, mas hoje em dia recebe uma cobertura de acrílico para evitar lesões. Depois da adição do acrílico, inclusive, passou a haver muito pouca diferença entre o sintético e o concreto, tanto que ambos são hoje conhecidos como "quadra dura". O mais famoso torneio disputado em concreto é o US Open.

Finalmente, temos o saibro, o material mais lento. Composta de várias camadas de argila, e coberta com pó de saibro, que costuma deixar tenistas mais atirados bastante sujos, a quadra de saibro tem uma cor alaranjada e um método muito curioso de ser seca caso chova antes de uma partida: com a ajuda de combustível, a organização coloca fogo no saibro. O mais famoso torneio em saibro é o Aberto da França, também conhecido como Roland Garros, o nome do estádio em Paris onde é realizado. Como curiosidade, vale citar que, nos primórdios, existiam quadras de madeira, ainda mais rápidas que as de grama, mas hoje estas não são mais usadas em torneios oficiais, embora ainda possam ser encontradas em alguns clubes.

Embora o tênis tenha um uniforme bastante característico - principalmente devido às curtas saias das mulheres - o único equipamento absolutamente indispensável para um tenista é a raquete, com a qual ele rebaterá as bolas. Originalmente feitas de madeira, as raquetes hoje são feitas de compostos que envolvem fibra de carbono, cerâmica, fibra de vidro, alumínio, e até titânio, com uma proteção de borracha envolvendo a empunhadura. Uma raquete profissional tem por volta de 68,5 cm de comprimento e pesa entre 225 e 355 gramas. O tamanho da "cabeça" da raquete também varia, entre 580 e 880 cm2, sendo que uma cabeça maior permite golpes mais fortes, enquanto uma menor permite maior controle da bola. A cabeça tem formato oval, é presa ao cabo por uma estrutura em formato de "V", e é vazada, com um entrelaçado quadriculado de "cordas" em seu centro. Estas cordas podem ser feitas de intestinos de carneiro ou porco, de nylon ou de poliéster, sendo que o material, a tensão aplicada nas cordas ao prendê-las, e o espaçamento entre os quadradinhos também influenciam no controle da bola - por isso é comum ver tenistas mexendo nas cordas entre uma jogada e outra, abrindo ou fechando os quadradinhos. Também é comum que um mesmo tenista leve várias raquetes diferentes para cada partida, cada uma com uma "regulagem", e as troque entre os pontos.

A bola de tênis é feita de borracha misturada a diversos compostos químicos, cheia de ar, e coberta com feltro amarelo. Para estar de acordo com as regras da ITF, uma bola tem de ter não somente o diâmetro e o peso certos - entre 65,41 e 68,58 mm, e entre 56 e 59,4 gramas - mas também quicar da forma correta, entre 1,35 e 1,47 metro quando largada de uma altura de 2,5 metros sobre uma superfície de concreto a uma temperatura de 20oC a nível do mar. Curiosamente, os compostos que formam a bola atualmente começam a se deteriorar - o que faz com que a bola quique menos - tão logo ela sai da fábrica. Por causa disso, as bolas são mantidas sob a pressão de duas atmosferas dentro de uma lata hermeticamente fechada, para que não se deteriorem antes que a lata seja aberta. Como bolas novas quicam melhor e mais rápido que as mais usadas, tenistas costumam avisar aos árbitros, adversários e platéia quando estão usando bolas novas. A precisão do quique da bola é tanta que cada bola normalmente só sobrevive a algumas jogadas, tendo de ser descartada depois por já não estar dentro do padrão da ITF.

As regras do tênis são bastante simples. No início de cada jogo, um dos jogadores é escolhido para sacar, sendo que o outro irá receber. O jogador que vai sacar se posiciona atrás da linha de fundo, entre a center mark e a linha de lado; o jogador que vai receber pode se posicionar onde quiser. O jogador que está sacando pode sacar por cima, jogando a bola mais alto que sua cabeça e, com a raquete levantada, rebatê-la para o outro lado; ou por baixo, soltando a bola e, com um movimento onde a raquete passa por baixo de sua linha da cintura, "levantar" a bola para o outro lado. Como o saque por cima é mais forte e menos previsível, quase todos os jogadores em todos os jogos sacam por cima.

Para que um saque seja válido, a bola deve quicar dentro da metade da área de saque na diagonal do sacador, ou seja, se o jogador sacou da sua metade direita da quadra, a bola deve cair na metade direita da área de saque do adversário - que é a metade esquerda em relação ao sacador. Uma bola que bata na rede e caia dentro da metade correta da área de saque é conhecida como let, não vale, e permite que o sacador repita o saque. Uma bola que bata na rede e volte para o lado do sacador, ou que quique fora da metade correta da área de saque constitui uma falta. Duas faltas seguintes dão o ponto automaticamente para o adversário. Também será considerado falta se o sacador pisar na linha de fundo ou dentro da quadra antes que a raquete bata na bola sacada. Um ponto direto de saque, ou seja, quando a bola quica duas vezes após um saque sem que o adversário toque com a raquete nela, é chamado de ace. Originalmente, aces eram muito difíceis, mas atualmente, graças ao treinamento, eles vêm se tornando cada vez mais comuns, principalmente no tênis masculino.

Uma vez que o saque tenha sido válido, o oponente poderá permitir que a bola quique uma vez, e então deverá rebatê-la para o sacador, que então poderá deixar a bola quicar uma vez e rebaterá para ele, até que um dos dois cometa um erro. Os erros consistem em deixar a bola quicar duas ou mais vezes antes de rebatê-la, não conseguir fazer a bola quicar do outro lado da rede após rebatê-la, ou rebater a bola para fora, fazendo-a quicar pela primeira vez em qualquer lugar que não seja considerado dentro da quadra - as linhas fazem parte da quadra, e, se qualquer milímetro da bola tocar uma linha que delimita uma área considerada dentro, a bola também será considerada dentro. Se a bola tocar na rede mas mesmo assim passar para o outro lado, a jogada continua valendo normalmente. Toda vez que um jogador comete um erro, o adversário ganha um ponto.

Cada jogo de tênis é disputado em melhor de três sets, sendo declarado vencedor o jogador que vencer dois deles primeiro. Diferentemente de outros esportes, como o vôlei, o último set não tem qualquer regra especial, e é disputado exatamente como os outros dois. Cada set, por sua vez, é dividido em games; ganha o set o jogador que primeiro ganhar seis games, a menos que o jogo esteja empatado em 5-5, quando, para ganhar o set, um jogador terá de ganhar 7 games. Isso dá a oportunidade de o jogo empatar 6-6, quando então é disputado um tie break. Ganha o tie break, e o set, o jogador que primeiro fizer sete pontos, ou dois a mais que o adversário, caso o tie break também empate em 6-6. Para efeitos de placar, o vencedor do tie break ganha o set por 7-6. Na gíria do tênis, um jogador que perde um set por 6-0 "levou um pneu", e o que perde o jogo por 6-0 e 6-0 "levou uma bicicleta" (que tem dois pneus).

Os pontos no tie break são contados "normalmente" (1, 2, 3, 4...), mas nos demais games a contagem é bastante curiosa: para vencer um game, um jogador tem de somar quatro pontos, contados 15, 30, 40 e game. Diz a lenda que esta contagem começou quando, nos primórdios do esporte, o placar era somado com a ajuda de um relógio, onde cada ponteiro era adiantado um quarto de hora a cada ponto; com o passar do tempo, o 45 foi simplificado para 40, dando origem à contagem usada hoje. E ainda tem mais: se ambos os jogadores estiverem com 40 pontos (40-40), ocorre uma situação conhecida em português como iguais, e em inglês como deuce, uma corruptela do francês à deux le jeu, "game para os dois". Um jogador que faça mais um ponto no deuce ganha a vantagem, e, se o jogador em vantagem fizer mais um ponto, ganha o game. Se o jogador que não tinha a vantagem fizer um ponto, porém, volta o deuce, e o game prossegue até que um dos jogadores consiga fazer dois pontos seguidos. E, se você achou o termo deuce curioso, espere até saber que, nos países de língua inglesa, o zero se chama love - um jogador que está ganhando por 15-0, por exemplo, está ganhando por "fifteen-love". Esse "love" também é uma corruptela de um termo francês, l'oeuf, que significa "ovo", o formato do número zero.

O saque permanece com o mesmo jogador durante todo o game; o oponente só se tornará o sacador no game seguinte. Por causa disso, se o jogador que não está sacando vencer o game, diz-se que ele "quebrou o saque" do adversário. Neste mesmo sentido, um jogador que está a um ponto de quebrar o saque tem um break point. No tie break os saques se alternam de forma um pouco diferente, com o jogador que começa sacando apenas uma vez e cedendo o saque, e depois cada jogador sacando duas vezes antes de ceder o saque. Um jogador que tem a oportunidade de ganhar o tie break enquanto o adversário está sacando tem um "mini-break".

Além de trocar o saque a cada game, após cada game ímpar os jogadores trocam de lado na quadra. Com exceção do primeiro game do jogo, cada jogador deve jogar dois games seguidos do mesmo lado da quadra, e jamais pode jogar três games seguidos do mesmo lado. Para esta contagem dos "games ímpares" se somam todos os games do jogo, e não de cada set, ou seja, se o primeiro set terminar 6-4 (10 games), o primeiro game do segundo set começará com os jogadores nos mesmos lados que jogaram o último game do primeiro set. Durante o tie break, os jogadores trocam de lado a cada seis pontos, contando os pontos de ambos os jogadores, e sempre depois de um tie break os jogadores mudam de lado para o set seguinte.

Em relação aos árbitros, só é estritamente obrigatório um, que fica sentado em uma cadeira alta ao lado da rede (o "juiz de cadeira"), observando o jogo e apontando as eventuais faltas e erros. A maioria dos torneios tem também um "juiz de linha", responsável por atestar a validade dos saques e das bolas (com seu famoso grito "fault!" quando a bola quica fora). O juiz de cadeira tem autoridade para "desmentir" o juiz de linha quando quiser, e também tem a obrigação de dizer o placar em voz alta, com os pontos do sacador sempre sendo ditos primeiro. Torneios especialmente importantes também contam com um recurso eletrônico que ajuda a definir se bolas duvidosas foram fora ou dentro. Em jogos com este recurso, cada jogador tem direito a dois "desafios" por set, perdendo um deles caso o recurso prove que o juiz estava certo, e voltando o saque ou ganhando o ponto, dependendo da jogada, caso prove que o juiz estava errado.

Os torneios de tênis podem ser disputados na categoria simples, com um tenista de cada lado da quadra, ou duplas, com dois tenistas de cada lado da quadra, sendo que existem torneios de simples e duplas masculinas e femininas, e de duplas mistas, onde cada dupla é composta por um homem e uma mulher. As regras do jogo de duplas são as mesmas do de simples, com algumas pequenas exceções, como a já citada seção da quadra que para as duplas conta como "dentro", e um tie break especial jogado ao invés do terceiro set caso o jogo esteja empatado em 1 set para cada dupla. A regra mais curiosa, porém, é a que permite que a bola seja devolvida por fora da rede, desde que passe a uma altura superior à da rede, e quique dentro da quadra na devolução. Exceto nas Olimpíadas, não é necessário que os dois tenistas de uma dupla sejam de um mesmo país, sendo inclusive comum duplas com parceiros de nacionalidades diferentes.

Embora a entidade máxima do tênis seja a ITF, os torneios de tênis são organizados por duas outras entidades, a Associação dos Tenistas Profissionais (ATP) e a Associação das Tenistas Femininas (WTA). A ATP organiza os torneios destinados às simples e duplas masculinas, e os divide em quatro categorias, dependendo de sua importância. Os mais importantes são os conhecidos como Master Series (que, na verdade, se chamam ATP World Tour Masters 1000, pois conferem 1.000 pontos ao campeão do torneio), uma série de nove torneios, cada um disputado uma vez por ano, pelos tenistas mais bem colocados no ranking da ATP. A participação nos Master Series é obrigatória pelos tenistas mais bem colocados, que podem ser suspensos de outras competições se desistirem de jogar algum deles sem um bom motivo - como uma lesão, por exemplo. Os atuais Master Series são o de Indian Wells (EUA), Miami, Monte Carlo, Roma, Madrid, Canadá (disputado em Montreal e Toronto), Cincinnati, Xangai e Paris.

Abaixo dos Master Series temos os ATP World Tour 500 series, conhecidos até o ano passado como International Series Gold. Estes são 11 torneios que conferem 500 pontos cada ao campeão, abertos a tenistas de ranqueamento inferior aos dos Master Series, e sem obrigatoriedade de participação para os melhor ranqueados. Em seguida temos os ATP World Tour 250 series, antigos ATP International Series, 40 torneios que conferem 250 pontos cada ao campeão, dentre eles o Brasil Open, disputado anualmente na Costa do Sauípe, Bahia. Abaixo deles temos 160 torneios conhecidos como ATP Challenger Tour, que conferem entre 50 e 100 pontos ao campeão. Finalmente, temos os Futures Tournaments, que dão chances a tenistas não-ranqueados de ganhar pontos para o ranking da ATP, e centenas de outros torneios organizados a cada ano sem o envolvimento da entidade. No final do ano também é disputada a Copa Masters, cujo nome oficial é ATP World Tour Finals, pelos 8 tenistas mais bem ranqueados do ano, cada ano em uma cidade diferente.

A principal categoria dos torneios realizados pela WTA é a chamada Premier, que se subdivide em Premier Mandatory, quatro torneios (Indian Wells, Miami, Madrid e Pequim) de participação obrigatória para as tenistas mais bem ranqueadas; Premier 5, cinco torneios (Dubai, Roma, Cincinnati, Toronto e Tóquio) de igual importância, mas sem obrigatoriedade de participação; e os simplesmente Premier, 10 torneios que distribuem menos pontos que os anteriores, e também não são obrigatórios para as mais bem ranqueadas. Abaixo dos Premier temos os International Tournaments, 30 torneios mais ou menos equivalentes aos ATP 250, os Future Tournaments femininos, e alguns outros torneios disputados sem o envolvimento da WTA. Assim como os homens, uma vez por ano as oito tenistas mais bem ranqueadas da WTA disputam o WTA Tour Championships, atualmente disputado todos os anos em Doha, no Qatar.

Existem quatro torneios, porém, que não são organizados nem pela ATP nem pela WTA, mas pelas associações e federações locais sob supervisão da ITF. Estes torneios são conhecidos como Grand Slam, um termo do jogo de Bridge, utilizado por um colunista do The New York Times em 1933, quando o australiano Jack Crawford ganhou os três primeiros, e, segundo o colunista, se ganhasse o quarto, "fecharia um Grand Slam". O nome acabou pegando, e hoje designa não somente os torneios individualmente, mas também a proeza de ganhar os quatro ("fechar o Grand Slam"), no mesmo ano ou ao longo da carreira. Mais que isso, outros esportes, como o golfe, também acabaram pegando o termo emprestado para batizar seus torneios mais importantes.

Os quatro torneios do Grand Slam são os mais antigos e tradicionais do tênis: o Aberto da Austrália, ou Australian Open, disputado desde 1905; o Aberto da França, ou Roland Garros, desde 1891; o torneio de Wimbledon, Inglaterra, desde 1877; e o Aberto dos Estados Unidos, ou US Open, desde 1881. O nome "aberto" vem do fato de que qualquer tenista, não importa seu ranking, pode participar - embora os de ranking mais baixo tenham de passar por uma fase preliminar chamada qualifying. Os Grand Slam são atualmente os únicos torneios oficiais com competições de duplas mistas, os que começam com o maior número de participantes (128 entradas em cada categoria), os que oferecem os maiores prêmios, e também o maior prestígio: um tenista pode ganhar centenas de torneios, mas apenas após ganhar um Grand Slam é que ele escreve seu nome na história do esporte. Fechar o Grand Slam em um mesmo ano também é uma proeza considerável, que apenas cinco tenistas já conseguiram até hoje: os norte-americanos Don Budge em 1938 e Maureen Connolly em 1953, a australiana Margaret Court em 1970, a alemã Steffi Graf em 1988, e o australiano Rod Laver, que o fez duas vezes, em 1962 e 1969. O Brasil já teve dois campeões de torneios de Grand Slam nas simples: Maria Ester Bueno, que ganhou Wimbledon em 1959, 1960 e 1964 e o US Open em 1959, 1963, 1964 e 1966; e Gustavo Kuerten, que ganhou Roland Garros em 1997, 2000 e 2001.

Outro torneio bastante famoso de tênis, organizado pela própria ITF, é a Copa Davis. Competição entre nações, e não entre indivíduos, a Copa Davis é exclusivamente masculina, realizada desde 1900, e tem como maiores campeões os Estados Unidos, com 32 títulos, e a Austrália, com 28. O Brasil jamais chegou nem às semifinais. Cada embate na Copa Davis é composto de cinco jogos, quatro de simples e um de duplas, avançando o país que vencer três destes cinco jogos. Apenas os 16 melhores países, reunidos no chamado Grupo Mundial, têm direito a disputar o título; os demais são reunidos em grupos regionais, de acordo com seu continente. Os campeões dos grupos regionais disputam uma repescagem contra os perdedores da primeira rodada do Grupo Mundial, e, se vencerem, passam eles também ao Grupo Mundial do ano seguinte, com os perdedores voltando aos grupos regionais. Embora a Copa Davis seja exclusivamente masculina, existe uma versão feminina, com as mesmas regras, chamada Fed Cup, disputada desde 1963, e que também tem como maiores campeões os Estados Unidos (17 títulos) e a Austrália (7).

O tênis também é esporte olímpico, tendo feito parte do programa de 1896 a 1924, depois sendo disputado como esporte de demonstração em 1968 e 1984, e voltando para o programa em 1988. Atualmente as Olimpíadas têm competições de simples e duplas masculinas e femininas disputadas em piso sintético, embora no passado já tenha havido duplas mistas e jogos na grama. Os tenistas são convidados a participar pela ATP e WTA de acordo com seu ranking, mas sua participação não é obrigatória, podendo ser recusada; como muitos recusavam, a partir de 2004 o torneio olímpico passou a também valer pontos para os rankings, o que serviu de incentivo para melhorar a participação. A posição dos tenistas quanto ao ouro olímpico é dividida: alguns consideram a medalha de ouro tão importante quanto um Grand Slam, outros acham que as Olimpíadas são um torneio como outro qualquer, e que os Grand Slam são mais importantes. Em 1988, foi cunhado o termo "Golden Slam", para designar um tenista que vencesse os quatro Grand Slam e o ouro olímpico, quando Steffi Graf conseguiu esta proeza. Além dela, porém, somente seu atual marido, o norte-americano André Agassi, já conseguiu algo semelhante - com a diferença de que Graf venceu os cinco torneios no mesmo ano, e Agassi precisou de oito anos para fechar o seu, ganhando Wimbledon em 1992, o US Open em 1994, o Australian Open em 1995, o ouro olímpico em 1996, e Roland Garros apenas em 1999.

As finais dos Grand Slam, da Copa Davis, da Fed Cup das Olimpíadas possuem uma regra especial em relação ao tie break: se o último set de algum destes jogos estiver empatado em 6-6, não será jogado um tie break, mas a partida continuará até que um dos jogadores abra dois games de diferença em relação ao adversário, regra esta instituída pela importância das competições, para que o campeão seja realmente o melhor jogador. Além disso, todos os jogos masculinos de Grand Slam e a final masculina das Olimpíadas são disputadas em melhor de cinco sets, sendo campeão o jogador que primeiro vencer três deles.

Atualmente, o tênis vive um dilema entre a tradição e a modernidade. Há quem diga que o esporte deveria se adequar à televisão, com partidas mais curtas, mais quadras cobertas para que o jogo não precisasse ser interrompido ou cancelado em caso de chuva, e até regras que visassem limitar o número de aces, para que ganhasse o jogador mais hábil, e não o mais forte. Sendo um esporte tão antigo e tradicional, o tênis tem seu charme também nestes detalhes. Se mudarem muito, vão acabar é estragando.

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