domingo, 30 de abril de 2006

Alf

Na minha modesta opinião, ter sido criança nos anos 80 foi muito bom. Tudo bem que não tínhamos trocentos canais a cabo passando desenhos 24 horas - no máximo havia o SBT, que ainda se chamava TVS, e tinha uns quatro programas infantis seguidos - mas em compensação, nem sempre quantidade significa qualidade. Eu sei que muitos dos que vão ler isso aqui vão achar que isso é assim mesmo, que nossos pais acham que ter sido criança nos anos 60 foi muito melhor, e que nossos filhos acharão que ter sido criança em 2020 é que foi o máximo. Mas o fato é que, quando eu comparo a programação infantil de hoje com a de 20 anos atrás, tudo me parece meio esquisito, principalmente as séries. Hoje, as crianças podem acompanhar o Colégio do Buraco Negro ou a Adolescente por Natureza, onde os astros são pré-adolescentes com problemas na família ou na escola. Na minha epoca, também tínhamos problemas na família ou na escola, mas preferíamos assistir o Alf. Que, aliás, "ressucitou" na Nickelodeon, no novo bloco Nick at Nite, proclamadamente voltado para "adultos", vejam só como são as coisas.

Alf ao telefoneAlf, para quem passou os últimos 20 anos em Melmac, era uma série, dessas que hoje em dia se convencionou a chamar de sitcom, produzida para o público infanto-juvenil entre 1986 e 1990 pela rede americana NBC. Aqui no Brasil deve ter começado a passar em 1988 ou 1989, nas manhãs de domingo na Rede Globo, depois pssaou para a Bandeirantes no final da década de 90, e há alguns anos estava passando no SBT.

O tema da série era um assunto muito em moda em 1986: alienígenas. A caça a formas de vida extraterrestres estava no auge, e Hollywood refletia isso em filmes de grande sucesso, como Contatos Imediatos do Terceiro Grau e ET, o Extraterrestre. Inspirado por este último, o produtor Paul Fusco decidiu criar uma série cômica onde um alienígena se visse preso em nosso planeta, obrigado a conviver com uma família de classe média americana. Diferentemente do tímido ET, porém, este alienígena falaria inglês, seria comilão, brincalhão e extremamente curioso. Assim nasceu Alf, que aqui no Brasil ganhou o subtítulo "o ETeimoso", para tentar pegar uma carona no sucesso do ET.

Alf, na verdade, se chama Gordon Shumway, filho de Bob e Flo Shumway, nascido em 1756 no planeta Melmac, onde o céu é verde e a grama é azul, e que tem este nome porque é feito de melmac. Em 1986, Melmac se envolveu em uma guerra nuclear, e foi destruído. Gordon, que trabalhava na Polícia Espacial, conseguiu entrar em uma nave e fugir antes disso. Sem saber pilotar a nave perfeitamente, porém, ele ficou à deriva no espaço, procurando por outros sobreviventes, até encontrar um sinal de rádio vindo de um planeta até então desconhecido. Ao seguir este sinal, Gordon acabou se chocando contra uma casa, avariando sua nave e ficando preso neste planeta.

Alf e os TannersO planeta em questão, evidentemente, era a Terra, e a casa contra a qual Gordon se chocou era a da família Tanner, composta pelo pai Willie (Max Wright), a mãe Kate (Anne Schedeen), a filha adolescente Lynn (Andrea Elson), o caçula Brian (Benji Gregory) e o gato Lucky. Willie, um engenheiro, é fascinado pelo espaço, de forma que sua garagem é repleta de telescópios, livros sobre o assunto, e um rádio-amador com o qual troca idéias sobre o assunto com um amigo iugoslavo. Evidentemente, ao finalmente encontrar uma forma de vida alienígena inteligente, ele fica fascinado pela descoberta, e decide apelidá-lo de Alf (da sigla Alien Life Form, "forma de vida alienígena" em inglês). Ao saber que Alf pode ser o único sobrevivente de sua espécie, Willie decide abrigá-lo e protegê-lo, mesmo contra a vontade de Kate. A família passa a ter então a missão de esconder Alf do mundo, principalmente de seus vizinhos fuxiqueiros, Raquel (Liz Sheridan) e Trevor Ochmonek (John LaMotta), para que ele não caia nas mãos da Força Tarefa Alienígena, um órgão governamental encarregado de capturar para estudo eventuais alienígenas que venham parar aqui. A família também tem a difícil tarefa de se adaptar ao jeito peculiar de Alf, enquanto ele mesmo se adapta a uma sociedade estranha de um planeta desconhecido. Além dos Tanners, as únicas pessoas que sabem da existência de Alf são a mãe de Kate, Dorothy (Anne Meara), o psicólogo Larry (Bill Daily), e a jovem cega Jody (Andrea Covell).

Alf é baixinho e peludo, com um enorme nariz e um topete estiloso, tem 229 anos de idade, freqüentou a escola durante 122, tem oito estômagos, o que faz com que ele esteja sempre com fome, e em seu planeta gatos são considerados uma iguaria deliciosa, fechar a boca enquanto se come é falta de educação, e as pessoas se vestem de vegetais quando entes queridos morrem. Na maior parte do tempo, Alf era um boneco, controlado pelo produtor Paul Fusco, que também fazia sua voz. Quando precisava aparecer andando, de corpo inteiro, Michu Meszaros vestia sua fantasia.

Alf teve um total de 102 episódios, divididos em 4 temporadas. No último, infelizmente, Alf é capturado pela Força Tarefa Alienígena. O que aconteceria com ele só seria revelado no filme Projeto: ALF, produzido para a TV em 1996, e que costuma passar aqui de vez em quando na Rede Telecine. O filme não conta com a participação da família Tanner, e mostra como Alf conseguiu fugir da base militar e deixar a Terra em uma nova espaçonave, graças à ajuda de um cientista e de um milionário. O filme é bastante engraçado, embora não tanto quanto a série, mas se tivesse os Tanners seria muito melhor.

Alf ao pianoO enorme sucesso da série projetou Alf para dois outros meios. O primeiro deles foi um desenho animado, que teve duas temporadas, em 1987 e 1988. A primeira temporada mostrava Alf, ou melhor, Gordon, com sua família e amigos vivendo aventuras no planeta Melmac, e no início e no final de cada episódio o Alf do seriado fazia algumas considerações. A segunda temporada foi mais esquisita, colocando os personagens da primeira temporada no papel de personagens de contos de fadas clássicos, como Chapeuzinho Vermelho ou a Branca de Neve. Além do desenho, Alf também ganhou uma série em quadrinhos, publicada entre 1987 e 1992 pela Marvel Comics, com 50 edições regulares e 12 especiais. A revista trazia Alf tanto com a família Tanner quanto em Melmac, embora as histórias com a família não seguissem fielmente o mostrado nos episódios da TV. O desenho passou aqui no Xou da Xuxa, os quadrinhos eu não lembro de ter visto.

Alf foi uma série muito bem sucedida nos EUA, apenas cancelada porque o tema se tornou ultrapassado. Sua carreira foi igualmente popular na Argentina, Polônia e no Brasil, mas o lugar onde Alf se tornou mais famoso foi na Alemanha Ocidental, onde era uma das maiores audiências da época. O sucesso de Alf era tanto que a série foi lançada em DVD na Alemanha antes de no Canadá e nos EUA, e o filme Projeto: ALF passou nos cinemas (com o nome de ALF: der Film), e foi uma das maiores bilheterias de 1996. Existia até um projeto para continuar a a série após o seu final com atores alemães, mas a emissora que teve essa idéia não conseguiu os direitos do personagem.

A série foi lançada em DVD nos EUA em 2004. Para aproveitar o sucesso gerado, Paul Fusco criou um talk show para Alf, onde o alienígena recebia e entrevistava personalidades, auxiliado por Ed McMahon. Chamado Alf's Hit Talk Show, o programa foi ao ar no canal a cabo TV Land, mas só teve 5 episódios.

Lá fora já existem as duas primeiras temporadas em DVD. Por aqui, ninguém ainda se manifestou sobre um possível lançamento. Confesso que, se sair, eu serei um dos interessados em comprar, mas com uma condição: que a versão em português tenha os dubladores originais. Eu normalmente não gosto de filmes dublados, e jamais assisti a um DVD dublado na vida, mas ouvir Alf com a voz de Orlando Drummond, um dos maiores dubladores do Brasil, é um bônus que não pode ser descartado.

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