sábado, 22 de janeiro de 2005

Robocop

Dentre minhas várias manias, eu coleciono DVDs de filmes de ação/aventura/fantasia/ficção científica dos anos 80. Minha nada invejável coleção conta com títulos como Labirinto: A Magia do Tempo, os dois Conan e Short Circuit: O Incrível Robô, dentre outros. O tema do post de hoje, como todos devem ter imaginado, é um dos filmes deata coleção, mais precisamente um que eu ganhei no último Natal: Robocop.

Lançado em 1987 pela falecida Orion Pictures (atualmente parte da MGM) e dirigido pelo holandês maluco Paul Verhoeven (que depois ainda faria O Vingador do Futuro e Tropas Estelares, bem como os mais "adultos" Instinto Selvagem e Showgirls), Robocop conta a história de um policial transformado em máquina após sua morte para melhor servir e proteger. Eu poderia dizer que é uma belíssima metáfora baseada na história de Frankenstein, mas não é nada disso. É só um bom filme de ação.

Robocop se passa em um futuro não tão distante, onde megacorporações praticamente controlam o mundo. Uma destas megacorporações, a Omni Produtos de Consumo (também conhecida como OCP, embora na versão legendada tenha virado PCO) faz uma negociata com a prefeitura de Detroit, através da qual reconstruirá totalmente a cidade, renomeando-a para Delta City. Em troca, a OCP controlará todos os serviços públicos da cidade, incluindo a polícia.

O plano da OCP é erradicar totalmente a criminalidade, para fazer de Delta City um paraíso na Terra. Para isso, eles planejam reforçar o policiamento com robôs. Inicialmente, seria usado o modelo ED-209 (ED vem de enforcement droid, andróide de reforço) mas alguns "pequenos defeitos" com o robô levam a OCP a colocar em andamento o projeto Robocop, que utilizaria um policial voluntário transformado em ciborgue, ao invés de um robô "inteiro".

O tal "voluntário" acaba sendo o policial Alex J. Murphy (Peter Weller), recém transferido da Zona Sul para a Zona Oeste de Detroit, e morto em ação. O corpo de Murphy é utilizado para a criação de Robocop, que inicialmente está sob total controle da OCP, mas com o passar do tempo acaba recobrando suas antigas memórias, e indo em busca dos bandidos que o mataram e de sua antiga família. A trama de ação fica por conta de um vice-presidente corrupto da OCP, que secretamente ajuda o chefe do crime local a elevar os índices de criminalidade e matar policiais, buscando lucrar com a venda de muitos ED-209s. É lógico que é de seu interesse que o projeto Robocop seja cancelado, ou seus robôs não servirão de nada.

O que eu mais gosto sobre esse filme é que ele fica numa linha tênue entre um filme de ação muito violento (não é todo dia que a gente vê alguém explodir a mão de um policial com um tiro de escopeta) e uma comédia de humor negro. Em alguns momentos do filme, é como se estivéssemos assistindo a um telejornal do futuro, com notícias como a crise nuclear na África do Sul, ou a terrível tragédia que ocorreu quando um dos satélites do projeto Guerra nas Estrelas acidentalmente disparou seu laser, matando 113 pessoas, incluindo dois ex-presidentes americanos, em Santa Barbara. Destaque também para os "comerciais", como o do jogo Nukem, um tipo de War da era nuclear, com botão do juízo final e tudo, cujo slogan é "acabe com eles antes que acabem com você". Também merece uma menção o programa de maior audiência do futuro, It's not my problem, um humorístico onde um homem baixinho e feio sempre consegue mulheres maravilhosas, e encerra os quadros com seu bordão "eu compraria isto por um Dólar"!

Para o cinema, Robocop teve duas continuações. Como de costume, duas bombas. Robocop 2 foi lançado em 1990, e dirigido por Irvin Kershner, com roteiro de Frank Miller. Até hoje eu me pergunto no que o Frank Miller estava pensando. A idéia do filme nem é tão ruim: uma executiva corrupta da OCP cria o projeto Robocop2, no qual é utilizado Cain, um viciado em uma droga do futuro (a nuke), ao invés de um policial. As boas sacadas do filme incluem o ciborgue ser movido a nuke (uma seringa de respeito, diga-se de passagem) e o Magnavolt 2000, um sistema de segurança para evitar roubo de automóveis. O problema com este filme é uma espécie de crise de personalidade. Até o meio, ele é uma comédia pastelão. Daí para a frente, é só tiroteio e mortes. Parecem dois filmes diferentes.

O terceiro filme, Robocop 3, é de 1993, e dirigido por Fred Dekker. Nenhum dos atores dos outros dois está neste, e Robocop é interpretado por Robert Burke. Desta vez a OCP decide contratar mercenários para afugentar (ou matar, nunca se sabe) as pessoas que se recusarem a deixar suas casas para que possam ser feitas as desapropriações necessárias para a construção de Delta City. Robocop descobre, e se vê em uma encruzilhada entre proteger os cidadãos e garantir os interesses da firma que o criou. Embora eu goste mais deste do que do segundo, é só mais um filme de ação, até com um pouco de cara de Sessão da Tarde, sem o clima do original.

Robocop teve ainda uma série em desenho animado, onde foi suavizado para fazer sucesso com as crianças; uma série para a TV, que eu gostava à beça, embora se parecesse no geral mais com o terceiro filme que com o original; e uma minissérie, Robocop Prime Directives, que dizem que é muito boa, mas eu nunca vi até porque jamais foi exibida no Brasil.

Atualmente, aparentemente o policial-robô encontra-se aposentado, até que alguém decida desenterrá-lo e fazer um novo filme. Existem boatos de que será rodado um Robocop vs Terminator, para pegar carona no sucesso de Alien vs Predador. Mas qual seria a desculpa? John Connor se muda para Detroit?

De qualquer forma, uma das vantagens de ser um ciborgue onde a única parte visível é a boca, é que qualquer um pode interpretá-lo sem que os fãs reclamem muito.

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