domingo, 30 de maio de 2004

Cybercop

Saturno, Marte, Júpiter, Lúcifer e Mercúrio


Atualizado em 18 de abril de 2011

Eu já falei aqui (e meu Perfil atesta) que adoro séries de tokusatsu, especialmente sentai. Mas de todas as que assisti, minha preferida é um quase-sentai: Cybercop.

Exibida entre setembro de 1988 e julho de 1989 no Japão, a série, cujo título original era Dennou Keisatsu Cybercop (a "polícia de cérebro eletrônico dos policiais cibernéticos"), foi ao ar no Brasil durante anos pela finada TV Manchete - não sei quando começou, mas, se não me engano, parou de passar em 1994. Produzido pela Toho (mesma produtora dos filmes de Godzilla) e originalmente exibido no canal japonês NTV, teve 35 episódios, mas aqui no Brasil nunca passou o final - sempre começava a reprisar depois do episódio 28, provavelmente o último que a Manchete comprou. Era filmado em vídeo, diferentemente dos Sentai e Metal Heroes da Toei, que eram filmados em película. Devido aos seus efeitos especiais paupérrimos (muita gente e objetos "colados no filme", por exemplo), não fez muito sucesso, e hoje é pouco lembrada no Japão.

Os CybercopsA premissa da história era a seguinte: no final da década de 1990, os crimes aumentaram assustadoramente, e o Japão ficou super violento. Para combater esta onda de crimes, foi criada uma divisão especial da polícia, o ZAC (de Zero-Section Armed Constables, "policiais armados da seção zero", seja lá o que isso signifique), comandada pelo Capitão Hisagi Oda e pela Tenente Shimazu Mizue. Com armas e equipamentos de última geração, o ZAC foi capaz de trazer a criminalidade novamente até um patamar aceitável, e cuidar para que ela se mantivesse assim.

O maior trunfo do ZAC eram quatro policiais de elite, Akira Houjou, Ossamu Saionji, Ryoiti Mori e Tomoko Uesugi. Akira, Ossamu e Ryoiti, os três homens da equipe, receberam armaduras especiais, de codinomes Marte (a verde), Mercúrio (a azul) e Saturno (a cinza), se tornando os Cybercops. Para "vestir" as armaduras, eles entravam em cápsulas especiais que as materializavam em seus corpos, e com elas tinham acesso a poderes como superforça, supervelocidade, superpulos e muitas, muitas armas - a coisa que eu mais gostava na série: toda vez que um Cybercop precisava de uma arma, usava uma espécie de crachá para acessar um terminal especial, escondido em vários pontos-chave da cidade. O Cybercop então digitava o número da arma no terminal, e uma máquina pegava a maletinha correspondente em um depósito e a enviava através de uma série de túneis, até que ela saísse em um alçapão camuflado. O Cybercop, então, abria a maletinha e montava a arma para o uso.

Tomoko (interpretada pela cantora Mika Chiba, que, na época, tinha apenas 16 anos) não tinha armadura - até estava prevista para ela uma armadura Vênus, que acabou cancelada por falta de verba do ZAC - mas sua habilidade e perícia faziam com que ela fosse um membro da equipe tão valoroso quanto os Cybercops. Completavam a equipe do Zac os operadores Daisuke Yazawa e Miho Asakura, que ficavam na base distribuindo as missões. O principal modo de locomoção dos Cybercops era um carro de polícia modificado, com equipamentos de última geração, mas eles também usavam uma van que carregava as cápsulas de transformação.

A principal função dos Cybercops era ajudar a polícia local, enfrentando terroristas e outros bandidos mais perigosos. Um dia, porém, surgiu uma organização criminosa chamada Destrap (que, no original japonês, se chamava Deathtrap, a "armadilha mortal"), comandada pelo Barão Kageyama - na verdade, apenas uma marionete do computador super-avançado Fuller (Führer no original), que planejava dominar o Japão. Tendo entre seus membros os renomados cientistas Professor Einstein, Madame Durwin e Dr. Ployd, a Destrap se utilizava de monstros, até bem parecidos com as armaduras dos Cybercops, para cumprir seus propósitos malignos. Muito resistentes e controlados à distância pelo cientista que os inventou, os monstros da Destrap se mostravam fortes demais até mesmo para os Cybercops, que conseguiam enfrentá-los, mas não destruí-los.

Entretanto, bem no dia do primeiro ataque da Destrap, chegou ao Japão um misterioso jovem de nome Shinya Takeda, enviado pela Interpol para treinamento no ZAC. Lutando junto com os Cybercops, Takeda conseguiu controlar o poder da novíssima armadura Júpiter (a vermelha), que conta com um ataque especial capaz de destruir os monstros da Destrap. Admitido na equipe, Júpiter acabou se tornando uma espécie de líder (aparentemente, porque ele era o de armadura vermelha), ganhando, ainda, uma moto futurista e um lugar na banda da qual os demais Cybercops fazem parte em seu tempo vago.

Tomoko e JúpiterMais para o meio da série, apareceu um "Cybercop renegado", Lúcifer, e a verdadeira origem de Takeda foi conhecida: ele veio do futuro, com uma missão desconhecida, mas perdeu a memória e se uniu aos Cybercops. Lúcifer também veio do futuro, aparentemente para matar Takeda. No melhor estilo tokusatsu, entretanto, ele foi mudando aos poucos, de vilão para rival amistoso e então aliado ocasional, principalmente após descobrir que Kageyama, que também veio do futuro, era o homem que ele realmente procurava, e não Takeda.

Enfim, Cybercop foi como um cruzamento de Sentai com Metal Hero, um estilo que antecedeu séries mais famosas, como Winspector e Solbrain. É uma pena que tenha tido uma produção tão pobre, e que seu final jamais tenha sido exibido por aqui. Para um Tokusatsu, os personagens eram bem trabalhados, e a história fugia daquele esquema de alienígena/raça subterrânea/mutante/demônio querendo dominar/anexar/explorar/destruir a Terra começando por Tóquio.

Digam o que quiserem, é o meu favorito.

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