domingo, 16 de maio de 2004

Pokémon (I)

Muita gente detesta Pokémon, principalmente devido ao desenho da TV. Eu, pessoalmente, adoro. O jogo, não o desenho, que é meio acéfalo. É um ótimo jogo de RPG, talvez o melhor do gênero para o Game Boy. Me diverti com ele durante meses, e me tornei fã desses monstrinhos tão esquisitos. Apesar de todas as críticas, Pokémon foi um jogo que revolucionou a indústria de jogos para portáteis, e tornou o Game Boy um dos videogames mais vendidos da história, alongando sua vida por muito tempo depois que a moda dos videogames de 8 bits passou.

Pokémon foi criado em 1995 por um adolescente japonês chamado Satoshi Tajiri. No Japão, é comum as crianças e adolescentes colecionarem insetos, seja em vidros ou em álbuns, e trocá-los com seus amigos, como a gente faz com figurinhas. Satoshi era um destes colecionadores, e também grande fã de videogames. Um dia, ele decidiu criar um jogo no qual o personagem pudesse capturar e trocar insetos, exatamente como ele fazia na vida real. Esta idéia foi se desenvolvendo, e os insetos acabaram substituídos por monstrinhos inventados por Satoshi, os quais ele chamou de Pocket Monsters ("Monstros de Bolso").

Pokémon RedComo não tinha condições de produzir seu próprio jogo, Satoshi o ofereceu para diversas softhouses japonesas, mas sem sucesso. A única que aceitou foi a Game Freaks, com a condição de que o jogo passasse a ser de sua propriedade. Já sem esperanças de ver seu jogo produzido, Satoshi aceitou vendê-lo.

Satoshi, porém, participou da criação dos monstrinhos, de como eles iriam evoluir no decorrer do jogo, de toda a história do mesmo, e ainda criou o grande diferencial de Pokémon: o mesmo jogo teria duas versões, cada uma com monstrinhos exclusivos e, através do cabo link ("cabo link"??? quem inventou este nome???), que antes servia apenas para que duas pessoas pudessem jogar um jogo de Game Boy "para dois", os jogadores poderiam trocar seus monstrinhos com seus amigos, seja entre versões iguais ou até mesmo entre as duas versões diferentes. O Game Boy foi o console escolhido por Satoshi exatamente porque os jogadores poderiam carregá-lo para qualquer lugar, e utilizar o cabo link para trocar os monstrinhos.

O desenvolvimento do jogo levou três anos e, em 1998, a Game Freaks o apresentou à Nintendo, fabricante do Game Boy. Os executivos da Nintendo não gostaram do jogo, e acharam que esta história de duas versões não iria dar certo. Mesmo assim, decidiram lançá-lo, já que já estava tudo pronto, e só faltava mesmo colocar o jogo em um cartucho de Game Boy e levá-lo às lojas.

E então, Pocket Monsters se tornou o maior sucesso da história da indústria de videogames japonesa.

Pokémon BlueAté hoje, nenhum jogo vendeu tanto no Japão. Lançado em duas versões, a vermelha ("Pocket Monsters Akai") e a verde ("Pocket Monsters Ao"), o jogo criado pelo jovem Satoshi se tornou uma verdadeira febre, gerando mais merchandising do que qualquer outro produto da história do entrentenimento japonês. Imaginem uma loja semelhante às nossas Lojas Americanas, ou à finada Mesbla, mas que só venda produtos Pokémon. Pois no Japão existe algo assim, os Pokémon Centers. Dois ou três andares de camisas, biscoitos, brinquedos, chaveiros, tudo Pokémon.

No final de 1998, Pocket Monsters foi lançado nos EUA, e aí aconteceram duas coisas engraçadas: primeiro, eles mudaram as versões de vermelha e verde para vermelha e azul (para ficar mais patriótico, talvez?). Depois, eles mudaram o nome "Pocket Monsters" para "Pokémon". Agora, olhem que coisa estranha: Pocket Monsters, o nome do jogo no Japão, está em inglês, e Pokémon, o nome do jogo nos EUA, está em uma língua inventada. Alguém pode explicar isso?

Seja como for, em todo o mundo Pokémon foi um jogo bem sucedido, embora não tanto quanto no Japão. Seu formato passou a ser utilizado em diversos jogos. No auge do sucesso de Pokémon, praticamente todos os jogos de portáteis tinham duas versões. Atualmente, temos jogos de futebol, card games eletrônicos, de luta, do Bomberman e até mesmo do Megaman com duas versões, cada uma com suas peculiaridades, e permitindo a troca de informações entre os jogadores. A Game Freaks se tornou produtora exclusiva da Nintendo, que ficou ainda mais milionária. E Satoshi... bem, ele inventou o jogo.

Mas qual é a história? Como já foi dito, Pokémon é um jogo de RPG, ambientado em um país chamado Kanto, localizado em um mundo aparentemente sem nome. Neste mundo, não existem animais como os conhecemos, mas sim Pokémons. Pokémons servem para tudo o que os nossos animais servem, como fornecer comida, couro, meio de transporte, ou até simplesmente para viver sua vida selvagem. Diferentemente de nossos animais, porém, Pokémons podem ser capturados com Pokébolas, itens quase mágicos que os aprisionam lá dentro, embora sejam bem menores que eles. Uma pessoa que capture um Pokémon pode utilizá-lo como animal de estimação, de criação, ou treiná-lo para torneios de luta entre Pokémons. Quanto mais tempo a pessoa passa com seu Pokémon, mais ele se afeiçoa a ela, e quanto mais ela o treina, mais poderoso ele fica. Mas só é permitido capturar Pokémons selvagens: capturar um Pokémon que já tenha dono é crime inafiançável, além do ladrão correr o risco do Pokémon "roubado" jamais obedecê-lo.

Ash e PikachuNeste cenário surreal, o jogador controla Ash Ketchum (que, no original japonês se chama Satoshi Tajiri, em homenagem ao criador do jogo), um garoto de 10 anos que pretende se tornar o maior treinador de Pokémons do mundo. Órfão de pai, Ash vive na cidade de Pallet com sua mãe, e seu vizinho e melhor amigo é o Professor Oak (conhecido pelos fãs do desenho como "Professor Carvalho"), cientista que tem um sonho: catalogar todas as espécies de Pokémon existentes no mundo. Para isso, ele inventa a Pokéagenda (Pokédex), um aparelho capaz de armazenar os dados de Pokémons vistos e/ou capturados por seu usuário.

O Prof. Oak tem um neto da mesma idade de Ash, Gary Oak. Gary, porém, é um irresponsável, e não está muito interessado em ajudar o avô. Ao saber do desejo de Ash, o Prof. Oak decide dar a ele a Pokéagenda, para que ele o ajude a catalogar os Pokémons enquanto treina para ser o melhor. Além disso, o Prof. permite que Ash escolha um de seus Pokémons, Bulbasaur, Charmander ou Squirtle, para iniciar sua jornada. Ao saber que Ash tentará se tornar o maior treinador do mundo, Gary decide tentar também (a inveja é uma merda), e também pega um dos Pokémons do avô (por acaso o que for mais forte contra o que Ash escolher).

Entrada de Bulbasaur na PokéagendaPouca gente sabe, mas a escolha do Pokémon determina o grau de dificuldade do jogo: Bulbasaur para o jogo fácil, Squirtle para o médio, e Charmander para o difícil.

Assim, Ash começa sua jornada para se tornar o maior treinador de Pokémons do mundo. Para isso, ele terá de enfrentar o atual campeão. Mas, para isso, ele terá de enfrentar o Elite Four, os quatro treinadores mais fortes abaixo do campeão. E, para isso, ele precisará de oito insígnias, cada uma em poder de um Líder de Ginásio, espécies de campeões locais das oito cidades mais importantes de Kanto. Enquanto corre as diversas cidades de Kanto para conseguir suas insígnias, Ash terá a oportunidade de capturar novos Pokémons, treiná-los para fortalecê-los e ajudar a preencher a Pokéagenda com todos os 150 Pokémons conhecidos. Além disso, ele terá que, eventualmente, enfrentar Gary, que estará sempre tentando provar que é melhor que Ash, e combater o Team Rocket, uma espécie de "máfia" especializada em roubar Pokémons poderosos e vendê-los no mercado negro.

Uma batalhaComo em qualquer jogo de RPG, existem "batalhas aleatórias", onde os Pokémons poderão ganhar pontos de experiência e ficar mais fortes. Ash pode carregar até 6 Pokémons consigo de cada vez, mas pode armazenar mais nos Pokémon Centers que encontrar pelo caminho, trocando-os pelos que carrega de acordo com a necessidade. Existem 15 tipos de Pokémon: Normal, Pedra, Água, Elétrico, Planta, Psíquico, Venenoso, Fogo, Terrestre, Voador, Inseto, Fantasma, Lutador, Gelo e Dragão, cada um com suas vantagens e desvantagens. Cada tipo é "forte" contra outro tipo (água é forte contra fogo, por exemplo) e "fraco" contra um terceiro (elétrico é fraco contra pedra). Balanceando sua equipe, Ash conseguirá derrotar todo tipo de inimigo. Por isso é importante capturar e treinar novos Pokémons.

E tem mais: alguns Pokémons, ao alcançar determinado "nível", evoluem para um novo Pokémon, com novos poderes (Charmander, por exemplo, evolui para Charmeleon, e depois para Charizard). Pokémons de níveis altos não podem ser capturados, apenas obtidos através deste tipo de evolução.

Pokémon YellowEm 1999, aproveitando a popularidade do desenho, foi lançada uma nova versão de Pokémon, a amarela ("Pocket Monsters Kou"), lançada nos EUA como "Special Pikachu Edition" (embora o nome Pokémon Yellow tenha se tornado muito mais popular). Esta versão é idêntica à azul/vermelha, mas possui suporte para Game Boy Color, e é mais parecida com o desenho: ao invés de escolher entre Bulbasaur/Charmander/Squirtle, Ash sempre começa com Pikachu, e Gary com Eevee. Os gráficos também são um pouco melhores.

Este ano, no Japão, saiu uma nova versão do Pokémon original, desta vez para o Game Boy Advance, com gráficos e música melhorados, rebatizados para Fire Red e Leaf Green (será que vai ser Water Blue nos EUA?). Hoje existem novos jogos de Pokémon, com novos Pokémons (não criados por Satoshi), e onde Ash não é mais o personagem principal, como o Gold/Silver para o Game Boy Color, e o Ruby/Sapphire para o Game Boy Advance. Mas estes serão assunto para outros dias. Para falar de bichinhos tão pequenos, este post já está grande demais.

1 enfiaram o nariz:

Anônimo disse...

Bela história!

Fiquei a conhecer mais de pokemon do que já sabia antes...

9:55 AM

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