quinta-feira, 17 de abril de 2003

Consumismo

Incrível como temos a péssima mania de nos divertirmos consumindo. E não estou falando só de comer.

Um amigo me contou que seu pai tem a mania de colecionar coisas. Até aí, tudo bem, eu também tenho. Mas meu amigo se mostrava preocupado com o fato de que seu pai já estava apresentando sintomas de obsessão compulsiva, comprando só por comprar coisas que nunca iria usar.

Será mesmo isso patológico? Outro dia eu me perguntava para que eu continuo comprando CDs se nem ao menos os ouço. Se comparar os CDs da minha adolescência com os atuais, descubro que, dos primeiros, sei cantar todas as músicas de cor, enquanto alguns dos últimos eu só ouvi uma única vez. Todos nós estamos vivendo dessa forma, comprando coisas das quais não precisamos, apenas para satisfazer pequenos desejos internos, seja para sufocar frustrações, ganhar auto-confiança ("eu te-nho, você não te-em!") ou aproveitar a moda. Afinal, qual a diferença entre um Ovo de Páscoa de 300g e um chocolate grande de 300g, a não ser o formato? Aposto que todo mundo acha o Ovo mais legal.

Não estou dizendo que todos devamos adotar um comportamento ascético, mas temos que tomar cuidado com o consumismo exagerado, tão presente nos nossos dias. Por que comprar uma calça jeans de grife que custa 200 Reais se ela veste igual a uma da C&A que custa muito menos? Conheço diversas pessoas que não possuem um tostão furado, mas só vestem roupas de grife. Um deles chegou a jogar fora uma camisa que ganhou de sua madrinha quando descobriu que fora comprada na Rua da Alfândega (nota para os não-cariocas: a Rua da Alfândega é um mercado popular, também conhecido como Saara, composta de várias lojas que vendem produtos baratos, alguns bons, outros de qualidade duvidosa).

O consumismo parece nos dar alegrias, mas está nos escravizando. Tal como viciados, não conseguiremos ser felizes se não conseguirmos comprar os itens que nos satisfazem, mesmo que depois eles fiquem encostados na estante pegando poeira, sem mais servir para coisa alguma. Quando o dinheiro aplicado "não fará falta" (entre aspas porque qualquer dinheiro sempre faz falta) é uma coisa, mas quando precisamos abrir mão de coisas mais necessárias ao nosso bem-estar, temos um problema.

Se livrar desse consumismo não é fácil. Eu mesmo continuo comprando CDs que só ouvirei uma única vez. Mas estou me disciplinando a juntar dinheiro pacientemente, sem tirar do necessário para minha subsistência, e a não me desesperar se não conseguir comprar algo que quero. Por enquanto estou conseguindo. Espero que não parem de vender o que eu quero comprar antes de eu juntar todo o dinheiro.

E sabem por que a calça de grife custa 200 Reais? Porque as pessoas pagam. Se ela ficar encalhada na loja um ano, o preço vai baixar.

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