quinta-feira, 13 de março de 2003

É difícil ser bom

Semana passada, eu e minha irmã assistíamos ao seriado do Batman - sim, aquele mesmo, da década de 60, meio xabi - quando ela resolveu fazer uma pergunta interessante: Por que, nestas histórias de super-heróis, existem tão poucos heróis e tantos vilões? Imediatamente eu me lembrei das palavras de um grande amigo meu há alguns anos, quando conversávamos sobre assunto semelhante: "É muito difícil ser bom".

Realmente, ser bom é difícil. Ora, se eu sou um João Ninguém, e de repente ganho incríveis poderes de vôo, visão de Raios-X, superforça ou invisibilidade, o que seria mais lógico, utilizá-los para assaltar um banco, espiar as meninas trocando de roupa no vestiário feminino, e outras coisas pouco decentes, ou para combater vilões de quinta sem ganhar nenhum mérito por isso, arriscando até mesmo a ser odiado e/ou caçado pela população?

Na tão famosa "vida real" não é diferente. Todos os dias comprovamos que as pessoas, quando possuem poder, normalmente o utilizam para o mal. O egoísmo, a ganância, a inveja, e outros sentimentos que apressam nossa ida para o purgatório se apresentam logo que consigamos um pouco mais de dinheiro, status, posição social, cargos importantes ou coisas afins. Nossos valores morais estão tão deturpados, que é raro encontrar uma pessoa em posição social elevada ou importante que não esteja tomada pela arrogância, além do problema crônico de "auto-precupação com o próprio bolso", que transforma coisas como "preocupação social" em histórias da carochinha.

E nós, seres humanos comuns, pobres mortais sem "super-poderes"? Para nós seria então mais fácil praticar a bondade, já que não temos o status ou o vil metal a nos corromper?

Talvez não. Alguém já reparou que, quando se é bom, parece que a vida conspira contra nós? Pode parecer um contra-senso, mas dia após dia vemos nos meios de comunição pessoas que roubam, fraudam, transferem milhões para paraísos ficais e sempre se dão bem, enquanto nós, que pagamos todas as nossas contas em dia, temos nosso nome mandado para o SPC (o Sistema de Proteção ao Crédito, não a banda do Alexandre Pires), os bancos nos cobram juros absurdos, temos que andar pelas ruas morrendo de medo de que nos tirem o que já não temos, e isso quando ainda conseguimos um emprego para garantir essa merreca, porque o índice de desemprego não está aí para enfeitar. Nessas condições, ser bom, o que seria o padrão da humanidade, acaba se transformando em tarefa hercúlea para aqueles que ainda acreditam que devemos amar ao próximo.

Pensando nisso outro dia, acabei chegando a uma conclusão interessante, que compartilharei com vocês: Quanto melhor o prêmio, mais difícil o concurso, certo? Pois então. Ser bom é difícil por isso: um prêmio muito bom (com perdão do trocadilho) nos espera. Ser mau é fácil, portanto, não tem prêmio no final (talvez muito pelo contrário). Somente sendo bom, passando por todas as privações, humilhações e dificuldades, teremos mérito para, no final, recebermos nossa recompensa.

Pode não ser lá muito animador, mas deve ser verdade. De minha parte, eu pretendo continuar lutando contra a maré. Pretendo ser sempre bom, mesmo que todos os exemplos que eu encontro dia após dia digam exatamente o contrário. E espero que vocês também.

"E sonharemos com o dia em que a pessoa honesta deixará de tomar na testa".

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