segunda-feira, 19 de março de 2018

Perdido em Marte / Interestelar

Quando eu falo sobre filmes aqui no átomo, raramente é sobre filmes recentes - a não ser que eles façam parte de uma série ou franquia, e sejam abordados apenas porque os mais antigos também foram. Não é que eu não goste de filmes recentes, de alguns eu gosto e muito, mas, com a crescente onda de adaptações, re-imaginações, reboots, sequências e prequências, eu acabo achando um pouco desnecessário fazer um post.

Hoje, entretanto, eu decidi arriscar. Peguei dois filmes recentes de ficção científica dos quais gostei muito, que não se enquadram em nenhuma das categorias acima, e vou fazer um post duplo. Se gostar da ideia, talvez a repita. Sem mais delongas, vamos ao primeiro, Perdido em Marte.

Perdido em Marte originalmente era um livro, escrito por Andy Weir. Nascido na cidade de Davis, Califórnia, em 16 de junho de 1972, filho de um físico com uma engenheira elétrica, formado em ciência da computação, e tendo crescido lendo clássicos da ficção científica, Weir começou a escrever o livro em 2009, pesquisando todos os fatos necessários para que a história fosse o mais realística possível, estudando botânica, mecânica orbital, astronomia, a geologia de Marte e a história das viagens espaciais tripuladas - tirando a viagem a Marte em si, todo o restante é possível usando a tecnologia que temos hoje.

Perdido em Marte (cujo título original é The Martian, "o marciano") não seria o primeiro livro escrito por Weir; quando jovem, ele havia se aventurado pela ficção científica, mas jamais havia conseguido publicar nenhuma de suas histórias - embora algumas delas, como O Ovo, tenham alcançado certa fama em sua Califórnia natal, tendo sido adaptadas para peças de teatro e vídeos do YouTube. Temeroso de também não conseguir encontrar uma editora disposta a publicar Perdido em Marte, ele decidiria disponibilizá-lo gratuitamente em seu site pessoal, em 2011, um capítulo por vez. Muitos leitores, então, começariam a sugerir que ele criasse uma versão que pudesse ser lida no Kindle, o leitor eletrônico de livros da loja virtual Amazon. Weir disponibilizaria a versão completa do livro para Kindle por 99 cents, o menor valor possível para um livro vendido nessa plataforma; ainda assim, ele venderia 35 mil cópias em três meses, mais que o dobro da quantidade baixada de seu site, e o suficiente para que Perdido em Marte alcançasse o topo da parada de livros de ficção científica da Amazon. Isso chamaria a atenção das editoras, que começariam a fazer propostas para Weir - como se costuma dizer na internet, parece que o jogo virou, não é mesmo? - que, em 2013, fecharia com a editora Crown. A primeira versão impressa do livro seria publicada pela Crown em fevereiro de 2014.

Quase um ano antes disso, em março de 2013, a Fox, também impressionada com o desempenho de vendas da versão Kindle, procuraria Weir e compraria os direitos de adaptação da história para o cinema, designando o roteirista Simon Kinberg (de Sr. e Sra. Smith e X-Men: Dias de um Futuro Esquecido) para o projeto. Em maio, a Fox começaria a negociar com Drew Goddard (roteirista de vários episódios das séries Buffy, Angel, e do filme Guerra Mundial Z) para atuar como roteirista e diretor, passando Kinberg para o cargo de produtor. Goddard escreveria o roteiro para o filme, e Matt Damon expressaria seu desejo de atuar nele, sendo, então, escalado para viver o protagonista da história; pouco tempo depois, porém, Goddard decidiria deixar o cargo de diretor para dirigir, para a Sony, um filme do Sexteto Sinistro, que faria parte do mesmo universo de O Espetacular Homem-Aranha, e acabaria cancelado. Com a saída de Goddard, Kinberg convidaria Ridley Scott (de Alien: O Oitavo Passageiro e Gladiador), presenteando-o com um exemplar do livro de Weir. Scott, se sentindo atraído pela ênfase da história na ciência, aceitaria, e Damon, animado por poder trabalhar com Scott, decidiria continuar na produção. Com tudo certo, a pré-produção transcorreria rápido, e as filmagens começariam em novembro de 2014.

As filmagens ocorreriam rápido, consumindo apenas 70 dias e utilizando apenas 20 sets, construídos nos estúdios de Korda, na Hungria. Para maior realismo, as batatas plantadas no filme realmente seriam plantadas em Korda, com todos os estágios de seu crescimento sendo filmados, e uma réplica do veículo Mars Rover seria construída pela equipe do filme. Contatos da NASA, a agência espacial norte-americana, também participariam da produção, para que o controle da missão, a rotina dos astronautas e os equipamentos vistos no filme fossem o mais realísticos possível. Para representar o planeta Marte, seria escolhido o vale de Wadi Rum, na Jordânia; como agradecimento pela hospitalidade, a equipe presentearia o governo da Jordânia com a réplica do Rover, hoje exposta no Royal Automobile Museum da cidade de Amã.

O filme é ambientado em 2035, e começa com uma equipe de astronautas realizando uma missão de coleta de dados em solo marciano. Prevista para durar 31 dias, a missão precisa ser abortada após 18, devido a uma forte tempestade de areia que danifica a base dos astronautas em solo. Durante a evacuação, o botânico Mark Watney (Damon) é atingido por destroços, e a telemetria de seu traje acusa que ele não está vivo. Sem condições de resgatar o "corpo", a comandante da missão, Melissa Lewis (Jessica Chastain), decide retornar à Terra.

Watney, porém, não morreu, apenas teve seu equipamento de monitoração danificado por um dos destroços. Retornando ao que sobrou da base, e sem meios para se comunicar com a tripulação na nave ou com o comando da missão na Terra, ele começa a gravar um diário em vídeo e a traçar um plano para se encontrar com a equipe da próxima missão marcada para Marte - dali a quatro anos, em um local a 3.200 km de distância. Sua maior preocupação é com a comida e água, pois as que restaram da missão não durarão quatro anos; felizmente, Watney é botânico, e poderá usar seus conhecimentos para tentar cultivar o solo marciano.

Enquanto isso, na Terra, sem que Watney saiba, o comando da missão imagina que ele está morto - faz um funeral para ele e tudo - e não tem quaisquer planos de resgatá-lo. A engenheira responsável pelas fotos de satélite, Mindy Park (Mackenzie Davis), porém, acaba encontrando provas da sobrevivência de Watney, o que leva o diretor da NASA, Teddy Sanders (Jeff Daniels), a ordenar que se encontre uma forma de se enviar comida, água e equipamentos a Watney enquanto ele espera pela próxima missão. Acontecimentos inesperados, entretanto, farão com que Watney não possa de fato esperar os quatro anos, e que a NASA tenha de bolar um plano alternativo para resgatá-lo antes disso. Além de Damon, Chastain, Daniels e Davis, o filme conta com Chiwetel Ejiofor como Vincent Kapoor, diretor de missões a Marte da NASA; Kristen Wiig como Annie Montrose, relações públicas da NASA; Sean Bean como Mitch Henderson, o diretor da missão; Michael Peña como Rick Martinez, piloto da espaçonave e melhor amigo de Watney; Kate Mara como Beth Johanssen, operadora de sistemas da nave; Sebastian Stan como o Dr. Chris Beck, médico da missão; Aksel Hennie como o Dr. Alex Vogel, químico que foi com a missão para analisar o solo; e Donald Glover como Rich Purnell e Benedict Wong como Bruce Ng, engenheiros de propulsão da NASA selecionados para cuidar da missão de resgate.

Perdido em Marte estrearia em 2 de outubro de 2015, após pré-estreias em diversos festivais de cinema dos Estados Unidos, Canadá e Reino Unido. Seria um grande sucesso de público e crítica, rendendo 228,4 milhões de dólares apenas nos Estados Unidos e mais de 630 milhões no mundo todo, contra um orçamento de 108 milhões. Os maiores elogios da crítica seriam feitos ao roteiro, efeitos visuais, trilha sonora, realismo e à atuação de Damon, embora alguns tenham criticado a falta de desenvolvimento dos personagens e apontado alguns "erros técnicos" na parte científica - devido à composição atmosférica do planeta, por exemplo, os ventos de Marte jamais seriam fortes o suficiente para causar os eventos que desencadeariam os acontecimentos do filme. O filme seria indicado a sete Oscars (Melhor Filme, Melhor Ator, Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Produção, Melhores Efeitos Visuais, Melhor Edição de Som e Melhor Mixagem de Som), mas, infelizmente, não ganharia nenhum, ganhando, entretanto, o Globo de Ouro de Melhor Filme e o de Melhor Ator para Damon - Scott também seria indicado ao Globo de Ouro de Melhor Diretor, mas perderia para Alejandro González Iñárritu, de O Regresso.

O segundo filme de hoje é Interestelar - que é bem menos realístico e mais filosófico do que Perdido em Marte. Ambientado em meados do século XXI, após um cataclisma jamais explicado que deixou a Terra praticamente inabitável, pois tempestades de poeira, aliadas a uma diminuição do nível de oxigênio na atmosfera, impedem a agricultura, Interestelar é protagonizado por Joseph Cooper (Matthew McConaughey), um ex-astronauta da NASA que, após ficar viúvo, decidiu morar em uma fazenda e criar seus dois filhos, Tom (Timothée Chalamet quando criança, Casey Affleck quando adulto) e Murphy (Mackenzie Foy quando criança, Jessica Chastain quando adulta). Um dia, Murphy descobre estranhos padrões criados pela poeira trazida pelo vento em seu quarto, e os atribui a um fantasma que estaria morando em sua casa. Cooper decide estudar os padrões e descobre se tratar de coordenadas, que o levam até uma base secreta da NASA, comandada pelo antigo supervisor de Cooper, o Professor John Brand (Michael Caine).

Brand revela a Cooper que, 48 anos antes, a NASA descobriu, próximo a Saturno, um buraco de minhoca (um "portal") que leva a uma galáxia distante na qual existem 12 planetas potencialmente habitáveis, orbitando ao redor de um buraco negro chamado Gargantua. Voluntários viajaram através do buraco de minhoca para analisar esses planetas visando usá-los como uma nova chance para o povo da Terra, e, a partir de seus relatórios, a NASA traçou dois planos: o plano A consiste em levar toda a atual população da Terra para um deles, enquanto o plano B consiste em levar cinco mil embriões humanos congelados em uma nave, a Endurance, que, então, seriam usados para colonizar o novo planeta. Acontece, entretanto, que os relatórios pararam de chegar, ninguém sabe se os voluntários ainda estão vivos, a tecnologia para levar toda a população da Terra através do buraco de minhoca ainda precisa ser aperfeiçoada, e o tempo da humanidade está acabando, pois as tempestades de poeira a cada dia ficam piores, e o oxigênio na atmosfera não dá sinais de que vai aumentar.

Diante disso, o Professor Brand convence Cooper a pilotar a Endurance, com uma tripulação composta por sua própria filha, Amelia Brand (Anne Hathaway), pelos astronautas Doyle (Wes Bentley) e Romilly (David Gyasi) e pelos robôs TARS (Bill Irwin) e CASE (Josh Stewart), para escolher, dentre três planetas visitados pelos voluntários, qual seria mais apropriado para a colonização, e iniciá-la enquanto o plano A não sai do papel. O elenco conta, ainda, com John Lithgow como Donald, o sogro de Cooper e avô de Murphy e Tom, que fica com eles na fazenda após a partida de Cooper; Topher Grace como Getty, um dos médicos da NASA; e Matt Damon como o Dr. Mann, um dos voluntários que atravessaram o buraco de minhoca para analisar os planetas - tendo em vista que, mais uma vez, ele ficou perdido em um planeta distante, se eu fosse a NASA, eu não convidaria Matt Damon para projetos do gênero.

A ideia de Interestelar partiria da produtora Lynda Obst e do físico Kip Thorne, que foram apresentados um ao outro pelo astrônomo Carl Sagan, e trabalharam juntos no filme Contato, de 1997, baseado em um livro de Sagan. Obst e Thorne escreveriam uma sinopse em 2006, que chamaria a atenção do diretor Steven Spielberg, que, por sua vez, convenceria a Paramount Pictures a transformá-la em um filme, com Obst como produtora. Em março de 2007, a Paramount contrataria o roteirista Jonathan Nolan (de O Grande Truque e Batman: O Cavaleiro das Trevas), irmão do diretor Christopher Nolan (também de ambos esses filmes), para transformar a sinopse de Obst e Thorne em um roteiro completo, mas o próprio estúdio não acreditava ser possível começar as filmagens tão cedo.

De fato, a pré-produção se arrastaria durante anos. Em 2009, Spielberg decidiria desfiliar sua produtora Dreamworks, através da qual o filme seria feito, da Paramount e filiá-la à Disney. Após um pequeno imbróglio jurídico, seria decidido que os direitos do filme pertenciam à Paramount, e não à Dreamworks, de forma que Spielberg não seria mais o diretor do filme; Jonathan Nolan, então, sugeriria seu irmão, que assinaria com a Paramount em 2012, mesmo ano no qual Thorne seria incluído no projeto como produtor executivo. No ano seguinte, Christopher Nolan anunciaria que o filme seria produzido por sua companhia, a Syncopy, ligada à Warner Bros., o que levaria a um novo problema jurídico, esse solucionado rapidamente, após ficar acertado que a Paramount distribuiria o filme nos Estados Unidos e a Warner no restante do planeta - em troca, o inverso aconteceria com o filme seguinte da franquia Sexta-Feira 13, cujos direitos pertencem à Warner. Ainda em 2013, a produtora Legendary Pictures entraria em acordo com a Warner para financiar 25% do filme, abrindo mão de uma participação em Batman vs. Superman: A Origem da Justiça, a qual já havia acertado com a Warner, para fazê-lo - o que nos leva a crer que a Legendary já sabia de antemão que BvS seria uma furada.

Jonathan Nolan aproveitaria a demora na pré-produção do filme e levaria nada menos que quatro anos para escrever o roteiro, inclusive estudando relatividade e visitando a NASA e programas de viagens ao espaço privados. Ao ser incluído no projeto, Christopher Nolan decidiria pegar um roteiro de um filme de ficção científica espacial no qual já vinha trabalhando há vários anos e mesclá-lo com o roteiro do irmão, trazendo elementos que não estavam presentes originalmente, a maioria deles relacionados à viagem da Endurance. O diretor também escolheria pessoalmente McConaughey, com quem nunca havia trabalhado, para o papel de Cooper, por acreditar que ele poderia passar a imagem de um homem comum, que só quer fazer seu trabalho e criar sua família, sem estar interessado na fama que o projeto da NASA pode trazer.

As filmagens levariam quatro meses no Canadá, duas semanas na Islândia, e mais 54 dias em Los Angeles. Para criar as tempestades de poeira, os Nolan se inspirariam em um fenômeno real, conhecido como dust bowl, que consistiu em grandes tempestades de areia resultantes principalmente de uma seca severa combinada com métodos errôneos de controle do solo, que devastaram fazendas inteiras do interior dos Estados Unidos na década de 1930. O diretor também tomaria uma série de providências para que as filmagens ocorressem em segredo e os detalhes do filme não vazassem para a imprensa precipitadamente, dentre elas usar, durante a produção, ao invés de Interstellar (o nome original do filme), o nome Flora's Letter ("a carta de Flora") - sendo Flora o nome de uma das filhas do diretor.

Os efeitos especiais do filme usariam uma técnica diferente do habitual: todos os efeitos em computação gráfica foram criados antes de as filmagens começarem, e, durante as filmagens, foram projetados atrás dos atores - o contrário do que normalmente se costuma fazer, com os atores filmando em frente a um chroma key (a famosa "parede azul") e os efeitos em computação sendo adicionados depois. Nolan também decidiu usar a menor quantidade de efeitos de computação possível, construindo vários sets de filmagem e usando miniaturas para representar as naves e estações espaciais, inclusive a Endurance - com isso, o filme gastaria 10 milhões de dólares a menos que o originalmente planejado, o que comprova como os efeitos em computação gráfica estão inflacionando os orçamentos dos filmes.

O principal efeito especial gerado por computação gráfica do filme é o buraco negro Gargantua, que é supermassivo e rotacional, o que permite que planetas o orbitem como se ele fosse uma estrela. Thorne colaboraria diretamente com o supervisor de efeitos especiais Paul Franklin, fornecendo páginas e mais páginas de equações teóricas relacionadas a buracos negros a engenheiros de computação que escreveriam um novo programa de renderização especialmente para criar o Gargantua - no final, todo o efeito do buraco negro girando com os planetas orbitando em volta ocuparia 800 terabytes de dados, mas ficaria tão perfeito que daria a Thorne novas ideias sobre os efeitos da gravidade próxima a buracos negros, que resultariam na publicação de três novos artigos científicos sobre o assunto. O buraco negro que aparece no filme, entretanto, não é tão realístico quanto o gerado no computador por uma questão estética: Nolan ficaria preocupado de os espectadores não reconhecerem o Gargantua como um buraco negro e não compreenderem o que está acontecendo ao seu redor, então pediria à equipe de efeitos especiais que suprimisse, na versão que seria usada para o filme, o efeito doppler, que faz com que o buraco negro seja assimétrico e colorido em diversos tons de azul - sem o efeito doppler, o buraco negro fica simétrico e totalmente preto, diferente dos encontrados na natureza, mas mais fácil de ser reconhecido pelas pessoas que só os conhecem dos filmes. A retratação do buraco de minhoca, tridimensional, por outro lado, foi considerada por físicos e astrônomos como bastante realística, diferentemente do que normalmente ocorre em filmes, nos quais buracos de minhoca são buracos bidimensionais no espaço (como em Stargate) - é importante lembrar, entretanto, que não há notícias de buracos de minhoca encontrados na natureza, sendo estes fenômenos puramente teóricos.

Interestelar estrearia em 5 de novembro de 2014. Com orçamento de 165 milhões de dólares, renderia 188 apenas nos Estados Unidos, e 675 milhões no mundo inteiro, sendo considerado um grande sucesso de público. A crítica receberia bem o filme, embora alguns o tenham considerado sentimental demais; a principal crítica foi em relação ao som, considerado desnecessariamente alto em relação aos diálogos - o que, na verdade, foi uma opção pessoal do diretor, que, em busca de mais realismo, quis que os diálogos parecessem misturados aos efeitos sonoros, como ocorre quando estamos em uma sala barulhenta; alguns cinemas, inclusive, tiveram de explicar em cartazes que esse efeito era proposital, e não um defeito do sistema de som do cinema. O filme seria indicado a cinco Oscars, de Melhor Trilha Sonora Original, Melhor Design de Produção, Melhor Edição de Som, Melhor Mixagem de Som e Melhores Efeitos Visuais, ganhando apenas esse último.

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