segunda-feira, 26 de março de 2018

Andrei Tarkovsky

Semana passada, quando escrevia sobre os filmes de ficção científica, lembrei-me de um de meus filmes favoritos desse gênero, Solaris. Que quase não pôde ser chamado dessa forma, aliás: a primeira versão que eu assisti foi a norte-americana, estrelada por George Clooney, que achei horrorosa. Vários anos depois, entretanto, li um artigo sobre o filme original, achei interessante e fiquei com vontade de assistir, mas não o encontrava nem para vender, nem mesmo para baixar - afinal, é um filme soviético de 1972. Um dia, porém, Solaris foi lançado em Blu-ray, eu resolvi comprar, e gostei tanto que decidi comprar também os demais de seu diretor, Andrei Tarkovsky. Com isso, acabei descobrindo que Tarkovsky só fez mais um filme de ficção científica (na verdade, mais dois, se você considerar O Sacrifício como sendo ficção científica), e que os filmes dele, cheios de considerações filosóficas e longos diálogos, não são nada fáceis de se assistir, incluindo Solaris. Mas foi bom, porque são filmes bem interessantes, de um diretor que aparentemente é pouco conhecido aqui no Brasil. Devido a isso, eu ia fazer um post sobre Solaris, mas decidi dar a minha contribuição para que seu diretor seja um pouquinho mais conhecido, fazendo com que hoje seja dia de Andrei Tarkovsky no átomo.


Andrei Arsenyevich Tarkovsky nasceu em 4 de abril de 1932 na pequena aldeia de Zavrazhye, próxima à cidade de Yuryevets, na República Soviética da Rússia, à época parte da União Soviética. Seu pai, Arseny Alexandrovich Tarkovsky, era poeta e tradutor, e sua mãe, Maria Ivanova Tarkovskaya (nascida Vishnyakova), era revisora de textos; sua família, porém, tinha raízes nobres: por parte de pai, seu avô, Aleksandr Karlovich Tarkovsky, pertencia à nobreza da Polônia, mas, após a Revolução Comunista, perdeu tudo e decidiu se mudar para a Rússia para trabalhar como bancário; por parte de mãe, sua avó, Vera Nikolaevna Vishnyakova (nascida Dubasova), pertencia a uma das mais importantes famílias da nobreza russa, os Dubasov, da qual fazia parte o Almirante Fyodor Vasilyevich Dubasov, Governador de Moscou entre 1905 e 1906 - fato esse que ela escondia do governo soviético, com medo de represálias. Diz a lenda que Tarkovsky era descendente de uma linhagem de príncipes do Daguestão, mas sua irmã, Marina Arsenyeva Tarkovskaya, realizou um extensa pesquisa após o fim da União Soviética, e jamais conseguiu encontrar nenhuma comprovação de que isso fosse verdade.

Tarkovsky passaria sua infância em Yuryevets, até que, em 1937, seu pai decidiria se separar de sua mãe - posteriormente, ele se alistaria no exército para lutar na Segunda Guerra Mundial, e nunca mais seria visto. Sozinha e com dois filhos para criar, sua mãe decidiria aceitar um emprego como revisora em uma gráfica em Moscou, cidade para a qual Tarkovsky se mudaria aos sete anos de idade. Lá, ele estudaria piano e artes plásticas, e teria como colega de turma o futuro poeta Andrey Voznesensky. Pouco depois de se mudar para Moscou, entretanto, a ameaça da Segunda Guerra chegaria à cidade, e sua mãe enviaria Tarkovsky e sua irmã de volta a Yuryevets, para morar com sua avó materna. Eles retornariam a Moscou em 1943, mas passariam por sérios problemas de moradia e alimentação; entre 1947 e 1948, Tarkovsky ficaria internado em um hospital para tratar uma tuberculose, fruto das condições precárias em que vivia. Muitos desses temas, como o abandono paterno, a mudança para a casa da avó e o período no hospital influenciariam as histórias de seus filmes.

Na escola, Tarkovsky era visto como um aluno problemático, de comportamento irresponsável e notas baixas, tanto que muitos de seus professores consideravam que ele sequer conseguiria se formar. Ele acabaria concluindo os estudos, mas sem saber qual carreira seguir, decidindo, inicialmente, estudar árabe no Instituto Oriental de Moscou, no qual se matriculou em 1951. Ele acabaria desistindo após um ano, se matriculando em seguida no Instituto da Academia de Ciências para Ouro e Metais Não-Ferrosos, não como estudante, mas como minerador. O Instituto o enviaria em uma expedição de um ano de duração ao Rio Kureikye, na Sibéria. Durante essa expedição, Tarkovsky teria uma epifania e decidiria estudar cinema.

Em 1954, Tarkovsky se matricularia no Instituto Estatal de Cinema (VGIK), no curso de diretor. Para sua sorte, um ano antes o presidente Nikita Khrushchev havia relaxado o controle do Estado sobre filmes, livros e músicas estrangeiras, permitindo que os jovens soviéticos tivessem acesso a várias obras proibidas até então; esse relaxamento permitiria que Tarkovsky tivesse contato com filmes dirigidos por Kurosawa, Mizoguchi, Buñuel, Bergman, Bresson e Andrzej Wajda, este último considerado como uma de suas maiores influências, além de com representantes de dois importantes movimentos da época, o neorrealismo italiano e o new wave francês.

Outro ponto no qual Tarkovsky deu sorte foi que ele resolveu fazer cinema bem no meio de uma renovação do gênero na União Soviética: até meados da década de 1950, os filmes produzidos eram poucos, e em sua maioria dirigidos por veteranos; na segunda metade da década, a produção quase que triplicaria, e a grande maioria dos diretores seria de jovens talentos. O primeiro filme realizado por Tarkovsky, ainda como estudante, seria um curta, Os Assassinos, adaptação de um conto de Ernest Hemingway, que seria exibido no VGIK em 1956. Seu segundo curta, Segodnya Uvolneniya Nye Budet ("não teremos demissões hoje"), co-dirigido por Aleksandr Gordon, sobre uma equipe do exército que tenta desarmar uma bomba da época da Segunda Guerra encontrada em um pequeno vilarejo, seria exibido no VGIK em 1958; em 1959, Tarkovsky concluiria um terceiro roteiro, Konsentrat ("concentrados"), altamente autobiográfico, sobre o líder de uma expedição geológica à Sibéria (com o título fazendo alusão aos concentrados minerais encontrados pela expedição), mas ele permaneceria inédito, sem jamais ser filmado.

Tarkovsky teria dois professores marcantes no VGIK: Mikhail Romm, que também seria professor de expoentes do cinema soviético como Vasily Shukshin, Nikita Mikhalkov e Georgi Daneliya, se tornaria uma espécie de mentor, lhe dando valiosas dicas durante a filmagem de seus curtas; já Grigori Chukhrai, ele mesmo aluno de Romm e já um diretor de sucesso, ficaria tão impressionado com o trabalho de Tarkovsky que lhe ofereceria um cargo de assistente de direção em seu filme Céu Limpo, o qual Tarkovsky inicialmente aceitaria, mas depois decidiria declinar para poder se dedicar a seu trabalho de conclusão de curso. Ainda no VGIK, Tarkovsky conheceria Irma Raush, colega de classe com quem começaria um namoro e acabaria se casando em abril de 1957; e Andrei Konchalovsky, filho do famoso diretor Sergey Mikhalkov e irmão do também diretor Nikita Mikhalkov, que viria a se tornar produtor e roteirista, e seria o principal parceiro de Tarkovsky em seus projetos.

Em 1959, Tarkovsky e Konchalovsky escreveriam o roteiro de Antarctica, sobre uma expedição soviética ao Polo Sul, que seria elogiadíssimo por seus professores. Eles o tentariam vender para o estúdio Lenfilm, mas sem sucesso; o VGIK, então, arranjaria para que ele fosse publicado em forma de romance no jornal Moskovskij Komsomolets. Logo depois, a dupla escreveria mais um roteiro, O Rolo Compressor e o Violinista, sobre a amizade improvável entre um menino que aprende a tocar violino e um operário da construção civil. Tarkovsky planejava produzir o filme com recursos próprios, para apresentá-lo como seu trabalho de conclusão de curso, mas acabou recebendo uma proposta do Mosfilm, o mais importante estúdio de cinema soviético, para filmá-lo utilizando seus recursos; o VGIK, então decidiu abrir uma exceção, e permitir que, mesmo assim, o filme fosse apresentado como trabalho de conclusão, rendendo a Tarkovsky o otlitchniy (algo como "grau de excelência"), a maior nota possível para um projeto do VGIK. O Rolo Compressor e o Violinista também se tornaria o primeiro filme de Tarkovsky a estrear nos cinemas, em 30 de dezembro de 1961, e o primeiro a ser exibido fora da União Soviética, ao concorrer no Festival de Cinema de Nova Iorque, onde foi exibido em 18 de agosto de 1962, ganhando o prêmio de Melhor Filme em Idioma Estrangeiro.

Pouco após sua formatura, Tarkovsky dirigiria seu primeiro filme comercial, A Infância de Ivan, baseado no conto Ivan, de Vladimir Bogomolov, escrito em 1957 e traduzido para mais de vinte idiomas. Curiosamente, o filme não era um projeto de Tarkovsky, e sim da Mosfilm, que havia contratado o roteirista Mikhail Papava para adaptar a história e o jovem diretor Eduard Abalov para dirigi-lo; o roteiro de Papava, porém, não agradou, pois transformava o menino Ivan de vítima da guerra em um verdadeiro herói, assim como as filmagens conduzidas por Abalov, consideradas insatisfatórias e de baixa qualidade. O projeto seria abortado em dezembro de 1960, e, assim que soube do projeto, através do diretor de fotografia Vadim Yusov, com quem havia trabalhado em O Rolo Compressor e o Violinista, Tarkovsky se candidatou à vaga de diretor, sendo contratado em junho de 1961. Tarkovsky daria toda uma visão pessoal ao projeto, segundo ele, para retratar todo o ódio que ele sentia pela guerra, no que A Infância de Ivan se destacaria, pois seria o primeiro filme soviético a mostrar o impacto da guerra nas vidas do povo comum, ao invés de glorificá-la e centrá-la nos heróis como os filmes produzidos até então. O próprio Bogomolov seria chamado pela Mosfilm para alterar o roteiro de Papava, não só para deixá-lo mais coerente com a visão de Tarkovsky, mas também para deixá-lo mais fiel à história original.

A Infância de Ivan é centrado no menino Ivan Bondarev (Nikolai Burlyaev), de 12 anos de idade, que perde sua família durante um ataque na Segunda Guerra Mundial. Quando os soviéticos se preparam para invadir a Alemanha, então, ele decide acompanhá-los, primeiro para se vingar, depois, por não ter mais para onde ir. O filme estrearia na União Soviética em 6 de abril de 1962, e seria extremamente elogiado, sendo selecionado para concorrer no Festival de Veneza, no qual ganharia o Leão de Ouro, e sendo inscrito pelo governo soviético para concorrer ao Oscar de Melhor Filme em Idioma Estrangeiro - não ficando, porém, dentre os finalistas que concorreram à estatueta. Grandes diretores, como Ingmar Bergman, Sergei Parajanov e Krzysztof Kieslowski, elogiariam o filme, e o citariam como uma influência sobre seus trabalhos.

O segundo filme de Tarkovski, Andrei Rublev, seria finalizado em 1965, mas passaria por vários problemas antes de poder finalmente estrear nos cinemas. O filme conta a história do pintor de mesmo nome (interpretado por Anatoly Solonitsyn), que viveu no século XV e pintava ícones para a Igreja Ortodoxa - que proíbe representações tridimensionais de seres humanos, então, ao invés de estátuas ou pinturas de Cristo e dos santos como ornamentação, usa ícones, que são representações bidimensionais. Escrito por Tarkovsky e Konchalovsky, o filme fazia uma dura crítica à produção de arte sob um regime opressor, e, por isso, cairia na malha fina da censura, que autorizaria apenas uma exibição, em Moscou, em 1966, antes de proibi-lo e ordenar uma pesada edição, que faria com que sua duração fosse reduzida de 205 para 183 minutos.

Andrei Rublev seria convidado para participar do Festival de Cannes em 1966, mas o governo soviético não aceitaria o convite, pois as edições que haviam pedido a Tarkovsky ainda não haviam sido feitas; um novo convite seria feito em 1969, já após as edições, e o governo concordaria, desde que o filme fosse exibido fora do festival - e às quatro da manhã do último dia. Ainda assim, houve uma enorme plateia, que ovacionou o filme ao final, o que levou a organização a premiá-lo com um Prêmio Especial da Federação Internacional dos Críticos de Cinema. Logo após a exibição em Cannes, o filme estrearia em outras cidades da França, e então em outras cidades da Europa; o governo soviético tentaria proibir sua exibição, mas esbarraria nas letras miúdas do contrato: ao autorizar que o filme participasse fora de competição, o governo também estaria autorizando sua estreia em outros cinemas franceses.

Após a estreia no restante da Europa, e sob grande pressão de Tarkovsky para que o filme fosse lançado em circuito, o governo soviético finalmente concordaria que o filme estreasse em todo o país, em 24 de dezembro de 1971 - mas somente em sua versão editada, de 183 minutos. Para mostrar quem é que manda, o governo também proibiria qualquer forma de anúncio de que o filme estava em cartaz - nem mesmo os cinemas podiam pendurar pôsteres do filme. Ainda assim, Andrei Rublev foi um grande sucesso de público, tendo praticamente todas as suas sessões em Moscou e Leningrado (hoje São Petersburgo) esgotadas. Com o tempo, Tarkovsky passaria a gostar mais da versão editada, considerando-a mais enxuta narrativamente, e chegaria a declarar que os cortes não haviam mudado nada do que era importante na história ou na mensagem do filme - o que levou muitos a acreditarem que ele não tinha feito os cortes pedidos pelos censores, e sim aqueles que achava que fariam com que o filme fosse aceito após uma segunda avaliação.

Em junho de 1970, Tarkovsky se divorciaria de Irma Raush, com quem havia tido um filho, Arseny Andreyevich Tarkovsky, em setembro de 1962. Um mês depois do divórcio, ele se casaria com Larissa Pavlovna Kizilova, que havia sido sua assistente de produção durante as filmagens de Andrei Rublev, e com quem ele mantinha um romance secreto desde 1965 - Kizilova, inclusive, seria instrumental para convencer o governo soviético a autorizar a estreia de Andrei Rublev em todo o país, enviando cartas e fazendo telefonemas para pedir que personalidades influentes os ajudassem a fazer pressão. Quando Tarkovsky e Kizilova se casaram, ela já estava grávida do segundo filho do diretor, Andrei Andreyevich Tarkovsky, que nasceria em agosto de 1970.

O filme seguinte de Tarkovsky seria seu mais famoso: Solaris. Baseado no livro homônimo do polonês Stanislaw Lem, com roteiro de Tarkovsky e Fridrikh Gorenshtein, o filme é ambientado quase que inteiramente a bordo de uma estação espacial, que orbita ao redor do planeta Solaris, inteiramente composto por um grande oceano. A estação conta com uma equipe de três cientistas, o Dr. Snaut (Jüri Järvet), o Dr. Sartorius (Anatoli Solonitsyn) e o Dr. Gibarian (Sos Sargsyan), e tem a missão de coletar dados sobre Solaris; a missão, porém, encontra-se interrompida, pois, por algum motivo, os três cientistas passam por crises existenciais que os impedem de realizar seu trabalho. Para averiguar o que está acontecendo, o governo envia para a estação o psicólogo Kris Kelvin (Donatas Banionis), protagonista do filme, que também se verá envolvido em uma estranha trama ao se reencontrar, na estação espacial, com sua falecida esposa, Hari (Natalya Bondarchuk).

Originalmente, o livro era sobre a dificuldade que os humanos teriam ao tentar se comunicar com uma espécie alienígena, mas Tarkovsky decidiria transformar a história em um drama psicológico denso, com uma profundidade que não era encontrada nos filmes de ficção científica até então. Curiosamente, apesar de ser fã do livro, o principal motivo que levaria Tarkovsky a investir na adaptação seria a necessidade de dinheiro - graças ao imbróglio envolvendo seu lançamento, Andrei Rublev só começaria a dar lucro cinco anos após o fim de sua produção, e o roteiro seguinte de Tarkovsky, escrito em 1968, seria rejeitado pela Mosfilm. Sendo Lem um autor aclamado na União Soviética, Tarkovsky sabia que uma adaptação de sua principal obra seria facilmente aprovada pela Mosfilm e renderia uma boa bilheteria; assim, já em 1968, ele entraria em contato com Lem, para garantir os direitos de adaptação e discutir qual o melhor rumo a seguir. O primeiro rascunho do roteiro, feito por Goreshtein, entretanto, seria furiosamente criticado por Lem, pois dois terços da história se passavam na Terra; seria aí que o próprio Tarkovsky decidiria intervir, levando o filme mais para o lado do drama psicológico. Ainda assim, após a conclusão do filme, Lem renegaria a adaptação, alegando que Tarkovsky filmou "Crime e Castigo no espaço", ao que Tarkovsky respondeu que Lem não aprecia cinema, e que desejava ver uma transposição, e não uma adaptação, de sua obra.

Talvez propositalmente, por se tratar de um filme futurista, Tarkovsky escolheria um elenco "internacional" - na verdade, composto por atores vindos de diversas repúblicas soviéticas: Banionis é lituano, Järvet é estoniano, Sargsyan é armênio, Solonitsyn, um dos atores preferidos de Tarkovsky, é russo, e Nikolai Grinko, que também havia trabalhado em A Infância de Ivan e Andrei Rublev, e em Solaris interpreta o pai do Dr. Kelvin, é ucraniano. Inicialmente, para o papel de Hari, Tarkovsky pensaria em sua ex-mulher Raush, mas depois convidaria a sueca Bibi Andersson, uma das mais requisitadas do cinema sueco na época, a quem conhecera em 1970. Encantada pela possibilidade de trabalhar com Tarkovsky, Andersson aceitaria, inclusive, receber seus salário em rublos, mas seu visto de trabalho não seria aprovado pelo governo soviético. Tarkovsky, então, decidiria fazer um teste com Natalya Bondarchuk, filha do diretor Sergei Bondarchuk, a quem conheceu em sua época de VGIK, e, inclusive, foi a primeira pessoa que lhe recomendou que lesse Solaris; na época em que a produção do filme começou, porém, Natalya tinha apenas 19 anos, e Tarkovsky achou que ela seria muito jovem para o papel, mas, gostando de sua atuação, decidiria recomendá-la à colega Larisa Shepitko, que procurava uma protagonista para seu filme Você e Eu. Como a produção de Solaris atrasaria, Você e Eu seria finalizado antes, e Shepitko convidaria Tarkovsky para assisti-lo antes da estreia; ele ficaria tão encantado com a performance de Bondarchuk que mudaria de ideia e lhe daria o papel de Hari. Após a conclusão do filme, Tarkovsky diria, em entrevistas, que Bondarchuk era a melhor atriz do elenco, e que roubou todas as cenas em que apareceu, Vale citar que, além de uma curta carreira de atriz, Natalya Bondarchuk viria a se tornar uma das mais famosas diretoras de filmes infantis da União Soviética e da Rússia, estando na ativa até hoje, com seu último trabalho tendo sido A Rainha do Gelo, de 2015.

As filmagens de Solaris começariam em 1971, novamente com Yusov como diretor de fotografia - mas ele e Tarkovsky brigariam tanto que jurariam jamais trabalhar juntos novamente. As cenas da casa da família de Kelvin seriam filmadas na pequena cidade de Zvenigorod, próxima a Moscou, e as cenas que mostravam uma cidade futurista em Tóquio, Japão, nos bairros de Akasaka e Iikura; o restante do filme seria totalmente filmado dentro dos estúdios da Mosfilm. O oceano de Solaris seria criado com uma mistura de acetona, pó de alumínio e anilina de diversas cores. Para refletir o estado mental dos personagens, a estação espacial, criada por Mikhail Romadin, tinha aparência de mal-cuidada, como se tivesse sido muito usada sem qualquer manutenção, em algumas partes até decrépita, em contraste com as estações espaciais novinhas e brilhantes dos demais filmes de ficção científica de então. A trilha sonora combina várias obras clássicas do compositor Johann Sebastian Bach, executadas por Leonid Roizman, com uma trilha eletrônica composta por Eduard Artemyev.

Solaris estrearia na União Soviética em 20 de março de 1972; dois meses depois, ele concorreria no Festival de Cannes, onde ganharia o Grande Prêmio Especial do Júri, se tornaria o segundo filme de Tarkovsky a ganhar o Prêmio Especial da Federação Internacional dos Críticos de Cinema, e seria indicado à Palma de Ouro, a qual perderia para A Classe Operária Vai ao Paraíso, de Elio Petri. Na União Soviética, o filme estrearia em apenas cinco cinemas em Moscou, mas a procura seria tão grande que ele ficaria em cartaz em todo o país durante nada menos que 15 anos, sem interrupções, somente saindo de cartaz em março de 1987. Solaris é hoje considerado uma das maiores obras-primas da ficção científica de todos os tempos, e um dos melhores filmes produzidos na União Soviética.

O sucesso de Solaris levaria a Mosfilm a aprovar o roteiro que Tarkovsky havia apresentado em 1968, que, com modificações, daria origem a um filme chamado Espelho, que estrearia em 7 de março de 1975. Autobiográfico e onírico, Espelho não é linear, indo e voltando no tempo para contar a história de um poeta à beira da morte, que relembra episódios marcantes de sua vida - que, fazendo jus ao nome do filme, espelham situações vividas pelo próprio Tarkovsky. Escrito por Tarkovsky e Aleksandr Misharin, e protagonizado pela esposa de Tarkovsky, já com o nome de Larissa Tarkovskaya, o filme é um dos mais difíceis de serem compreendidos talvez não da filmografia de Tarkovsky, mas de toda a história do cinema, tanto que foi considerado como "incompreensível" por grande parte da crítica à época de seu lançamento. Para piorar a situação, o governo soviético classificaria Espelho como um filme de "terceira categoria", classificação reservada aos filmes que, na avaliação do governo, desperdiçaram dinheiro público durante sua produção, o que não somente diminuiria as chances de Tarkovsky conseguir financiamento para seu próximo filme, mas também determinava que ele não poderia receber nenhuma parte da bilheteria do filme, com a parte que seria do diretor indo para o governo, e que a distribuição do filme seria restrita a poucas salas de cinema. Após a morte de Tarkovsky, contudo, Espelho se tornaria cult, sendo hoje considerado um dos mais queridos trabalhos do diretor por seus fãs, e um dos mais belos filmes da história do cinema.

Após o insucesso de Espelho, Tarkovsky trabalharia em um roteiro chamado Hoffmanniana, sobre a vida do escritor e poeta alemão E.T.A. Hoffmann, a pedido do estúdio Tallinnfilm. Apesar de o governo soviético tê-lo aprovado em 1976, por motivos jamais explicados, o roteiro nunca seria filmado. Tarkovsky, então, decidiria dar um tempo do cinema e dirigir teatro, mais especificamente uma montagem de Hamlet, que estrearia no Teatro Lenkom, em Moscou, em dezembro de 1976, com Anatoly Solonitsyn no papel principal. Após Hamlet sair de cartaz, Tarkovsky e Misharin trabalhariam em um novo roteiro, chamado Sardor, sobre um homem que tenta encontrar ouro em uma região desértica enquanto protege sua família de um surto de lepra, mas que não seria aprovado pelo governo soviético.

Por volta de 1975, Tarkovsky havia lido o livro Piquenique à Beira da Estrada, dos irmãos Arkady e Boris Strugatsky, lançado em 1971, e o recomendado para seu amigo e também diretor Mikhail Kalatozov, imaginando que ele teria interesse em adaptá-lo para um filme. Kalatozov, entretanto, não conseguiria os direitos de adaptação junto aos irmãos Strugatsky, e acabaria desistindo. Tarkovsky, então, começaria ele mesmo a negociar com os irmãos, planejando fazer com o livro o mesmo que havia feito com Solaris, mantendo a essência da história, mas transformando-a em um drama psicológico denso. Assim teria origem Stalker, segundo filme de ficção científica de Tarkovsky, que estrearia em 31 de maio de 1979.

Em um futuro próximo, porém indefinido, o choque de um meteoro contra a Terra criou um local chamado Zona, onde as leis da física não se comportam conforme deveriam, e cuja exposição prolongada a seus efeitos traz consequências adversas, incluindo a morte. No centro da Zona, porém, há uma casa, e, dentro dessa casa, um Quarto que pode realizar o desejo mais íntimo de quem consiga chegar a seu interior. Devido aos riscos envolvidos, as fronteiras da Zona são protegidas 24 horas por um destacamento militar, autorizado a usar força letal contra quem tente invadi-la. Como a tentação é grande demais, porém, algumas pessoas se especializaram em entrar clandestinamente na Zona e encontrar o caminho para o Quarto, mesmo arriscando sofrerem severos efeitos físicos e psicológicos, incluindo o fato de que seus filhos nascem com sérios defeitos congênitos. Essas pessoas se tornariam conhecidas com Stalkers, e fariam disso um trabalho, recebendo dinheiro para levar outras pessoas até o Quarto; a maioria dos Stalkers, porém, fica viciado nas sensações que experimentam dentro da Zona, e deixam de se sentir à vontade fora dela, estando sempre em busca de trabalho para poder retornar. O filme acompanha um desses Stalkers (Alexander Kaidanovsky), que, apesar dos protestos de sua esposa (Alisa Freindlich), que quer que ele se aposente, é contratado para levar um escritor frustrado (Anatoly Solonitsyn) e um professor em busca de uma grande descoberta científica (Nikolai Grinko) até o Quarto; no caminho, o trio passará por grandes provações, fazendo-os se questionar se a realização de seu maior desejo vale mesmo a pena.

A produção de Stalker também seria complicadíssima. Brigado com Yusov, Tarkovsky contrataria o diretor de fotografia Georgi Rerberg, com quem já havia trabalhado em Espelho. Após passar um ano na Estônia, gravando as cenas externas, a equipe retornaria a Moscou para gravar as cenas de estúdio, mas descobriria que todos os filmes usados haviam sido impropriamente revelados e estavam imprestáveis, o que significava um ano de trabalho perdido. Rerberg alegaria que os laboratórios soviéticos não estavam acostumados com o tipo de filme usado, mas Tarkovsky consideraria que a culpa foi dele e o demitiria, criando inimizade com mais um diretor de fotografia. Tarkovsky ficaria tão chateado ao ver o estado dos negativos que consideraria abandonar a produção do filme, mas, com medo de novas represálias por parte do governo soviético, contrataria um novo diretor de fotografia, Aleksandr Knyazhinsky, com o qual criaria um plano para refilmar todas as cenas perdidas em um espaço bem mais curto de tempo. Novamente, porém, as filmagens das externas levariam quase um ano, já que, em abril de 1978, Tarkovsky sofreria um infarto, que o deixaria afastado da produção. Segundo o produtor do filme, Rashit Safiullin, a versão final de Stalker seria completamente diferente da primeira versão filmada e então perdida; outras pessoas envolvidas na produção do filme, contudo, declarariam para o documentário Rerberg e Tarkovsky: O Outro Lado de "Stalker", lançado em 2009, que ambas as versões eram virtualmente idênticas.

Para representar a Zona no filme, a equipe de produção escolheria uma área ao redor do Rio Jägala, na cidade de Tallinn, capital da Estônia, onde ficavam duas hidrelétricas abandonadas e uma fábrica de pesticidas. Segundo o diretor de som Vladimir Sharun, o rio estava completamente contaminado pelos produtos químicos da fábrica, inclusive com uma espécie de espuma branca que boiava no rio podendo ser vista em várias tomadas do filme. Várias pessoas da equipe ficariam com alergias decorrentes do contato com a água, e se recusariam a retornar para as novas filmagens, sendo demitidas.

Stalker teria boa bilheteria, mas seria incompreendido pela crítica soviética, que o acusaria de ser lento demais. O comitê de cinema do governo soviético também não gostaria do filme, e chamaria Tarkovsky para prestar explicações; ao ser questionado se achava que os espectadores iriam gostar do filme, Tarkovsky teria respondido "eu só estou preocupado com a opinião de duas pessoas, uma se chama Bresson, a outra se chama Bergman", em alusão aos aclamados cineastas Robert Bresson e Ingmar Bergman. A crítica internacional, por outro lado, não pouparia elogios para o filme, que, inclusive, seria um dos selecionados para concorrer no Festival de Cannes; o governo soviético, mais uma vez, só permitiria sua participação se o filme fosse exibido fora de concurso, mas, mesmo assim, os jurados decidiriam dar a Stalker o Prêmio do Júri Ecumênico, instituído em 1974 e dedicado a filmes que "revelam a profundidade do ser humano através do que os preocupa, suas mágoas e suas falhas, bem como suas esperanças". Vale citar que a projeção de Stalker no Festival de Cannes seria interrompida durante aproximadamente uma hora, devido a uma greve dos profissionais que trabalhavam na geração de energia elétrica.

Ainda em 1979, Tarkovsky começaria a trabalhar em Pervyj Dyen ("o primeiro dia"), filme cujo roteiro foi escrito por ele e Konchalovsky, estrelado por Natalya Bondarchuk e Anatoli Papanov, ambientado no século XVIII, durante o reinado de Pedro, o Grande. O filme fazia uma feroz crítica sobre o ateísmo ser oficial na União Soviética, mas, para passar pela censura, Tarkovsky maquiaria esse fato. Na metade das filmagens, porém, o governo soviético descobriria o estratagema, e ordenaria a interrupção imediata do projeto. Revoltado por não conseguir reverter a situação, Tarkovsky teria um acesso de fúria, destruiria toda a filmagem existente até então, e juraria nunca mais filmar na União Soviética.

Antes de começar as filmagens de Pervyj Dyen, Tarkovsky viajaria à Itália para visitar seu amigo e também diretor Tonino Guerra; essa visita daria origem ao documentário Tempo de Viagem, lançado em 1983. Em 1980, ele retornaria à Itália, e ele e Guerra escreveriam o roteiro do filme seguiinte de Tarkovski, Nostalgia - além de bolar o esquema para que Tarkovsky deixasse de vez a União Soviética: Tarkovski ofereceria o roteiro à Mosfilm, que o aprovaria, e pediria autorização ao governo soviético para filmar na Itália, com a ajuda de Guerra. Ao chegar na Itália para as filmagens, em 1982, ele simplesmente não voltaria mais. A Mosfilm eventualmente descobriria o engodo e suspenderia o financiamento do filme, mas Guerra conseguiria que a RAI, a empresa de rádio e televisão pública da Itália, financiasse o restante do projeto. Tarkovsky também conseguiria que a francesa Gaumont o distribuísse, graças ao seu sucesso prévio no Festival de Cannes.

Lançado em 6 de maio de 1983, estreando primeiro na França, Nostalgia conta a história do escritor russo Andrei Gorchakov (o cazaque Oleg Yankovsky), que viaja à Itália para pesquisar sobre a vida de Pavel Sosnovsky, compositor russo do século XVIII que viveu grande parte de sua vida na região da Toscana, e cometeu suicídio ao retornar à Rússia. Acompanhado da guia e intérprete Eugenia (a italiana Domiziana Giordano), ele visita vários lugares de importância para a vida de Sosnovsky, e, em um deles, faz amizade com um estranho homem chamado Domenico (o sueco Erland Josephson), tido como louco pelos habitantes de seu vilarejo. A pesquisa sobre o compositor e a amizade com Domenico farão Gorchakov questionar a sociedade, a humanidade e o conceito de loucura.

Nostalgia ganharia nada menos que três prêmios no Festival de Cannes: o Prêmio do Júri Ecumênico, o Prêmio Especial da Federação Internacional dos Críticos de Cinema, e o Grande Prêmio do Cinema de Criação (equivalente ao prêmio de Melhor Diretor); o filme concorreria à Palma de Ouro, mas Sergei Bondarchuk, que fazia parte do painel de jurados, a mando do governo soviético, fez uma forte campanha para que seus colegas não votassem no filme de Tarkovsky, o que serviu para fortalecer ainda mais sua decisão de jamais voltar a filmar na União Soviética - o prêmio acabaria ficando com A Balada de Narayama, de Shohei Imamura. Apesar do bom desempenho em Cannes, Nostalgia fracassou nas bilheterias e não foi bem recebido pela crítica internacional; hoje, apesar de contar com uma parcela de fãs fiéis, ele é um dos menos conhecidos filmes de Tarkovsky.

Em 1984, durante uma entrevista para falar de Nostalgia e de seu projeto seguinte, O Sacrifício, Tarkovsky anunciaria publicamente sua decisão de jamais retornar à União Soviética, pedindo oficialmente refúgio na Itália. Ele seria oficialmente processado no campo de refugiados da cidade de Latina, próxima a Roma, em 28 de agosto de 1985; ao saber do ocorrido, o governo soviético tomaria os passaportes de seus filhos, proibindo-os de deixar o país.

Tarkovsky seria convidado para filmar O Sacrifício na Suécia, por Anna-Lena Wibom, do Instituto Sueco de Cinema, a quem conheceu em Cannes nos anos 1970, e de quem se tornou amigo e correspondente. O diretor de fotografia seria Sven Nykvist, colaborador frequente de Ingmar Bergman, que recusou um convite para trabalhar em Entre Dois Amores, de Sydney Pollack, pela oportunidade de filmar com Tarkovsky. Também faria parte da equipe a designer de produção Anna Asp, vencedora do Oscar com Fanny e Alexander. Todo o filme seria rodado na região de Närsholmen, na ilha de Gotland, que, em 1986, seria declarada pelo governo sueco como reserva natural e área de proteção ambiental.

O protagonista de O Sacrifício é Alexander (Erland Josephson), ator que desistiu do palco para trabalhar como crítico e jornalista, e mora em uma casa em uma região isolada, com sua esposa Adelaide (Susan Fleetwood) e seus dois filhos, Marta (Filippa Franzén) e Gossen (Tommy Kjellqvist). No dia do seu aniversário, estão em casa os quatro membros da família; a criada, Maria (Guðrún Gísladóttir); o carteiro do vilarejo, Otto (Allan Edwall); Victor (Sven Wollter), médico que realizou uma pequena cirurgia em Gossen, e passou para ver como ele está; e sua enfermeira, Julia (Valérie Mairesse). De repente, é noticiado no rádio que começou uma guerra nuclear, e toda a comunicação cessa. Isolados do mundo e sem saber o que está acontecendo, os ocupantes da casa começam a reavaliar suas vidas, principalmente Alexander, que passa a pôr à prova seus conceitos filosóficos, morais e religiosos.

Lançado na Suécia em 9 de maio de 1986, O Sacrifício renderia a Tarkovsky, em Cannes, seu terceiro Prêmio do Júri Ecumênico, um recorde até hoje não alcançado, além de seu quarto Prêmio Especial da Federação Internacional dos Críticos de Cinema, de seu segundo Grande Prêmio Especial do Júri, e de sua terceira indicação à Palma de Ouro - dessa vez não houve interferência do governo soviético, mas, mesmo assim, Tarkovsky não seria o vencedor, com a estatueta ficando com Roland Joffé por A Missão. O Sacrifício também ganharia o BAFTA (o "Oscar britânico") de Melhor Filme em Idioma Estrangeiro, e seria indicado pelo governo sueco para concorrer ao Oscar de Melhor Filme em Idioma Estrangeiro, não ficando, porém, dentre os cinco finalistas. O filme também seria bem recebido pela crítica, e não faria feio nas bilheterias.

O Sacrifício seria o último filme de Tarkovsky; pouco após o término das filmagens, o diretor seria diagnosticado com uma forma rara de câncer de pulmão, no tubo bronquial direito. Ele se internaria em Paris para o tratamento, e, ao saber de sua doença, o governo soviético daria uma autorização para que seu filho Andrei o visitasse - foi Andrei, inclusive, quem recebeu os prêmios em Cannes em nome do pai, que não poderia estar presente. Apesar de todos os esforços, Tarkovsky não resistiria e faleceria em 29 de dezembro de 1986, aos 54 anos. Ele seria sepultado na França, no cemitério de Sainte-Geneviève-des-Bois. Pouco antes de sua morte, uma grande retrospectiva de seus filmes seria lançada nos cinemas de Moscou, e, após seu falecimento, a revista Iskusstvo Kino, mais importante publicação soviética sobre cinema, dedicaria uma edição inteira à sua obra. Em 1990, ele receberia, postumamente, o Prêmio Lênin, mais importante honraria soviética concedida aos cidadãos que se destacaram nas ciências, literatura, artes, arquitetura e tecnologia. Após o fim da União Soviética, Tarkovsky seria reconhecido como um dos mais importantes diretores de cinema russos, ganhando vários memoriais, estátuas e homenagens, incluindo o Museu Tarkovsky, com objetos pessoais, localizado em Yuryevets.

No início dos anos 1990, surgiria dentre os fãs de Tarkovsky uma teoria de que seu câncer não poderia ter surgido de forma natural, e que, na verdade, ele teria sido envenenado pela KGB, baseada, dentre outras fontes, no testemunho de um dos médicos que o tratou em Paris e no de um ex-agente da KGB que revelou existirem planos para assassinar Tarkovsky sob o argumento de que seus filmes faziam propaganda antissoviética. Além de nada jamais ter sido provado, ainda há outra hipótese, mais plausível: Anatoli Solonitsyn também faleceu do mesmíssimo tipo de câncer, quatro anos antes de Tarkovsky, em 1982, e a esposa de Tarkovsky, Larissa Tarkovskaya, também, mas em 1998, e não consta que o governo soviético quisesse assassiná-los. Em diversas entrevistas, Vladimir Sharun, o já citado diretor de som de Stalker, disse estar convencido de que o câncer foi causado pelo contato com o ar contaminado durante as filmagens na Estônia, e que, provavelmente, mais pessoas da equipe o tiveram, sem que ninguém tenha ficado sabendo. Seja como for, foi uma pena que a vida de um diretor tão criativo tenha sido abreviada dessa forma.

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