segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Metrópolis

Um dos maiores filmes de ficção científica de todos os tempos é mudo, preto e branco, alemão, e tem duas horas e meia de duração. Trata-se de Metrópolis, o tema do post de hoje. Porque eu adoro esse filme, e me deu vontade de falar sobre ele. Simples assim.

Assim como muitos filmes de hoje em dia, Metrópolis é a adaptação de um livro de mesmo nome, escrito por Thea von Harbou e publicado em capítulos ao longo de 1925 na revista Illustriertes Blatt - ganhando uma edição completa no ano seguinte, pela editora Roman. A diferença, no caso, é que von Harbou era esposa de Fritz Lang, o diretor do filme, e escreveu o livro com o único propósito de que ele fosse adaptado para o filme. Mais que isso, as filmagens começaram antes da publicação do primeiro capítulo, o que permitiu que a Illustriertes Blatt ilustrasse cada capítulo com cenas do filme - ou seja, o livro era praticamente uma jogada de marketing, permitindo aos leitores se empolgar com o filme aos poucos. Apesar desse método pouco ortodoxo, o livro tinha bastante valor: inspirado nas obras de Karel Capek e H.G. Wells, e escrito no estilo do expressionismo alemão, agradaria grande parte da crítica, inclusive estrangeira, o que motivaria uma edição em língua inglesa - algo raro para romances da Alemanha da época, principalmente de ficção científica - lançada nos Estados Unidos e Reino Unido em 1927, pouco antes do filme.

Von Harbou também colaboraria com Lang na confecção do roteiro, que, propositalmente, omite algumas passagens do livro que fazem referência a magia e ocultismo, focando apenas nos aspectos de ficção científica. Lang também omitiria as motivações de alguns dos personagens - simples de se descrever em um livro, mas complicadas em um filme mudo - e mudaria o final, para que aqueles que fossem ao cinema se sentissem prestigiados. Ao todo, o roteiro passaria por três revisões antes de ficar ao gosto do casal - incluindo uma na qual, no final, o protagonista usaria um foguete para alcançar as estrelas, premissa que von Harbou usaria em seu livro seguinte, A Mulher na Lua.

Segundo Lang, sua principal inspiração para o filme viria de uma visita que fez à cidade de Nova Iorque, em 1924. Lá, ele ficaria impressionado com os arranha-céus da cidade, ainda escassos na Europa, e que, segundo ele, pareciam extremamente leves, como se pendurados no céu da cidade. Diante dessa impressão, ele conceberia uma cidade futurista, de prédios mais altos do que o olhar consegue alcançar, mas vielas estreitas onde ainda resistem casas e onde a vida de seus moradores passa despercebida.

Vale citar, aliás, antes que comecemos a falar demais do filme e esse comentário já não caiba, que, apesar de ter ficado famoso por seus trabalhos no cinema alemão, Fritz Lang não era natural daquele país, tendo nascido em Viena, à época capital do Império Austro-Húngaro, em 5 de dezembro de 1890. Filho de um arquiteto, ele tentaria se formar em engenharia civil, mas a abandonaria para estudar belas-artes e se dedicar aos roteiros de cinema, escrevendo os primeiros enquanto servia ao exército durante a Primeira Guerra Mundial, na qual foi enviado à Romênia e à Rússia. Ao retornar a Viena, após o fim da guerra, ele começaria a atuar no Teatro Vienense; lá, ele conheceria Erich Pommer, dono de uma companhia de produção de filmes cinematográficos baseada em Berlim. Lang mostraria seus roteiros a Pommer, que o contrataria e o levaria para a Alemanha, onde ele faria sua carreira, começando já em 1917 com o roteiro do filme Die Peitsche ("o chicote"). Sua primeira oportunidade na direção viria quando ele começou a trabalhar para o estúdio UFA, onde, após vender o roteiro do filme Halbblut ("mestiço"), seria convidado para também dirigi-lo, em 1919. Lang se mudaria para os Estados Unidos pouco antes da Segunda Guerra Mundial, em 1936, e seria contratado pela MGM, continuando a dirigir filmes até 1960. Ele faleceria em 1976, em sua casa em Beverly Hills, aos 85 anos. A causa da morte jamais seria revelada. Ao todo, ele escreveria 26 filmes, e dirigiria 42.

Metrópolis também seria uma produção da UFA, que reservaria um milhão e meio de marcos para o projeto. Devido à grandiosidade dos cenários e aos efeitos especiais necessários, Lang optaria por usar um elenco composto por atores amadores, para poder pagar salários mais baixos - o protagonista, Gustav Fröhlich, era jornalista de profissão, e seu par romântico, Brigitte Helm, uma estudante de 19 anos em seu primeiro papel como atriz. A trilha sonora seria composta por Gottfried Huppertz, amigo de longa data de Lang, e que, segundo boatos, trabalhou de graça; Huppertz se inspiraria em Wagner e Strauss para compor as músicas do filme, mas adicionaria elementos modernistas para que a trilha combinasse com a paisagem de uma cidade futurista.

Os efeitos especiais, a cargo de Eugen Schüfftan, foram considerados à frente de seu tempo, e incluíam filtros criados especialmente por ele, uma câmera pendurada em um balanço, e uma técnica que consistia em usar espelhos para criar a ilusão de que os atores estavam caminhando por cenários que, na verdade, eram maquetes e miniaturas - técnica que hoje é conhecida como Processo Schüfftan, e foi utilizada, por exemplo, por Alfred Hitchcock em seu filme Chantagem e Confissão, de 1929.

A androide Maria - talvez o personagem mais famoso do filme, e um dos autômatos mais famosos do cinema - seria uma criação do escultor Walter Schulze-Mittendorff, que tiraria um molde de gesso do corpo de Helm e construiria a fantasia por sobre esse molde. Enquanto experimentava diversos materiais, Schulze-Mittendorff encontraria, por acaso, uma substância plástica usada por carpinteiros para preencher espaços entre peças de madeira, que criaria justamente o efeito que ele estava procurando, se parecendo com metal no filme, mas permitindo que a atriz se movimentasse; ainda assim, a fantasia era rígida e desconfortável, o que fez com que a atriz ganhasse cortes e hematomas durante as filmagens, e quase morresse sufocada em uma cena na qual havia fumaça no estúdio.

Lang, aliás, era extremamente perfeccionista, e não somente exigia que os atores regravassem cada cena diversas vezes até que ela ficasse de seu agrado, como também insistia em usar fogo e água em quantidades reais ao invés de truques para parecer que havia mais desses elementos em cena - para uma delas, por exemplo, alguns atores e mais de 500 crianças que atuavam como figurantes tiveram que gravar durante 14 dias dentro de uma piscina de água gelada; em outra os figurantes foram atingidos por poderosos jatos d'água, que chegavam a jogá-los para trás; e, na tal cena que envolvia fumaça, uma gigantesca fogueira foi acesa dentro do estúdio, chegando a fazer com que a cauda do vestido de Helm pegasse fogo.

Todo esse perfeccionismo, evidentemente, teve um preço: Metrópolis levaria mais de um ano para ser filmado, com as filmagens começando no início de 1925 e somente terminando no final de 1926, e o orçamento seria mais do que estourado, com o custo final passando de 5 milhões de marcos.

O filme é ambientado cem anos no futuro, no ano de 2026, em uma imensa cidade conhecida apenas como Metrópolis, onde os ricos vivem de forma abastada, mas os pobres devem trabalhar dia e noite para que tudo funcione como deveria. Um dia, um jovem rico de nome Freder (Fröhlich), filho do prefeito da cidade, Joh Fredersen (Alfred Abel), está em um dos jardins reservado para os ricos, quando uma jovem pobre de nome Maria (Helm) surge com um grupo de crianças também pobres, para mostrar-lhes como vivem os ricos. Maria e as crianças são logo enxotadas, mas Freder fica impressionado com a coragem da moça, e decide segui-la até a porção da cidade onde vivem os pobres. Impressionado com o que encontra, e disposto a reencontrar Maria, Freder passa a fazer das visitas à parte pobre da cidade um hábito, o que desagrada seu pai, que ordena que um misterioso homem, conhecido apenas como Magro (Fritz Rasp) o siga e vigie seus passos.

Enquanto isso, um cientista de nome Rotwang (Rudolf Klein-Rogge), trabalha para criar um ser humano artificial, o qual chama de Maschinenmensch (o "homem-máquina"). Há muitos anos, Rotwang foi apaixonado por uma mulher chamada Hel, que o deixou para se casar com Fredersen, morrendo ao dar a luz a seu único filho - Freder, que desconhece essa história. Querendo recuperar seu amor, Rotwang planeja dar a seu androide a aparência de Hel.

Espionando Freder, Magro acaba descobrindo que Maria acredita em uma profecia segundo a qual um homem surgirá e unirá ambas as classes, ricos e pobres, e Freder, ao escutar essa história, acredita ser ele o escolhido, e, declarando seu amor por Maria, passa a trabalhar junto com ela. Magro informa esse ocorrido a Fredersen, que procura Rotwang e exige que ele dê ao Maschinenmensch a aparência não de Hel, mas de Maria, e o programe para criar confusão e desordem, para desacreditar Maria e fazer com que Freden perca o interesse nela. Rotwang concorda, mas, sem que Fredersen saiba, planeja usar o androide também para matar Freder, em vingança por Hel tê-lo trocado por Fredersen.

De fato, a falsa Maria (evidentemente também interpretada por Helm; a aparência icônica da androide é, na verdade, seu interior, com seu exterior tendo aparência humana) causa intrigas entre os trabalhadores, que geram pânico e destruição na cidade, enquanto a verdadeira é mantida cativa por Rotwang. Freder, entretanto, ao invés de desistir dela e voltar para a parte rica da cidade, se convence de que algo está errado com ela, e tenta fazê-la voltar a si. Em meio à confusão, explode uma revolta que mudará o destino da própria cidade.

Apesar de todo o prestígio do qual goza hoje, Metrópolis foi rechaçado pela crítica da época, que o considerou pouco inspirado, sem imaginação, longo demais e desnecessariamente filosófico, dentre outras reclamações. Um dos mais contundentes críticos foi justamente H.G. Wells, que acusou Lang de plagiar não somente sua obra The Sleeper Awakes (até onde eu saiba, sem título em português), mas também Frankenstein, de Mary Shelley, e escreveu uma longa resenha para o jornal The New York Times, a qual conclui dizendo que Metrópolis era o filme mais bobo jamais feito. Curiosamente, o filme agradaria ao Partido Nazista, com Joseph Goebbels elogiando sua "mensagem de justiça social" e declarando em um discurso em 1928 que o filme previa uma época na qual os trabalhadores tomariam o poder.

O filme também sofreria nas mãos de seus distribuidores. Acreditando que ele seria um sucesso internacional, a UFA convenceria a Paramount e a MGM a investir em sua produção, cedendo, em troca, os direitos de distribuição nos Estados Unidos e no Reino Unido, respectivamente, para esses dois estúdios. O problema foi que, para fazer crescer os olhos dos parceiros, a UFA incluiu no contrato uma cláusula segundo a qual a Paramount e a MGM poderiam fazer quaisquer alterações na edição do filme que julgassem apropriadas para obter o retorno financeiro esperado. Como veremos em breve, isso não se mostrou uma boa ideia.

A versão considerada original de Metrópolis estrearia em Berlim no dia 10 de janeiro de 1927, sob aplausos da plateia nas cenas mais emocionantes, e teria 153 minutos - um pouquinho a mais que duas horas e meia. A Paramount e a MGM, como era de se esperar, acharam o filme muito longo, e contrataram o dramaturgo Channing Pollock para escrever uma nova versão do filme, mais curta, e que pudesse ser montada apenas utilizando as cenas originais, sem que novas cenas precisassem ser filmadas. Pollock cortaria quase a metade do filme, incluindo todas as referências a Hel - simplesmente por achar que, tendo seu nome a mesma pronúncia de hell ("inferno", em inglês), o público "se sentiria incomodado"; por que não lhe ocorreria de simplesmente mudar o nome da personagem, já que se tratava de um filme mudo, e seu nome só aparecia escrito mesmo, não faço ideia - o que fez com que a motivação de Rotwang para construir o Maschinenmensch fosse desconhecida do público, transformando-o simplesmente em um cientista louco qualquer. Para poder adequar a história à sua nova versão, Pollock também alteraria o texto de muitos dos intertítulos (aquelas telas pretas nas quais a narração e os diálogos aparecem escritos nos filmes mudos), o que fez com que muito da crítica social presente no original se perdesse. No fim, a versão de Pollock ficaria com 115 minutos - menos de duas horas - e estrearia nos Estados Unidos e Reino Unido em março de 1927.

Um mês depois, em abril, o nacionalista Alfred Hugenberg se tornaria presidente da UFA, e seu primeiro ato seria cancelar o contrato com a Paramount e a MGM, o que impediu o filme de ser exibido fora da Alemanha. Seu segundo ato foi interromper todas as exibições do filme na Alemanha, e o terceiro foi ordenar uma nova edição do filme, que removesse todas as cenas que ele considerasse de temática comunista ou religiosa. Essa terceira versão do filme teria 118 minutos, e estrearia nos cinemas da Alemanha em agosto de 1927.

Mas, por incrível que pareça, a versão que, durante muito tempo, foi a única conhecida do filme, é ainda mais curta. Após a saída de Hugenberg da presidência, em 1935, a UFA voltaria a negociar com estúdios estrangeiros, principalmente com a Paramount, para que o filme pudesse voltar a ser exibido fora da Alemanha. Dentre as exigências da Paramount, como vocês devem ter imaginado, estava a de que o filme ficasse ainda mais curto. A própria UFA, então, prepararia uma versão de apenas 91 minutos - praticamente uma hora e meia - que estrearia na Alemanha e nos Estados Unidos em janeiro de 1936. Para todos os efeitos, essa era a versão considerada "oficial" do filme, a que está preservada na Biblioteca do Congresso norte-americano - que guarda cópias de todos os filmes considerados relevantes para a história do cinema - e a única que podia ser encontrada em home video até o ano de 2002.

Isso porque, com o advento da Segunda Guerra Mundial, os rolos originais de Metrópolis se perderam, de forma que os da versão de 91 minutos, durante muito tempo, foram os únicos que existiam. Durante anos, se imaginou que os rolos originais haviam sido destruídos ou reciclados - era comum na época derreter filmes antigos para fazer, acreditem ou não, solas de sapato - até que, no início da década de 1980, novas partes do filme foram descobertas preservadas na Itália. O compositor e produtor musical italiano Giorgio Moroder as adquiriria em leilão, e as usaria para editar uma nova versão de Metrópolis, que lançaria em agosto de 1984.

Se considerarmos apenas as cenas do filme, a versão de Moroder era a mais completa existente até então. O problema foi que ele decidiu inventar, adicionando novos efeitos especiais, substituindo os intertítulos por legendas, aumentando o frame rate do filme - a velocidade com a qual cada quadro é exibida - e criando uma nova trilha sonora, que substituía as músicas instrumentais compostas por Huppertz por canções contemporâneas, interpretadas por Pat Benatar, Bonnie Tyler, Jon Anderson, Adam Ant, e até mesmo Freddie Mercury. Como se isso já não bastasse, as canções ainda eram de qualidade duvidosa, o que fez com que a versão de Moroder fosse extremamente criticada. O uso de legendas e o frame rate mais veloz também fariam com que a versão de Moroder, embora a mais completa, fosse também a mais curta até então, com apenas 80 minutos - menos de uma hora e meia.

Apesar de todos os problemas, a versão de Moroder faria um relativo sucesso nos cinemas dos Estados Unidos e da Europa, o que motivaria o historiador alemão Enno Patalas, especializado em filmes antigos, a tentar uma reconstrução ainda mais fiel. A partir de 1986, vários fragmentos dos rolos originais de Metrópolis começaram a ser descobertos não somente na Europa, mas também nos Estados Unidos, algo que pode ter sido motivado pela exposição na mídia do filme de Moroder. Patalas não poupou esforços para localizar todos esses fragmentos, e, em conjunto com a Fundação F.W. Murnau, mais importante organização dedicada à preservação de filmes cinematográficos da Alemanha, e com a Kino International, distribuidora de filmes sediada em Nova Iorque e detentora dos direitos de Metrópolis desde meados da década de 1990, tentou adquirir todos eles para poder recriar o filme da forma como Lang o havia imaginado.

Patalas não conseguiu, mas chegou perto: lançada em julho de 2002, após anos de reconstrução, remasterização e limpeza digital, além da regravação da trilha sonora original de Huppertz por uma nova orquestra, a versão da Kino ganharia o subtítulo de "Versão Restaurada Autorizada", e contaria com 118 minutos de duração - um pouquinho menos de duas horas. Através de uma rara cópia do roteiro original, a Kino pôde determinar quais cenas estavam faltando, e incluir novos intertítulos que as explicavam. Essa versão seria lançada de forma limitada nos cinemas, mas ganharia um lançamento em DVD com uma grande campanha de marketing, o que ajudaria os fãs de ficção científica a redescobrir o filme, e permitiria aos críticos serem mais bonzinhos que os de 1927. Grande parte da fama de Metrópolis, aliás, vem dessa versão restaurada.

Ainda existe uma versão mais recente e mais completa, porém: em julho de 2008, seria descoberto na Argentina, mais precisamente no Museo del Cine de Buenos Aires, uma cópia em 16 mm do filme original (que foi filmado em 8 mm). Essa cópia estava na Argentina desde 1927, tendo sido levada para lá para ser exibida nos cinemas, o que não ocorreu devido à proibição imposta por Hugenberg; no ano seguinte, ela seria vendida para um colecionador particular, que, ao morrer, a deixaria para uma fundação de artes, que, ao encerrar suas atividades, a doaria para o museu, onde ficaria esquecida durante anos. Um dia, por um acaso, um dono de um cineclube a pegaria emprestada, e, ao devolvê-la, comentaria com o curador do museu, Fernando Martin Peña, que o filme era muito mais longo do que ele se lembrava. Intrigado, Peña, que também é historiador e colecionador de filmes antigos, decidiu examinar o rolo, e constatou, maravilhado, que se tratava da obra original, de 153 minutos.

A cópia encontrada na Argentina, entretanto, estava terrivelmente mal-conservada (o que não é de se espantar, se levarmos em conta a história de como ela foi parar no Museo del Cine), com alguns trechos impossíveis de serem assistidos. Um trabalho meticuloso de restauração começaria a ser feito para tentar resgatar a maior quantidade de cenas possível, mas uma nova versão restaurada talvez não fosse viável se não fosse pela descoberta de outra cópia em 16 mm - ocorrida três anos antes.

Em 2005, o historiador neozelandês Michael Organ estava fazendo uma pesquisa no Arquivo Nacional de Cinema da Nova Zelândia quando encontrou uma cópia de Metrópolis. Ao examiná-la, Organ percebeu que a cópia continha cenas que ele não conhecia, e tentou, sem sucesso, conseguir uma autorização para retirá-la do Arquivo. Ao tomar conhecimento da descoberta da cópia argentina, e do processo de restauração que estava começando, Organ entraria em contato com os restauradores, e os alertaria sobre sua descoberta. Os restauradores conseguiriam a autorização do Arquivo, e também usariam a cópia neozelandesa na restauração.

Ao todo a cópia neozelandesa tinha 11 cenas que puderam ser usadas ao invés das presentes na cópia argentina, por estarem em melhor estado de conservação. Duas das cenas, entretanto, uma na qual Rotwang e Fredersen lutam, e uma que mostra um monge rezando na Catedral, estavam em péssimo estado em ambas as cópias, e não puderam ser restauradas. Após o término da restauração, essa mais recente versão, considerada, até agora, a definitiva, ficaria com 148 minutos - pouco menos de duas horas e meia, e apenas cinco minutos a menos que a original, por conta dessas duas cenas. Ela seria exibida em vários festivais de cinema em 2010, e hoje pode ser encontrada em DVD e Blu-ray com o nome de The Complete Metropolis.

É pouco provável que outra cópia, contendo justamente essas duas cenas, apareça, então essa ficará sendo a versão definitiva do filme. E não deixa de ser impressionante que ela só tenha vindo a existir por pura obra do acaso.

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