segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Smurfs

Recentemente, eu assisti ao filme dos Smurfs. Ainda não havia me interessado em assisti-lo durante esse tempo todo porque, quando soube que a história envolvia os Smurfs atravessando um portal e vindo parar em Nova Iorque, achei que seria um novo Mestres do Universo - aquele filme com o Dolph Lundgren no qual o He-Man, o Esqueleto e mais alguns personagens, incluindo um anão que nem existia no desenho, atravessam um portal e vêm parar na Califórnia. Sério, por que insistem em fazer isso? Qual a dificuldade de se fazer um filme do He-Man ambientado em Etérnia?

Digressões à parte, eu nem achei o filme dos Smurfs ruim. Na verdade, achei até bastante divertido. E assisti-lo, como vocês devem ter imaginado, me deixou com vontade de escrever um post sobre os Smurfs, até porque eu gostava bastante do desenho quando era criança. Assim, a conclusão inevitável é a de que hoje é dia de Smurfs no átomo.


Duas coisas que eu aposto que vocês não sabiam sobre os Smurfs: primeiro, eles não foram inventados nos Estados Unidos, mas na Bélgica, e, segundo, eles não foram criados nos anos 1980, mas em 1958. Seu criador é o cartunista belga Peyo, cujo nome verdadeiro era Pierre Culliford. Na década de 1950, Peyo trabalhava para a revista Spirou, que publicava uma história em quadrinhos chamada Johan et Pirlouit, da qual Peyo era criador, roteirista e desenhista. Ambientadas em um mundo de fantasia medieval, as histórias eram protagonziadas por Johan, um jovem pajem que almeja se tornar cavaleiro, e seu melhor amigo, o anão Pirlouit. Em 1958, Johan e Pirlouit protagonizaram uma história na qual buscavam encontrar uma flauta mágica, na qual conheceram o mago Homnibus. Seguindo as instruções do mago, eles encontrariam uma estranha criatura, um homenzinho azul de poucos centímetros de altura e vestido de branco, que se identificou como um "Schtroumpf", e os levou até sua aldeia, onde viviam vários outros Schtroumpfs, incluindo um líder, que tinha uma espessa barba branca e vestia vermelho - pelo simples fato de que Peyo achou que a barba branca não combinava com a roupa branca.

Essa história, publicada em 23 de outubro de 1958 e hoje considerada a primeira dos Smurfs, fez um enorme sucesso, e logo os leitores começaram a pedir por mais aventuras com a participação das criaturinhas. Assim, em 20 de janeiro de 1959, a Spirou publicaria, pela primeira vez, uma história solo dos Smurfs, a qual se seguiriam não só muitas mais, mas também o lançamento de muito merchandising associado, principalmente brinquedos. Em pouco tempo, os Smurfs se tornaram um grande sucesso não só entre as crianças, mas também entre adultos.

E como os Schtroumpfs viraram Smurfs? Peyo teve a ideia de criá-los após um jantar com seu amigo André Franquin. A Bélgica, para quem não sabe, possui dois idiomas oficiais, o francês e o holandês, sendo que, dependendo da região do país, um dos dois é predominante. Peyo nasceu em Bruxelas, onde o francês é predominante, mas, por força da família de sua mãe, era mais acostumado com o holandês, enquanto Franquin praticamente só falava francês. Durante o jantar, Peyo quis pedir para que Franquin passasse o sal, mas se esqueceu de como era "sal" em francês (sel; antes que alguém pergunte, em holandês é zout). Por algum motivo, ele resolveu inventar, e pediu "por favor, passe o schtroumpf". Franquin achou graça e lhe deu o sal, dizendo "aqui está o schtroumpf; depois que você schtroumpfar, me schtroumpf de volta". Peyo foi para casa pensando naquela "conversa", e decidiu criar os Schtroumpfs, criaturinhas que substituem várias palavras de seu dia a dia pela palavra "schtroumpf".

Mas "Schtroumpf" era uma palavra de som francês, e, vivendo na Bélgica, Peyo precisaria publicar suas histórias também em holandês - e, se fosse seguir as regras de pronúncia do holandês, o som de "schtroumpf" sairia completamente diferente. Assim, ele criaria uma palavra parecida, Smurfen, para batizar os personagens em holandês. Como Smurf era um nome mais simples que Schtroumpf, acabaram optando por esse nas versões internacionais que começaram a ser lançadas na Europa nos anos seguintes.

Vale comentar, também, que, por causa de sua origem holandesa, na grande maioria dos países o nome dos Smurfs é pronunciado como nós o pronunciamos ("ismúrfe", que é a pronúncia em holandês), enquanto nos de língua inglesa a pronúncia é um pouco diferente ("ismârfe"). Na Alemanha, eles são conhecidos como Schlümpfe, porque strumpf, em alemão (que se pronuncia exatamente como "schtroumpf" em francês) significa "meia", daquela de calçar no pé. Na Espanha e América Latina eles são conhecidos como Pitufos, pois são parecidos com pequenos duendes do folclore da Catalunha chamados "patufets". E, apenas para completar as informações linguísticas, quando foram lançados em histórias em quadrinhos no Brasil, antes do desenho, eles se chamava Strunfs, e em Portugal, até o lançamento do filme, eram conhecidos como Estrumpfes.

Os Smurfs fizeram tanto sucesso que permitiram a Peyo abrir seu próprio estúdio em 1960, através do qual ele não somente trabalharia em suas próprias histórias, mas também daria chance a novos roteiristas e desenhistas belgas. Peyo atuava mais como um gerente e supervisor, e praticamente só trabalhava nas histórias de Johan et Pirlouit, com as histórias dos Smurfs ficando a cargo de diferentes artistas. A parte de editoração ficava a cargo de seu filho, Thierry, enquanto a parte do merchandising ficava a cargo de sua filha, Véronique. A publicação era feita pela editora Dupuis.

Originalmente, as histórias dos Smurfs eram publicadas em álbuns, forma comum de publicação na Europa, através da qual também eram publicadas, por exemplo, as histórias de Asterix e Tintin. Esse tipo de álbum não tem nada a ver com figurinhas, sendo uma espécie de "livro em quadrinhos", com capa dura e tudo - e, assim como todo livro, não tem periodicidade definida, sendo lançado apenas quando fica pronto, não importa quanto tempo leve. Ao todo, desde 1960, 30 álbuns dos Smurfs já foram publicados, 16 deles tendo a participação de Peyo como roteirista, desenhista ou ambos. Histórias "soltas", que não faziam parte das dos álbuns, também seriam publicadas na Spirou, como parte de uma revista dos Smurfs, lançadas na Europa na década de 1970, e como tirinhas de jornal em vários países.

Os Smurfs são criaturinhas bem simples: todos eles são azuis, pequeninos (oficialmente, um Smurf tem "a altura de três maçãs", mas eles são, na verdade, bem menores que isso, com por volta de dez centímetros de altura; isso ocorre porque a expressão em francês haut comme trois pommes é apenas uma expressão idiomática usada para dizer que uma coisa é pequena, mas acabou sendo traduzida literalmente como se fosse a medida da altura real dos Smurfs) e vestem uma espécie de meia-calça (já que é uma calça com os sapatos já presos no final das pernas) com um buraco atrás para passar um rabinho redondo, e um barrete frígio, espécie de chapéu mole de origem turca, que acabou se tornando um símbolo de liberdade após ser usado pelos republicanos durante a Revolução Francesa. A roupa de todos os Smurfs é branca, exceto a do Papai Smurf, o líder, que usa roupa vermelha.

A princípio, todos os Smurfs são homens, e, na aldeia, originalmente, existiam 100 deles - 99 Smurfs mais o Papai Smurf. Cada Smurf é batizado de acordo com sua principal característica - o Desastrado é desastrado, o Ranzinza reclama de tudo, o Gênio é mais inteligente que os demais - e alguns deles possuem alterações na roupa para refletir essas características - o Habilidoso usa uma jardineira ao invés da meia-calça e tem um lápis atrás da orelha, o Vaidoso tem uma flor no chapéu, o Cozinheiro usa chapéu de chef e avental. Todos os Smurfs vivem na Aldeia dos Smurfs, em casas escavadas no interior de cogumelos, e se alimentam, principalmente, de smurfrutinhas, pequenas frutas redondas que crescem na região. Outra característica intrínseca dos Smurfs é sua linguagem: eles tendem a substituir qualquer adjetivo ou verbo pela palavra "smurf", criando frases como "não smurfe a minha casa" ou "esse bolo está muito smurf".

A maioria das histórias dos Smurfs tem aventuras envolvendo a vida na Aldeia, como uma barragem que corre o risco de se romper ou a colheita de smurfrutinhas sendo menor que o esperado; em algumas delas, porém, eles enfrentam um inimigo terrível: o feiticeiro Gargamel, que vive em uma choupana próxima e quer usar os Smurfs em uma fórmula que o permitirá transformar qualquer material em ouro. Gargamel descobriu os Smurfs acidentalmente, e não consegue encontrar sua aldeia porque ela está protegida por um encantamento, segundo o qual nenhum humano consegue chegar até ela a menos que seja levado até lá por um Smurf. Gargamel é atrapalhado e não é muito esperto, mas realmente possui poderes mágicos - tanto que conseguiu criar a Smurfette, originalmente a única Smurf do sexo feminino, para se infiltrar na Aldeia e levá-lo até lá; seu plano não deu certo, porém, e a Smurfette acabou adotada pelos Smurfs, se tornando um deles. Gargamel também possui um gato, Cruel, que em alguns momentos é mais esperto que ele, e que parece querer comer os Smurfs ao invés de entregá-los a seu dono.

Durante uns vinte anos, os Smurfs permaneceram restritos a um cantinho da Europa - Bélgica, Holanda, Luxemburgo e França - com a internacionalização de seu sucesso ocorrendo apenas no final da década de 1970, e motivada pela gravação, em 1977, de um compacto com duas músicas, Ga je mee naar Smurfenland (algo como "quem quer ir à Terra dos Smurfs?") e o Tema dos Smurfs (na-na-naná-naná), pelo cantor holandês Pierre Kartner, usando o pseudônimo de Father Abraham. Originalmente gravado para ser apenas mais um merchandising associado, o compacto faria um enorme sucesso, e chegaria ao topo da lista dos mais vendidos em nada menos que 15 países europeus e no Japão.

Um ano antes do lançamento do compacto, em 1976, o produtor norte-americano Stuart R. Ross viajaria à Bélgica e teria contato com as histórias em quadrinhos e diversos outros produtos que retratavam os Smurfs. Vendo uma oportunidade de negócios, ele entraria em contato com Peyo para conseguir uma licença para produzir merchandising dos Smurfs nos Estados Unidos. A primeira linha de brinquedos seria lançada pela empresa californiana Wallace Berrie and Co. quase que simultaneamente ao lançamento do compacto nos Estados Unidos, o que faria com que ela fosse um grande sucesso, já que as crianças, adorando a música, pediriam para seus pais comprar também os brinquedos. Uma dessas crianças seria a filha do presidente da rede de televisão NBC, Fred Silverman, que tinha uma grande coleção de bonecos, o primeiro comprado por ele durante uma viagem por acaso, ao achar que seria um presente diferente para ela. Ao observar os bonecos e o interesse que as crianças demonstravam por eles, Silverman chegaria à conclusão de que um desenho dos Smurfs seria a adição perfeita à sua grade de programação das manhãs de sábado. Ele entraria em contato com os estúdios Hanna-Barbera, e, assim, nasceria o desenho dos Smurfs.

O desenho era uma co-produção da Hanna-Barbera com o estúdio belga SEPP, e tinha Peyo como consultor das histórias - a maioria das histórias teria roteiro original, aprovado por Peyo, com apenas algumas sendo adaptações das histórias já existentes. A primeira temporada, que estrearia em 12 de setembro de 1981, teria 26 episódios, mas em um esquema bastante curioso: foram produzidos 13 episódios de 22 minutos cada e 26 episódios de 11 minutos cada, sendo que dois episódios de 11 minutos eram sempre exibidos juntos e contavam, oficialmente, como um único episódio (por isso o total de 26 episódios, e não 39). Além disso, a cada dia eram exibidos dois episódios (na verdade três, já que eram sempre um de 22 e dois de 11 minutos por dia), em um bloco de 40 minutos (33 de desenho e 7 de anúncios), o que fez com que toda a primeira temporada fosse exibida em apenas 13 sábados, se encerrando em 5 de dezembro.

Mesmo com esse esquema maluco, o desenho fez um enorme sucesso, se tornando uma das maiores audiências da história das manhãs de sábado e tranformando os Smurfs em verdadeiros ícones da cultura pop. Para comemorar, a NBC encomendou um "Especial de Primavera", um desenho de 45 minutos que foi ao ar em 8 de abril de 1982, e uma segunda temporada, de mais 36 episódios (na verdade, 27 episódios de 22 minutos cada e 18 episódios de 11 minutos cada, com mais uma vez os de 11 minutos exibidos dois a dois e cada dupla contando como um único episódio). Para aproveitar a audiência, a NBC decidiria aumentar o tamanho do bloco para 80 minutos (66 de desenhos e 14 de anúncios), exibindo três episódios por sábado (sendo que, na verdade, podiam ser até seis, se fossem três duplas de episódios de 11 minutos), com toda a temporada sendo exibida em 12 sábados, de 18 de setembro a 4 de dezembro de 1982. Em 12 de dezembro iria ao ar mais um episódio de 45 minutos, um Especial de Natal.

Mais um episódio especial de 45 minutos iria ao ar em 13 de fevereiro de 1983, um Especial de Dia dos Namorados (que, nos Estados Unidos, é comemorado no dia 14 de fevereiro, e não 12 de junho como aqui). Em 17 de setembro, estrearia a terceira temporada, com mais 32 episódios (na verdade 9 episódios de 22 minutos e 46 episódios de 11 minutos cada), mais uma vez exibidos três a três, exceto em 22 de outubro, quando só foram exibidos dois. Um novo Especial de Dia dos Namorados, de 45 minutos, foi ao ar em 13 de fevereiro de 1984, seguido de um Especial das Olimpíadas, de 30 minutos, em 20 de maio (para aproveitar que as Olimpíadas daquele ano seriam em Los Angeles, nos Estados Unidos) e a estreia da quarta temporada, em 15 de setembro, com mais 26 episódios (ou 4 de 22 minutos e 44 de 11 minutos), mais uma vez exibidos de três em três, exceto no último dia da temporada, 17 de novembro, quando só foram exibidos dois.

A quinta temporada traria novos personagens, os Smurflings, Smurfs que foram rejuvenescidos por magia e se tornaram crianças. Os Smurflings existiam nas histórias em quadrinhos, mas a Hanna-Barbera achou melhor não introduzi-los de pronto para ter uma espécie de carta na manga para quando quisesse colocar uma novidade no desenho; isso faria, por outro lado, com que muita gente achasse que os Smurflings foram criados especialmente para o desenho, e até com que protestassem contra sua inclusão. Além dos Smurflings, a quinta temporada introduziu o Vovô Smurf, que tem uma barba ainda maior que a do Papai Smurf, usa óculos e uma roupa amarela; e nela o Bebê Smurf, personagem introduzido ainda na primeira temporada, mas praticamente esquecido desde então, passaria a ter um papel mais ativo. A quinta temporada teria apenas 24 episódios (8 de 22 minutos e 32 de 11 minutos) exibidos três a três em oito datas, entre 21 de setembro e 9 de novembro de 1985.

Enquanto a quinta temporada estava no ar, a Hanna-Barbera produziu um desenho dos Smurfs para o cinema, com 60 minutos de duração, chamado A Grande Aventura dos Smurfs (Smurfquest, no original). Problemas com a distribuição, entretanto, cancelaram o lançamento, e o desenho acabou sendo exibido na TV, em 1o de janeiro de 1986. Mais tarde, Smurfquest seria bastante editado e transformado em quatro episódios de 11 minutos cada, exibidos na estreia da sexta temporada junto com outro episódio, O Novo Emprego de Gargamel. Ao todo, a sexta temporada teria 36 episódios (7 de 22 minutos e 58 de 11 minutos, incluindo as 4 partes de Smurfquest), exibidos três a três entre 13 de setembro e 29 de novembro de 1986.

A audiência da quinta e da sexta temporadas seria bem menor que a das quatro primeiras, mas, mesmo assim, a NBC apostava no desenho, tanto que encomendou mais uma temporada completa para o ano seguinte. A sétima temporada teria mais 36 episódios (6 de 22 minutos e 60 de 11 minutos), e, assim como a sexta, começaria com um episódio especial de quatro partes de 11 minutos cada, Os Smurfs Selvagens. Os episódios da sétima temporada seriam exibidos três a três em 12 datas, entre 19 de setembro e 5 de dezembro de 1987. Em 13 de dezembro de 1987, iria ao ar mais um Especial de Natal, dessa vez com apenas 30 minutos.

A audiência da sétima temporada foi ainda mais baixa, e a SEPP decidiu romper a parceria com a Hanna-Barbera, que, por sua vez, estabeleceria uma nova com a Lafig S/A. A parceria não se mostraria tão vantajosa, entretanto, e a oitava temporada, que estrearia em 10 de setembro de 1988, teria apenas 16 episódios (8 de 22 minutos e 16 de 11 minutos), exibidos dois a dois até 29 de outubro. A audiência, mais uma vez, seria bem baixa.

Para tentar salvar o desenho, a NBC propôs mudanças, especificamente pedindo para que o desenho se tornasse educativo. Assim, na nona temporada, que estreou em 9 de setembro de 1989, os Smurfs se tornariam viajantes do tempo, testemunhando vários acontecimentos importantes da história da humanidade enquanto ensinavam às crianças os mais diferentes assuntos. A nona temporada teve 24 episódios (8 de 22 minutos e 32 de 11 minutos) exibidos dois a dois até 2 de dezembro. Como a audiência continuava despencando, a NBC optou por cancelar a série. Curiosamente, no ano seguinte, toda a programação das manhãs de sábado, originalmente dedicada ao público infantil, seria substituída por uma nova, dedicada ao público adolescente e capitaneada pela série Saved By The Bell.

O desenho da Hanna-Barbera é o mais famoso, mas não foi o primeiro: em 1965 foi produzido um longa de animação em preto e branco para o cinema, com 87 minutos, composto de cinco segmentos que adaptavam cinco histórias em quadrinhos dos Smurfs, chamado Les Aventures des Schtroumpfs e produzido pela Dupuis. Em 1976, os estúdios Belfont lançariam um segundo longa-metragem para o cinema, Os Smurfs e a Flauta Mágica, de 74 minutos e a cores, que adaptava a aventura de Johan e Pirlouit na qual os Smurfs estrearam, ampliando seu papel e os transformando em protagonistas. Esse longa só seria exibido nos cinemas norte-americanos em 1983, o que fez com que muitos pensassem que ele era uma produção da Hanna-Barbera e parte da cronologia do desenho.

Após o fim do desenho da Hanna-Barbera, os Smurfs passaram mais uns vinte anos meio escondidos, sendo vistos apenas em reprises, até que, um dia, a Sony resolveu aproveitar a onda de ressurreição de personagens de desenhos antigos em filmes com atores - que já havia levado à produção de filmes como Transformers, G.I. Joe e Zé Colmeia - para lançar um filme dos Smurfs. Dirigido por Raja Gosnell (de Nunca Fui Beijada e Scooby-Doo, mais um filme dessa onda), o filme, lançado em 29 de julho de 2011, trazia atores de carne e osso em cenários reais contracenando com Smurfs de computação gráfica. E, por alguma razão, era ambientado na Nova Iorque dos dias atuais, e não na Aldeia dos Smurfs ou em seus arredores como o desenho.


No filme, ao fugir de um ataque de Gargamel (Hank Azaria), que deseja extrair sua essência para amplificar seus poderes mágicos, deixando de ser um feiticeiro desastrado para se tornar um mago genuíno, Papai Smurf (voz de Jonathan Winters, que também o dublava no desenho), Desastrado (voz de Anton Yelchin), Gênio (voz de Fred Armisen), Arrojado (voz de Alan Cumming), Ranzinza (voz de George Lopez) e Smurfette (voz da cantora Katy Perry) passam acidentalmente por um portal e vêm parar na Nova Iorque dos dias atuais, onde fazem amizade com Grace (Jayma Mays) e Patrick Winslow (Neil Patrick Harris). Patrick trabalha para a empresa de cosméticos Anjelou, e está sendo pressionado por sua chefe, Odile (Sofía Vergara), para criar sua nova campanha publicitária; ainda assim, os Smurfs conseguem convencê-lo a ajudá-los, pois possuem um tempo-limite para voltar para casa, sob o risco de ficarem presos em Nova Iorque para sempre. As coisas se complicam quando Gargamel e Cruel (voz de Frank Welker, um dos maiores dubladores de desenhos dos Estados Unidos, que dublou, dentre outros, Megatron em Transformers, Darkseid nos Superamigos e Fred em Scooby-Doo) os seguem pelo portal e montam uma base de operações em nosso mundo, planejando roubar a essência dos Smurfs e dominar o planeta com seus poderes mágicos.

O filme fez um relativo sucesso e gerou uma continuação, lançada em 31 de julho de 2013 e também dirigida por Gosnell. Dessa vez, Gargamel cria duas criaturas semelhantes aos Smurfs, mas de cor cinza, Vexy (voz de Christina Ricci) e Hackus (voz de J.B. Smoove), a quem chama de Danadinhos. O vilão planeja extrair a essência dos Danadinhos para ampliar sua magia como faria com os Smurfs, mas isso não dá certo porque eles não são azuis. Ele bola, então, um plano maligno: sequestrar a Smurfette - que, no universo do filme, originalmente também era uma Danadinha, mas foi transformada em Smurf por uma magia do Papai Smurf - e obrigá-la a revelar a ele a fórmula que transforma Danadinhos em Smurfs, conseguindo, assim, um suprimento ilimitado de essência sem precisar mais capturar os Smurfs. Gargamel traz a Smurfette para a Paris dos dias atuais, e o Papai Smurf decide montar um grupo para resgatá-la, incluindo ele mesmo, Desastrado, Ranzinza e Vaidoso (voz de John Oliver). Ao chegar novamente em nosso mundo, eles terão a ajuda de Grace, Patrick e do atrapalhado padrasto de Patrick, Victor Doyle (Brendan Gleeson).

Além dos dois filmes, a Sony também foi responsável por dois desenhos de 22 minutos cada, produzidos em computação gráfica e lançados diretamente em DVD. O primeiro, lançado em 2011, é um Especial de Natal, e adapta a história Um Conto de Natal, de Charles Dickens (aquela dos Fantasmas do Natal Passado, Presente e Futuro) para a Aldeia dos Smurfs. O segundo, de 2013, é um Especial de Halloween, e adapta A Lenda do Cavaleiro sem Cabeça, de Washington Irving. Todos os personagens dos Especiais (incluindo Gargamel e Cruel) possuem os mesmos dubladores dos filmes, exceto Smurfette, dublada por Melissa Sturm, já que Katy Perry não conseguiu conciliar sua agenda de shows com as sessões de dublagem, e o Papai Smurf, que no Especial de Halloween é dublado por Jack Angel, pois Jonathan Winters faleceu em abril de 2013, pouco depois de encerrar sua participação em Os Smurfs 2.

O sucesso dos filmes levou a Sony a discutir com os estúdios de Peyo (que faleceu em 24 de dezembro de 1992, de infarto, aos 64 anos) a possibilidade de se produzir uma nova série animada, dessa vez em computação gráfica como os especiais. Um longa-metragem de animação em computação gráfica também está previsto para ser lançado em 2016, e Gosnell planeja dirigir um terceiro filme, que ainda não tem data de lançamento definida, para "fechar sua trilogia". Após anos de reclusão, parece que as coisas se animaram na Aldeia dos Smurfs.

1 enfiaram o nariz:

Thayna disse...

simplesmente excelente
otimo texto, muito completo!!!!

obrigada!

3:15 AM

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