segunda-feira, 11 de junho de 2012

Rolex Sports Car Series

Recentemente, o canal Speed foi defenestrado da NET para dar lugar ao Fox Sports. Na ocasião, um monte de gente disse que não fazia mal, que ninguém assistia Speed mesmo. Isso não é verdade. Eu assistia.

Se bem que eu só assistia mesmo a três coisas no Speed: NASCAR, American Le Mans Series e Rolex Sports Car Series. Ok, eu também assistia a uns pedaços de rally, monster truck e outras categorias, mas era quase nunca. E normalmente não assistia ALMS e Rolex ao vivo nem completo. Mas, mesmo assim, é injusto dizer que ninguém assistia Speed. Eu assistia.

Brincadeiras à parte, o fim do Speed me entristece mas não me revolta, até porque o Fox Sports está transmitindo Nascar, ALSM e Rolex. E este episódio ainda acabou me dando ideia para mais um post. Já que eu não falo há algum tempo sobre automobilismo, e já falei sobre NASCAR e ALMS, hoje é dia de Rolex Sports Car Series no átomo!



Apesar de só ter tido sua primeira temporada oficial em 2000, a Rolex Sports Car Series pode ter suas origens traçadas até o ano de 1962, quando foi realizada a primeira temporada da United States Road Racing Championship (USRRC, preparem-se para mais um post cheio de siglas), o Campeonato Norte-Americano de Corrida em Estradas, ou qualquer coisa assim. Criada pelo Sports Car Club of America (SCCA), organização fundada em 1944 para promover corridas de resistência, rally e autocross nos Estados Unidos, a USRRC foi a primeira categoria criada pelo SCCA para pilotos profissionais, e visava combater a rival USAC Road Racing Championship - criado em 1958 pela United States Auto Club (USAC) justamente porque apenas pilotos amadores podiam participar das corridas promovidas pelo SCCA.

A ideia do SCCA acabou dando muito certo, já que praticamente todos os pilotos e equipes do USACRRC se transferiram para o USRRC, o que fez com que a temporada de 1962 do USACRRC fosse a última. O SCCA provaria do seu próprio veneno, entretanto, em 1968, quando praticamente todos os pilotos e equipes da USRRC se transfeririam para outra categoria de profissionais promovida pelo SCCA, a Canadian-American Challenge Cup (ou Can-Am), com corridas nos Estados Unidos e Canadá, realizada desde 1966. A Can-Am seria realizada até 1986, quando, por falta de interesse dos pilotos e equipes, seria descontinuada.

Então, recapitulando, existia uma categoria de automobilismo de resistência (com corridas bem compridas) promovida pelo USAC, que teve cinco temporadas, entre 1958 e 1962. Nesse último ano, todo mundo se transferiu de lá para outra categoria igual, a USRRC, promovida pelo SCCA, que teve seis temporadas, entre 1963 e 1968. Nesse ano, todo mundo se transferiu de lá para outra categoria do SCCA, a Can-Am, criada em 1966, e que teria 21 temporadas, entre 1966 e 1986. Depois disso, quem queria correr corridas de resistência teve que procurar a concorrência: o campeonato da International Motor Sports Association (IMSA), que seria realizado entre 1971 e 1998.

Se vocês leram o post sobre a American Le Mans Series (e ainda se lembram dele), devem saber que, no final de 1998, o empresário Dan Panoz decidiria criar seu próprio campeonato, seguindo as regas do ACO, entidade que organiza as 24 Horas de Le Mans. Ele assumiria o campeonato da IMSA, o renomearia para American Le Mans Series, e faria modificações que o transformariam no terceiro mais popular campeonato de automobilismo dos Estados Unidos, atrás apenas da NASCAR e da Fórmula Indy. Ok, e o que a Rolex tem a ver com isso?

Pois bem, vendo que o campeonato da IMSA estava mal das pernas, o SCCA resolveu ressucitar o USRRC, que teve sua primeira nova temporada justamente em 1998, último ano do campeonato da IMSA. Com uma categoria de protótipos chamada Can-Am e três de turismo chamadas GT1, GT2 e GT3, o novo USRRC viveria um verdadeiro canto do cisne: sua temporada de 1998 seria bastante popular, mas a de 1999 - apesar de um acordo firmado entre o SCCA e a FIA para que seus protótipos seguissem as mesmas regras do campeonato de resistência europeu da época, o FIA Sportscar Championship, o que visava atrair mais pilotos europeus - seria um gigantesco fracasso, ao ponto de ninguém se inscrever para a categoria GT1. Ao final de 1999, o SCCA desistiria de uma vez por todas de organizar um campeonato de resistência.

Acontece, porém, que fazia parte do calendário do novo USRRC a mais tradicional prova de resistência do automobilismo norte-americano, as 24 Horas de Daytona. Disputada no famoso Daytona International Speedway, em Daytona Beach, Flórida, palco da mais famosa corrida da NASCAR, as 500 Milhas de Daytona, as 24 Horas de Daytona foram disputadas pela primeira vez em 1966 como parte do World Sportscar Championship, o campeonato mundial de carros esporte, organizado pela FIA, do qual faria parte até 1981. Entre 1975 e 1997, a corrida passaria a fazer parte do calendário da IMSA - em 1974 não houve a prova, e em 1975 e de 1977 a 1981 a mesma corrida contava para os dois campeonatos. Em 1998, o SCCA conseguiria "roubá-la" da IMSA, incluindo-a em seu novo USRRC. Mas, quando o novo USRRC bateu as botas em 1999, já não havia mais o campeonato da IMSA, e a ALMS não estava interessada na corrida, que poderia ofuscar sua Petit Le Mans, que Panoz fazia questão de que fosse a principal atração de seu calendário.

Entraria em cena, então, a Grand American Road Racing Association (Grand-Am), organização fundada às pressas por membros da NASCAR justamente para não deixar as 24 Horas de Daytona morrerem. Entrando em contato com os donos dos principais circuitos do novo USRRC, de alguns rejeitados pela ALMS, e com patroncinadores dispostos a investir em sua ideia, a Grand-Am planejava criar o verdadeiro campeonato de resistência norte-americano, diferente da ALMS, que usava (e ainda usa) as regras do ACO europeu. Além de garantir em seu calendário as 24 Horas de Daytona, dois outros movimentos foram fundamentais para que a Grand-Am conseguisse tirar seu projeto do papel: primeiro, conseguir incluir em seu calendário as Seis Horas de Watkins Glen, prova realizada desde 1948, que entre 1950 e 1962 fez parte do SCCA National Sports Car Championship, entre 1963 e 1968 do USRRC, entre 1968 e 1981 do World Sportscar Championship, e entre 1984 e 1997 do campeonato da IMSA, passando em 1998 para o USRRC e em 1999 para o FIA GT Championship, após também ser esnobada pela ALMS. Segundo, conseguir um gordo patrocínio da famosa fabricante de relógios Rolex, que, desde 1991, já patrocinava as 24 Horas de Daytona. Surgia, assim, a Rolex Sports Car Series.

A primeira temporada da Rolex contaria com nove corridas e cinco categorias, sendo duas de protótipos - SRP (de Sports Racing Prototypes) e SRPII, ambas seguindo as mesmas regras da FIA Sportscar Championship - e três de turismo: GTO, com carros mais potentes; GTU, com os menos potentes; e AGT, com os carros chamados superleggera, mais leves que os demais. Essas cinco categorias seriam mantidas para 2001 e 2002, apenas com a GTO e GTU sendo renomeadas para GTS e GT, respectivamente. Em 2003, entrariam em cena os Daytona Prototypes (DP), protótipos construídos segundo especificações próprias da Grand-Am, batizados em homenagem às 24 Horas de Daytona. A categoria DP substituiria a SRP e a AGT seria descartada, para um total de quatro categorias. Em 2004, a SRPII e a GTS também seriam descartadas - a GTS porque seus carros já estavam mais rápidos que os protótipos, o que não tem graça nesse tipo de corrida - e seria incluída uma nova categoria de carros esporte, a SGS (de Super Grand Sports), "promovida" da Grand-Am Cup Series, a categoria secundária da Grand-Am na época. A experiência não daria certo, porém, e, a partir de 2005, a Rolex teria apenas duas categorias, a DP, representada pelos protótipos, e a GT, representada pelos carros de turismo.

Os protótipos, apesar do nome, não são carros em teste antes de serem lançados nas ruas, mas carros fabricados especificamente para correr, como os da Fórmula 1, por exemplo. Os protótipos da categoria DP, porém, não se parecem em nada com um carro de Fórmula, tendo vidro, portas e faróis. Uma equipe que se disponha a correr na categoria DP deve escolher entre sete chassis sancionados pela Grand-Am (Crawford DP08, Coyote CC/08, Dallara DP-01, Proto-Auto Lola B08/70, Riley MkXX, Sabre RD1 ou Corvette) e nove motores (BMW V8, Ford V8, Infiniti V8, Lexus/Toyota V8, Porsche Flat-6, Porsche V8, Pontiac/Chevrolet/Cadillac V8 ou Honda V6). Uma curiosidade é que a Grand-Am exige que os motores sejam idênticos aos de um carro de rua, com apenas algumas modificações em nome da resistência, e não fabricados especialmente para correr como o restante do carro. Todos os protótipos devem ser montados segundo um "manual" publicado pela Grand-Am, sendo permitidas variações apenas nos flaps do aerofólio traseiro e na entrada de ar dianteira.

Já os carros de turismo, apesar no nome, não são usados para passear por aí. São carros semelhantes aos usados nas ruas, mas com modificações em nome da velocidade, durabilidade e segurança. Assim como na categoria DP, a Grand-Am publica um manual com as modificações que os carros da categoria GT devem possuir para poder participar de suas corridas. Atualmente correm na GT os modelos BMW M3, Ford Mustang, Dodge Challenger, Porsche GT3, Mazda RX-8, Chevrolet Camaro, Chevrolet Corvette, Ferrari 430 e Audi R8. Todos os carros da Rolex, das categorias DP e GT, usam combustível Sunoco e pneus Continental.

Assim como na ALMS, na Rolex as duas categorias competem juntas, com um vencedor para cada, não importa quem chegou primeiro. No passado, por razões de segurança, já que algumas corridas chegaram a ter 50 carros, as corridas da DP e da GT eram realizadas separadamente, uma no sábado, outra no domingo, mas atualmente o número de participantes é restrito para que todos possam correr juntos. Apenas nas largadas e relargadas as categorias são separadas, com o primeiro dos GT mantendo uma distância de 30 segundos do último DP.

Cada carro também conta com mais de um piloto - nas 24 Horas de Daytona são quatro, nas Seis Horas de Watkins Glen são três, nas demais são dois. Nenhum piloto pode dirigir por mais de três horas consecutivas ou 12 horas no total, e, mesmo que a corrida dure menos de três horas, o regulamento prevê pelo menos uma mudança obrigatória de piloto. Alguns pilotos não participam de todas as provas, mas, mesmo assim, a pontuação é por piloto, não por carro, sendo campeão de cada categoria o piloto com mais pontos ao fim do campeonato, não importando de quantas corridas ele participou. Se dois ou mais pilotos terminarem empatados, e todos forem da mesma equipe, todos são campeões. Como a Grand-Am possui laços estreitos com a NASCAR, é comum que pilotos da NASCAR participem das corridas da Rolex que não coincidam com as de seu calendário.

O calendário atual da Rolex conta com 13 provas. As 24 Horas de Daytona não só são a primeira como também abrem todo o calendário automobilístico norte-americano - em outras palavras, nenhuma outra prova de nenhuma outra categoria acontece nos Estados Unidos antes dela a cada ano. As três provas mais compridas - as 24 Horas de Daytona, as Seis Horas de Watkins Glen e o Super Weekend at the Brickyard, uma prova de três horas disputada no circuito misto de Indianápolis - também contam pontos para um campeonato à parte, o North American Endurance Championship, ou Campeonato Norte-Americano de Resistência. As outras dez provas possuem 2 horas e 45 minutos cada, e são disputadas em Barber, Homestead, Millville, Belle Isle, Mid-Ohio, Road America, no circuito "curto" de Watkins Glen, Montreal (no Circuito Gilles Villeneuve, mesmo da Fórmula 1, única prova disputada fora dos Estados Unidos), Laguna Seca e Lime Rock. Duas dessas provas (Barber e Belle Isle) são "rodadas duplas" com a Fórmula Indy, disputadas no mesmo dia e mesmo circuito da prova da Indy, mas mais cedo, e a do circuito "curto" de Watkins Glen é disputada no mesmo dia da prova da NASCAR Sprint Cup. Também vale citar como curiosidade que quatro provas (Laguna Seca, Lime Rock, Mid-Ohio e Road America) são disputadas em circuitos que também abrigam etapas da ALMS, que, em teoria, é rival da Rolex.

Não há distância mínima ou máxima para cada prova; todas são disputadas por tempo, e o cronômetro começa a regredir assim que é dada a largada para a categoria DP. Quando o cronômetro zera, o piloto que está em primeiro, contando as duas categorias (normalmente da DP, já que eles são mais velozes) ainda tem que completar mais uma volta inteira antes de a corrida ser oficialmente encerrada - ou seja, se o cronômetro zerar quando ele estiver a dez metros da linha de chegada, ainda assim terá de dar mais uma volta completa. Nenhuma prova pode terminar sob bandeira amarela; se a prova estiver em bandeira amarela quando o cronômetro zerar, ainda é dada uma última volta em bandeira verde quando a bandeira amarela termina. Como os carros da DP são mais velozes que os da GT, é normal que eles deem mais voltas - percorrendo, portanto, uma distância maior.

Além da Rolex, a Grand-Am promove outras três categorias, a Ferrari Challenge North America, na qual todos os carros são Ferraris F430; a Shell Historic Challenge, na qual mais se exibem do que competem modelos antigos da Ferrari, Maseratti e Alfa Romeo; e a Continental Tire Sports Car Challenge Series (antiga Grand-Am Cup Series), a categoria secundária, de acesso ou "de apoio", como queiram, da Rolex.

Assim como a Rolex, a Continental, disputada desde 2004, possui duas categorias, mas ambas são de turismo: na GS (Grand Sport) competem carros mais potentes, como Porsche 997, Porsche Cayman, Nissan 350Z, BMW M3, Subaru WRX, Audi S4, Chevrolet Camaro, Ford Mustang GT e Dodge Challenger; já na ST (Street Tuner), competem carros mais compactos, como Honda Civic Si, Mazda Speed3, Mazda RX-8, Mazda MX-5, Chevrolet Cobalt SS, Dodge SRT4, Mini Cooper S, BMW 328i e BMW 330i. O calendário atual conta com dez provas, todas com duração de 2 horas e 30 minutos e uma mudança obrigatória de piloto. Todas as provas - realizadas em Daytona, Barber, Homestead, Millville, Mid-Ohio, Road America, Watkins Glen, Indianápolis, Laguna Seca e Lime Rock - são disputadas no dia anterior da prova da Rolex no mesmo circuito.

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