segunda-feira, 9 de abril de 2012

Cavalo de Fogo / Os Seis Biônicos

Um dia, após chegar à conclusão de que havia muito tempo que eu não falava sobre desenhos dos anos 80 aqui no átomo, eu pensei em fazer um post sobre Pole Position. Ao reunir informações sobre esse desenho, entretanto, cheguei à conclusão de que seria o post mais curto da história do átomo. Me lembrando, então, de um dos desenhos preferidos da minha infância, Jayce, decidi que seria melhor fazer um post duplo, para aproveitar melhor o espaço.

Depois de fazer esse post duplo, acabei me lembrando de mais desenhos que eu gostava, e comecei a fazer vários posts sobre eles, sempre dois a dois. Acabei criando uma série não-oficial de posts sobre desenhos dos anos 80. Curiosamente, porém, justamente no post em que eu disse que não planejava fazer disso uma série, mas que iria ver até quando ela iria durar... parei.

Confesso que não foi de propósito. Na verdade, ter começado a série sobre os Clássicos Disney e, mais tarde, a dos Kamen Riders, acabou desviando minha atenção. Além disso, acho que já tinha falado de quase todos os desenhos dos anos 80 que eu gostava, ficaram faltando só uns dois ou três. Essa semana, enquanto procurava um assunto legal, um desses desenhos me veio à mente. Assim, hoje teremos mais um post dedicado a dois desenhos dos anos 80. Se ele ressucitará a série ou não, só o tempo dirá.

O desenho que veio à minha mente, sabe-se lá por que razão, foi Cavalo de Fogo. Embora eu tenha quase certeza de que era um desenho destinado às meninas, Cavalo de Fogo era um dos meus preferidos, a começar pela musiquinha da abertura - sobre a qual corria um boato de que seria cantado pela Angélica, mas eu achava isso pouco provável, já que o desenho passava no SBT e, na época, a Angélica era da Manchete; seria mais lógico se quem cantasse a música fosse a Mara.

Enfim, digressiono. Produzido pela Hanna-Barbera com o nome original de Wildfire ("fogo selvagem", o que realmente não soa bem como nome de um desenho infantil - embora "Cavalo de Fogo" não seja lá muito melhor, até tendo dado origem a uma piada entre meus amigos de que o cavalo estaria bêbado; mas digressiono novamente), o desenho tinha como protagonista a menina Sara, que vivia em um rancho no Estado de Montana, com seu pai, John Cavanaugh, e sua melhor amiga, a indiazinha Ellen.

Um dia, Sara descobre que não é apenas uma menina comum do oeste americano, mas também a princesa de um mundo mágico chamado Dar-Shan, onde os animais falam e criaturas fantásticas como fadas e elfos convivem com os humanos. Sua mãe, a Rainha Sarana, faleceu vítima de uma misteriosa doença, deixando-a aos cuidados do feiticeiro Alvinar. Como a ambiciosa meio-irmã de Sarana, Lady Diabolyn, almejava tomar o trono para si, Alvinar achou que a vida de Sara corria perigo, e incumbiu o Cavalo de Fogo de transportá-la para outra dimensão - no caso, a nossa - onde ela ficaria incógnita e a salvo da vilã.

Em Dar-Shan, Diabolyn fez um pacto com os Espectros, criaturas de pura maldade, que a deram poder suficiente para subjugar todo o reino e tomar o trono para si sem resistência - e também transformaram os um tanto incompetentes membros de sua guarda pessoal em uns goblins esquisitos chamados Goons. Os que eram contra Diabolyn, como o Cavalo de Fogo, Alvinar, o menino Dorin e seu potro medroso Brutus, organizaram uma espécie de resistência, mas sabiam que somente uma pessoa poderia quebrar o poder dos Espectros e derrotar Diabolyn: a menina Sara.

Assim, quando Sara completou doze anos, idade na qual estaria pronta para combater o mal, o Cavalo de Fogo se comunicou com ela através do medalhão trazido para a Terra junto com ela quando era bebê, que pertencera à sua mãe. Revelando a verdade, ele a levou para Dar-Shan, onde ela se aliou aos demais rebeldes na busca de uma forma de derrotar os Espectros e, por conseguinte, Diabolyn, retomando o trono que é seu por direito.

Assim como Pole Position, Cavalo de Fogo só teve 13 episódios, exibidos entre 3 de setembro e 6 de dezembro de 1986 no canal CBS - pela inocência da infância ou pela quantidade de reprises, eu jurava que eram bem mais. Em cada um deles, algo acontece em Dar-Shan que motiva o Cavalo de Fogo a vir à Terra buscar Sara, que frustra os planos de Diabolyn e retorna para casa antes que seu pai perceba que ela foi sequestrada por um cavalo roxo falante. A cada episódio também são revelados mais mistérios sobre a morte da Rainha Sarana e o passado de Dar-Shan, que podem ajudar ou não Sara em sua missão.

Apesar de bem produzido, com bons roteiros e animação de qualidade, Cavalo de Fogo não fez muito sucesso, e um dos motivos apontados foi uma acusação de que ele seria plágio de uma série em quadrinhos lançada pela DC em 1983, Amethyst, Princess of Gemworld, na qual uma menina da Terra descobre ser na verdade a princesa órfã de um mundo mágico, no qual cavalga um híbrido de unicórnio e pégaso, e tem que impedir uma malvada feiticeira de ficar com o trono para si. Diante da controvérsia, a CBS decidiu não investir em uma segunda temporada.

O segundo desenho que veremos hoje se chama Os Seis Biônicos (Bionic Six no original). Também passava no SBT, e desse eu não gostava tanto, embora também achasse bem legal.

Assim como muitos outros desenhos da época, Os Seis Biônicos era baseado em uma linha de brinquedos, lançada pela LJN em 1986. Essa linha trazia bonecos feitos de plástico e metal, com algumas partes de plástico sendo transparentes, e que representavam heróis e vilões ciborgues, além de alguns veículos que também tinham partes em plástico e metal. Buscando uma fatia do lucrativo mercado norte-americano de desenhos animados, o estúdio japonês TMS, responsável por anime como Lupin III e Doraemon, fez uma parceria com a agência de talentos norte-americana MCA e licenciou os brinquedos da LJN (mas que monte de siglas!) para produzir um desenho baseado neles. O resultado foi um desenho norte-americano levemente parecido com um anime, dirigido pelo renomado diretor de animação japonês Osamu Dezaki (de Golgo 13 e Cobra).

Em um futuro não especificado, mas certamente posterior a 1999, o Professor Amadeus Sharp, diretor do Laboratório de Projetos Especiais, desenvolve uma tecnologia capaz de ampliar as habilidades humanas através de partes cibernéticas. O primeiro homem a usar essa tecnologia é o piloto de testes Jack Bennett, que ganha o codinome de Biônico-1 (Bionic-1 no original), e passa a atuar em missões secretas para a agência governamental Q-10.

Um dia, Jack está de férias, esquiando com sua família, quando é atacado por uma estranha espaçonave. O ataque causa uma avalanche que soterra a família Bennett, e os expõe a um estranho tipo de radiação. Jack nada sofre, mas sua esposa e filhos ficam em uma espécie de estado de coma, entre a vida e a morte. O Professor Sharp deduz que foram os implantes biônicos que salvaram a vida de Jack, e decide transformar sua mulher e filhos também em ciborgues. De posse de seus novos poderes, todos os cinco (com Jack, seis) passam a trabalhar para a Q-10, buscando frustrar os planos do Dr. Escaravelho, que busca poder e tecnologia para dominar o mundo e viver para sempre.

A esposa de Jack, Helen, ganha o codinome de Mãe Biônica (Mother-1 no original). Seus poderes são de natureza mental, e permitem que ela se comunique telepaticamente, descubra como qualquer aparelho mecânico ou eletrônico funciona, projete hologramas ilusórios e até mesmo tenha breves visões do futuro. Seu filho mais velho, Eric, ganha o codinome de Atleta (Sport-1 no original). Com seus implantes biônicos, ele pode alterar seu campo eletromagnético, atraindo, repelindo e manipulando diversos tipos de objetos. Já a filha adolescente Meg, codinome Roqueira (Rock-1 no original) possui supervelocidade e pode emitir rajadas supersônicas através de dois alto-falantes montados em seus ombros.

Além de Eric e Meg, Jack e Helen possuem dois filhos adotivos: o afro-americano J.D. ganha o codinome de Q.I. (IQ no original), possui superforça e um cérebro computadorizado, que equivale mais ou menos a superinteligência; já o japonês Bunji, codinome Caratê (Karate-1 no original), possui agilidade ampliada, que usa combinada com várias artes marciais. Completa a família seu "bicho de estimação", um robô parecido com um gorila chamado F.L.U.F.F.I., que se alimenta de alumínio e também costuma atuar como uma espécie de empregada doméstica da família.

Os poderes de Jack incluem sentidos ampliados, como visão telescópica, visão de raio-x, audição aprimorada e raios que atordoam pessoas ou fazem equipamentos eletrônicos não funcionarem como deveriam. Além de seus próprios poderes, todos os biônicos possuem superforça (mas não tão forte quanto a de Q.I.), supervelocidade (mas não tão veloz quanto a de Roqueira), e visão e audição aprimoradas (mas não tão aprimoradas quanto as de Biônico-1). Cada biônico, para acessar seus poderes, deve ativar um pequeno computador localizado em um bracelete. Os biônicos também podem dar as mãos para compartilhar seus poderes, ampliando-os.

O principal vilão da série é o Dr. Escaravelho, na verdade Dr. Wilmer Sharp, irmão de Amadeus Sharp, que deseja usar a tecnologia biônica para seu próprio proveito. Os poderes do Dr. Escaravelho são desconhecidos, mas sabe-se que ele possui superforça, a capacidade de detectar se uma pessoa possui ou não aprimoramentos biônicos e pode lançar um raio destruidor pelos olhos. A tecnologia desenvolvida pelo Dr. Escaravelho, entretanto, não é tão eficiente quanto a do Professor Sharp, e um de seus principais objetivos é roubá-la, copiá-la ou obrigar o irmão a trabalhar para ele.

Usando sua tecnologia, o Dr. Escaravelho criou um exército de robôs chamados Cyphrons, e deu a alguns de seus capangas aprimoramentos biônicos, para que eles possam combater os Bennett. O principal desses capangas é Glove, que pode disparar vários tipos de raios e projéteis de sua mão esquerda. Glove é o braço-direito do Dr. Escaravelho e comandante de suas tropas, mas não é muito corajoso, batendo em retirada sempre que imagina que irá perder a batalha.

Os demais capangas são Madame-O, uma senhora idosa que, após os implantes biônicos, se tornou jovem e atlética, e usa como arma uma harpa capaz de disparar raios sônicos; o Mecânico, abrutalhado de mente infantil - adora animais e desenhos animados - que usa várias ferramentas, como chaves inglesas e serras circulares, como arma; o motociclista Chopper, que usa como arma uma corrente; e o monstruoso Klunk, cujo corpo é feito de cola. Todos os capangas possuem superforça, embora o único mais forte que os Bennett seja Klunk - que é mais forte, inclusive, do que Q.I. - e a capacidade de assumir aparências diferentes para se disfarçar.

Personagens secundários da série incluem Perceptor, na verdade Peter Wilcox, antigo assistente do Professor Sharp, que, ao testar os implantes biônicos em si mesmo, perdeu a visão, e agora atua como um vigilante anti-tecnologia; o Dr. Hugo Fish, cientista maluco que cria invenções exóticas, como comida capaz de ampliar a inteligência por alguns minutos; o Caleidoscópio, que pode assumir a forma de qualquer pessoa ou objeto, e deseja destruir tanto o Dr. Escaravelho quanto o Professor Sharp; e Shadow Boxer, vilão que pode controlar livremente sua sombra.

Os Seis Biônicos teve duas temporadas, ambas exibidas em 1987 pelo canal USA - a primeira de abril a junho, a segunda de setembro a novembro - com um total de 65 episódios (22 na primeira, 43 na segunda). A linha de brinquedos contava com os seis biônicos, os seis vilões, F.L.U.F.F.I. e cinco veículos, sendo que três deles jamais apareceram no desenho. A audiência do desenho, infelizmente, não foi lá essas coisas, o que acabou cancelando uma eventual terceira temporada e uma eventual segunda linha de brinquedos. Mas pelo menos ele durou mais que 13 episódios.

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