segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Diane Lane

Todo mundo deve ter sido apaixonado por algum artista na infância. Eu tenho um primo que era apaixonado pela Angélica, atual mulher do Luciano Huck; minha irmã era gamada pelo George Michael, pelo menos até ele assumir que é gay; e minha namorada suspirava pelo Patrick Swayze - se bem que ela suspira até hoje, então essa foi uma paixão de infância que ficou. Como todo mundo, eu também não escapei. Quando criança, minha paixão era a Diane Lane.

Não me lembro qual foi o primeiro filme que assisti com Diane Lane, mas com certeza foi algum que passou na Sessão da Tarde - se tiver que chutar, aposto em Ruas de Fogo. Se bem que isso não importa. O que importa é que, imediatamente, achei que ela fosse a mulher mais bonita sobre a face da Terra. Esse encanto durou alguns meses, talvez um ano, mas acabou sofrendo com a distância, já que Lane não era figura frequente no tipo de filme que eu costumava assistir, e eu não ia sair alugando um monte de filmes desconhecidos só porque ela estava no elenco - primeiro porque descobrir se um filme tinha uma determinada atriz no elenco era meio difícil na época, segundo porque eu acabaria tendo de justificar a escolha do filme para os meus pais, ideia que não me agradava muito. Conforme eu crescia, também fui me interessando por outras mulheres, alcançáveis ou não, e, de Mulher Mais Bonita Sobre a Face da Terra, Lane acabou se tornando apenas uma atriz muito bonita. Hoje, eu até reconheço que, além de muito bonita, ela é uma excelente atriz, mas mesmo assim não costumo incluí-la no meu time de favoritas. Afinal, o tipo de filme que ela normalmente faz continua não sendo o tipo que normalmente me agrada.

Então, ora pipocas, por que escrever um post sobre ela, vocês leitores podem estar se perguntando. E o motivo é até bem simples: há alguns meses, li uma notícia que me fez perceber que, sem sombra de dúvidas, eu estou ficando velho: Diane Lane, a musa da minha infância, foi escolhida para interpretar Martha Kent, a mãe do Super-Homem, no filme novo que estreia ano que vem.

Tudo bem que ela é mais velha que eu - 13 anos, para ser exato, o que significa que, quando eu era criança e suspirava por ela, nem adolescente ela já não era mais; tudo bem que ela já vem fazendo papel de mãe em quase todos os seus filmes há pelo menos dez anos; e tudo bem que escalar alguém com sobrenome Lane para interpretar a mãe do Super-Homem já é um fato bizarro por si só; mas, quando alguém pela qual você se apaixonou na sua infância é escolhida para viver um personagem que você sempre viu como, no mínimo, de meia-idade, é hora de começar a se preocupar com o futuro.

Brincadeiras à parte, eu realmente fiquei surpreso quando soube que Diane Lane tinha sido escolhida para interpretar Martha Kent, mas nem dei essa bola toda. Essa semana, entretanto, reli essa informação em um outro artigo, e acabei, sabe-se lá o porquê, ficando com vontade de escrever um post sobre ela. Como é raro eu ter vontade de escrever sobre atores e atrizes, decidi aproveitar a oportunidade.

Diane Lane nasceu em 22 de janeiro de 1965 na cidade de Nova Iorque, Estados Unidos. Sua mãe, Colleen Farrington, era cantora noturna, e foi Playmate da Playboy norte-americana, edição de outubro de 1957. Seu pai, Burton Lane, era dono de uma escola de atores e sócio de John Cassavetes, e trabalhava como taxista para ajudar a pagar as contas. Quando Diane tinha 13 meses de idade, seus pais se separaram, e sua mãe a levou para o México. Quando ela tinha seis anos, sua mãe decidiu voltar para os Estados Unidos, e seu pai ganhou sua guarda. Ela, então, viveria com o pai até os quinze anos, morando em apart-hotels e rodando com ele no táxi quando não tivesse mais o que fazer.

Desde que foi morar com o pai, Lane já começaria a buscar sua carreira artística, entrando aos seis anos para o La MaMa Experimental Theater Club, onde faria sua estreia na peça Medeia. Seu primeiro papel profissional viria aos doze, atuando ao lado de Meryl Streep na peça The Cherry Orchard. Em 1979, aos 14 anos, ela faria sua estreia no cinema, contracenando com Laurence Olivier em Um Pequeno Romance, onde interpretava uma adolescente norte-americana que vai estudar em paris e se apaixona por um francês. A atuação de Lane no filme lhe rendeu vários elogios, incluindo de Olivier, que a chamou de "a nova Grace Kelly", e da revista Time, que a considerou "uma das crianças geniais de Hollywood".

Depois dessa experiência, Lane decidiu fugir de casa, aos 15 anos de idade, em companhia do amigo e também ator adolescente Christopher Atkins (o namorado de Brooke Shields em A Lagoa Azul). A aventura duraria uma semana, durante a qual Lane seria escolhida para protagonizar Touched by Love, drama inspirado em uma história real no qual interpreta uma jovem com paralisia cerebral cuja enfermeira estimula que ela escreva cartas para Elvis Presley, seu ídolo, como parte de seu tratamento.

Ao retornar para Nova Iorque, Lane decidiria não morar com o pai, mas na casa da família de um de seus amigos, pagando-lhes aluguel de um quarto. Em 1981, ela também decidiria fazer televisão, aparecendo em um episódio da série Great Performances e protagonizando o filme para a TV Child Bride of Short Creek, no papel da filha de um casal membro de um culto religioso fanático do interior dos Estados Unidos. No mesmo ano, ela participaria da comédia Cattle Annie and Little Britches, e sofreria um drama familiar: sua mãe decidiria levá-la à força para o estado da Georgia, onde ela teria de morar por três semanas, até ganhar na justiça sua emancipação e retornar para Nova Iorque. Esse episódio faria com que Lane e a mãe ficassem brigadas, sem se falar por três anos.

No ano de 1982, Lane faria três filmes de pouca visibilidade, National Lampoon's Movie Madness, Ladies and Gentlemen, the Fabulous Stains e Miss All-American Beauty (esse último para a TV), e aquele que seria considerado o responsável por seu estouro em Hollywood, Six Pack, no qual contracenava com Kenny Rogers, um piloto da NASCAR que tinha peças de seu carro roubadas por uma gangue de crianças lideradas por Lane, que o convenciam a colocá-los como parte de sua equipe em sua próxima corrida.

A interpretação de Lane nesse despretensioso filme chamaria a atenção de Francis Ford Coppola, que a convidaria para seus dois próximos filmes, ambos de 1983 e ambos adaptados de romances de S.E. Hinton: Vidas sem Rumo e O Selvagem da Motocicleta. Neles, ela contracenaria com C. Thomas Howell, Rob Lowe, Patrick Swayze, Ralph Macchio, Matt Dillon, Emilio Estevez, Tom Cruise, Laurence Fishburne e Nicolas Cage, e se destacaria em meio a todos esses futuros medalhões, sendo proclamada por Andy Warhol a "inquestionável líder feminina da nova geração de Hollywood".

Lane de fato impressionaria em ambos os papéis, mas faria escolhas equivocadas a seguir. Convidada para o papel da sereia em Splash: uma Sereia em Minha Vida - que acabaria ficando com Daryl Hannah - e para protagonizar Negócio Arriscado ao lado de Tom Cruise - papel que acabaria ficando com Rebecca DeMornay - ela preferiria fazer o filme de ação despretensioso Ruas de Fogo, contracenando com Michael Paré, Rick Moranis e Willem Dafoe, no papel de uma cantora sequestrada por uma gangue de motoqueiros. O filme seria um gigantesco fracasso, e sua performance nele, bastante criticada.

No mesmo ano de 1984, Lane faria mais um filme de Coppola, Cotton Club, um drama policial sobre o envolvimento de um músico de jazz com a máfia nos anos 1930, no qual contracenaria com Richard Gere, Gregory Hines e Bob Hoskins. Infelizmente, seria mais um fracasso de público e crítica. Chateada com suas escolhas, Lane decidiria dar um tempo na carreira e ir se reconciliar com a mãe, morando durante dois anos com ela na Georgia.

Quando decidiu voltar a atuar, Lane estava por baixo, e teve de se sujeitar a papéis nos quais aparecia seminua, com seu corpo sendo o maior chamariz para o filme: em Lady Beware, de 1987, ela interpretaria uma arrumadora de vitrines especializada em manequins sensuais que se torna objeto de desejo e obsessão de um psicopata; em The Big Town, do mesmo ano, ela seria uma dançarina de cabaré, contracenando com Tommy Lee Jones e novamente com Matt Dillon; e em Desejo de Amar, de 1988, ela seria uma gênia da garrafa, que ajudaria a um astro de rock interpretado por Christopher Lambert ("o Highlander", como diz a minha mãe) a superar a morte do irmão e voltar a fazer sucesso - como fato bizarro do dia, vale a informação de que a brasileira Cláudia Ohana atua nesse filme. Lane a Lambert começariam a namorar durante as filmagens, e se casariam ainda em 1988. O casal se separaria em 1994, mas teria uma filha, Eleanor, nascida em 1993.

Somente em 1989, após uma elogiadíssima atuação na minissérie televisiva Os Pistoleiros do Oeste, pela qual seria indicada ao Emmy, é que Lane voltaria a chamar a atenção da crítica e dos produtores de Hollywood por seu talento ao invés de por sua beleza. Em 1990, ela também seria elogiada por suas participações em mais um filme para a TV, Descending Angel, no papel da filha de um homem que pode ser ex-nazista e criminoso de guerra, e no drama médico Os Residentes, onde interpreta uma jovem médica durante sua residência em um grande hospital.

Lane não teria nenhum filme lançado em 1991, mas voltaria com carga total em 1992, em mais uma elogiada participação em A Arma, filme independente que chamou a atenção no festival de Cannes daquele ano, no qual faz uma jovem esposa cuja vida muda quando seu marido adquire uma arma; contracenando com seu marido da vida real Christopher Lambert em Face a Face com o Inimigo, no papel de uma psicóloga que deve descobrir se um grande mestre do xadrez é responsável por uma série de homicídios; atuando na produção japonesa Rakuyo, sobre um soldado que vê sua lealdade questionada ao se apaixonar pela líder dos rebeldes que deve combater; e em Chaplin, no qual interpretou a atriz Paulette Goddard e contracenou com Robert Downey Jr. e Anthony Hopkins.

Apesar do bom início, a década de 1990 seria uma espécie de limbo para Lane. Apesar de sua beleza e dos elogios às suas atuações, ela não conseguiria se firmar no mesmo patamar de atrizes como Julia Roberts e Sandra Bullock, e, consequentemente, só seria convidada para filmes de menos prestígio. Ela começaria 1993 com uma participação no filme O Melhor Verão de Nossas Vidas e em um episódio da série Fallen Angels; atuaria em dois filmes para a TV nos dois anos seguintes, Tempos de Guerra, em 1994, e Um Bonde Chamado Desejo, em 1995; atuaria em Wild Bill, também de 1995, ao lado de Jeff Bridges e John Hurt; e, no mesmo ano, embarcaria na canoa furada que foi o filme do personagem dos quadrinhos Judge Dredd, aqui chamado apenas de O Juiz, atuando ao lado de Sylvester Stallone no papel da Juíza Hershey.

Ela sairia de uma canoa furada para outra ao aceitar participar de Jack, filme de 1996 no qual interpreta a mãe de Robin Williams, que faz um menino de dez anos portador de uma doença responsável por fazê-lo envelhecer quatro vezes mais rápido que o normal. No mesmo ano ela participaria da comédia Prazer em Matar-te, e em 1997 faria o drama The Only Thrill e o filme de ação Crime na Casa Branca, onde contracenaria com Wesley Snipes, todos os três imensos fracassos comerciais. O calvário continuaria em 1998, com mais um filme de ação malsucedido, Sangue na Noite, e um novo filme para a TV, Grace & Glorie, parte da série Hallmark Hall of Fame. A redenção, entretanto, viria em 1999, com A Walk on the Moon, no papel de uma dona de casa dos anos 1960, casada com Liev Schreiber e mãe de Anna Paquin, que se envolve romanticamente com um vendedor interpretado por Viggo Mortensen. Dez anos depois de sua indicação ao Emmy, Lane voltava a chamar a atenção da crítica.

A partir de então, sua carreira daria uma guinada para melhor, com mais projetos de respeito surgindo, e grande parte da crítica concordando que ela era uma atriz subestimada e mal-aproveitada. Nos dois anos seguintes, ela ainda chamaria pouca atenção em seus filmes, mas pelo menos não participaria de fracassos: em 2000, estrelaria o faroeste para a TV The Virginian, o drama Meu Cachorro Skip, e contracenaria com George Cloney e Mark Wahlberg no filme de ação Mar em Fúria; e em 2001 contracenaria com Keanu Reeves no filme sobre beisebol Hardball: O Jogo da Vida e seria a mãe da família Glass em A Casa de Vidro. Então, em 2002, ela roubaria todos os holofotes.

Contracenando mais uma vez com Richard Gere, no papel de uma mãe de família abastada que tem um caso com um imigrante vendedor de livros interpretado por Olivier Martinez, Lane protagonizaria Infidelidade, refilmagem do filme francês La Femme Infidèle. O filme seria detonado pela crítica, mas faria bastante sucesso entre o público, e Lane chamaria a atenção pelas tórridas cenas de sexo, pela beleza e boa forma aos 37 anos, e, principalmente, pela interpretação magistral, com a qual ia do desejo e romance à decadência e culpa sem cair no exagero. O papel rendeu a Lane o prêmio de Melhor Atriz da National Society of Film Critics, da New York Film Critics Circle Award, o Satellite Award, e indicações ao Broadcast Film Critics Association Award, ao Chicago Film Critics Association Award, ao Phoenix Film Critics Society Award, ao Screen Actors Guild Award, ao Globo de Ouro e ao Oscar - perdendo esses dois últimos para Nicole Kidman e sua interpretação de Virginia Woolf em As Horas.

Por alguma razão bizarra, depois dessas indicações todas, Lane passaria a ser bastante requisitada para comédias românticas. Ela começaria esse ciclo em 2003, protagonizando Sob o Sol da Toscana, inspirado no best-seller de Frances Mayes, como uma escritora recém-divorciada que se muda para a cidade italiana para recomeçar sua vida, um sucesso de público e crítica com o qual foi indicada a mais um Globo de Ouro, dessa vez perdido para Diane Keaton em Alguém tem que Ceder. Em 2005, seria a vez de Procura-se um Amor que Goste de Cachorros, contracenando com John Cusack e Christopher Plummer na história de uma professora da pré-escola que procura um namorado nos classificados. Ainda em 2005, ela faria um drama com menos comédia, Sociedade Feroz, como uma massagista divorciada que busca fazer as pazes com o filho. Entre esses projetos, ela conheceria e começaria a namorar o ator Josh Brolin, com quem se casaria em 2004.

Em 2006, Lane participaria de Hollywodland: Bastidores da Fama, a história real de George Reeves, ator que interpretava o Super-Homem na série de TV e foi encontrado morto, oficialmente por suicídio, mas com elementos que sugerem assassinato, contracenando com Adrien Brody e Ben Affleck. 2008 seria mais um ano ocupado, com quatro lançamentos, sendo três como protagonista: em Sem Vestígios, ela seria uma agente do FBI encarregada de encontrar um assassino serial que divulga seus crimes pela internet; em Killshot: Tiro Certo, ela e seu marido, interpretado por Thomas Jane, seriam testemunhas de um crime, incluídos no programa de proteção à testemunha e perseguidos por um psicopata interpretado por Mickey Rourke e seu comparsa interpretado por Joseph Gordon-Levitt; em Noites de Tormenta, inspirado no livro de Nicholas Sparks, ela contracenaria pela terceira vez com Richard Gere, se envolvendo romanticamente com seu personagem em uma casa durante uma tempestade; finalmente, no mesmo ano, ela participaria de Jumper, no papel da mãe do protagonista, interpretado por Hayden Christensen.

Seus mais recentes papéis foram em 2010, contracenando com John Malkovich em Secretariat: Uma História Impossível, no papel de uma dona de casa dos anos 1970 que decide entrar para o mundo exclusivamente masculino da criação de cavalos de corrida; e em 2011, no filme para a TV Cinema Verité que acompanha o dia a dia de uma família escolhida para participar de um reality show. Atualmente, ela se encontra filmando Man of Steel, o já citado novo filme do Super-Homem, no qual interpretará a mãe adotiva de Clark Kent.

Pessoalmente, eu acho que Lane não merecia a carreira cheia de altos e baixos que teve; com sua beleza e talento, ela merecia bem mais sucesso. Ela mesma já chegou a se irritar por ser escolhida sempre para os mesmos tipos de papel e cogitar abandonar a carreira artística caso não conseguisse papéis mais desafiadores. Vamos torcer para que Martha Kent, mesmo sendo um papel pequeno, seja um começo. O mundo do cinema não merece ficar sem Diane Lane.

3 enfiaram o nariz:

Lucia disse...

O único filme que vi dela foi sob o sol de toscana. e mesmo você não gostando do tipo de filme que ela costuma fazer, tenho certeza que super homem você vai ver... hehe

11:20 AM
Lucia disse...

mais uma coisa, o patrick swayze eraa um gato mesmo. rs

11:20 AM
Guil disse...

Mesmo não gostando do tipo de filme que ela costuma fazer, confesso que já assisti a quase todos eles só porque ela os faz. E até comprei alguns em DVD. Sob o Sol da Toscana foi um :)

11:24 AM

Postar um comentário