segunda-feira, 2 de maio de 2011

Visionaries / M.A.S.K.

Hoje teremos mais um post sobre desenhos dos anos 80. Eu juro que no próximo eu falo sobre Centurions - era até essa a minha intenção hoje, mas, enquanto eu procurava um outro desenho para parear com ele, acabei me lembrando de outros dois sobre os quais eu fiquei com muito mais vontade de falar. Vamos a eles, portanto!

A decisão de adiar os Centurions veio depois que eu lembrei de Visionaries: Os Cavaleiros da Luz Mágica. Eu adorava esse desenho, e já havia até pensado em fazer um post só sobre ele, mas acabei falando de outras coisas, adiando, e só hoje me veio a oportunidade.

Assim como quase todos os desenhos dos anos 80, Visionaries era baseado em uma série de brinquedos, essa fabricada pela Hasbro, mesma dos Transformers e dos Comandos em Ação. Lançados em 1987 com o nome de Visionaries: Knights of the Magical Light, os brinquedos tentavam capitalizar sobre uma coisa que era vista como grande novidade na época, mas que depois, ao invés de virar moda, acabou servindo só para atestar a validade de cartões de crédito e a originalidade de softwares: a holografia.

Para quem não está ligando o nome à coisa, as holografias são aquelas figuras multicoloridas com um fundo prateado, as quais, dependendo de por qual ângulo você olha, parecem tridimensionais. Como eu disse, do tipo que encontramos hoje em cartões de crédito, no DVD do Windows original e nas notas de 20 Reais. Hoje pode parecer uma bobeira, mas, quando eu era criança e inventaram (ou encontraram uma aplicação comercial para) a holografia, foi um grande espanto. Mais ou menos igual ao que as pessoas estão tendo hoje com os hologramas, que, antes restritos a filmes de ficção científica, agora podem ser encontrados em programas de entrevistas da TV e dando informações aos passageiros dos aeroportos de Londres. Reportagens inteiras foram dedicados às holografias, como elas eram feitas, como elas eram legais e como elas iriam mudar nossas vidas. A revista Super Interessante botou uma na capa, o que fez com que a edição fosse a preferida de todos os meninos para levar para a escola e mostrar a todos os amigos, que ficavam horas olhando e dizendo "oooh". Foi um início bombástico que, infelizmente, não se traduziu em futuro glorioso.

Enquanto as holografias estavam fresquinhas e no auge de seu sucesso, entretanto, a indústria de brinquedos tentou aproveitá-las para vender mais. A primeira linha de bonecos a tentar isso foi Super Naturals, da fabricante Tonka, que trazia cavaleiros medievais com holografias de lobisomens, esqueletos, olhos gigantes e outras. Os bonecos da Tonka, entretanto, eram feiosos - pareciam que tinham sido cortados ao meio, pois só a parte das costas é que era um boneco, sendo a parte da frente toda uma holografia. A Hasbro, gigante do ramo, decidiu por um caminho diferente: bonecos no mesmo padrão dos demais encontrados no mercado, mas que usavam armaduras cujo peito tinha uma holografia, e portavam cetros que também tinham uma.

Como de costume, para acompanhar a linha de brinquedos, foi encomendada uma série em quadrinhos e um desenho para a televisão, para que as crianças se sentissem mais tentadas a encher o saco dos pais dizendo que queriam um. A série em quadrinhos foi publicada pela pequena Star Comics, mas o desenho ficou a cargo da Sunbow, que já havia feito parceria com a Hasbro nos desenhos dos já citados Transformers e Comandos em Ação.

Curiosamente, os personagens de Visionaries tinham a aparência de cavaleiros medievais, mas seus veículos eram estranhamente modernos. Para o desenho, portanto, a Hasbro e a Sunbow tiveram de criar uma história que justificasse essa mistura: um mundo no qual a Era da Tecnologia acabou de repente, sendo substituída pela Era da Magia.

Esse mundo se chamava Prysmos, e viveu uma era de prosperidade tecnológica que durou 7.000 anos. Um dia, entretanto, sem qualquer aviso prévio, o alinhamento de seus três sóis decretou o fim da Era da Tecnologia: qualquer máquina ou equipamento movido a combustíveis fósseis ou eletricidade parou de funcionar misteriosamente, e jamais conseguiu-se encontrar uma forma de fazê-los funcionar novamente. Sem as comodidades às quais estava acostumada, a sociedade reverteu rapidamente a um estado medieval, se organizando em feudos controlados por lordes, com cavaleiros duelando pelo controle dos parcos recursos disponíveis.

Um dia, os dois principais centros urbanos de Prysmos - a cidade de Nova Valarak, governada pelo Príncipe Leoric, e o feudo governado com mão de ferro pelo Lorde Darkstorm - receberam a visita do misterioso ancião Merklynn. Merklynn, na verdade um mago antigo e poderoso, anunciou aos habitantes de Prysmos que, com o fim da Era da Tecnologia, era chegada a Era da Magia, e que ele estava disposto a conceder poderes mágicos a qualquer cavaleiro que se dispusesse a subir a Montanha de Ferro e adentrar seu templo - passando, evidentemente, pelas provas e desafios que Merklynn colocaria no caminho.

Muitos tentaram, mas apenas 14 cavaleiros - 12 homens e duas mulheres - conseguiram chegar até a sala na qual Merklynn os estava esperando. Lá, ele batizou os cavaleiros como Visionaries - os Visionários, pois só eles tiveram a visão de acreditar na magia e lutar por ela até o fim - e concedeu a cada um deles um totem mágico, um animal no qual o cavaleiro pode se transformar por um curto período de tempo, e que reflete sua personalidade e as características que o cavaleiro em questão demonstrou durante as provas e desafios propostos por Merklynn - nos brinquedos, esses totens mágicos eram as holografias do peito da armadura dos cavaleiros. Merklynn não deu esses poderes aos Visionaries à toa: quando ele precisasse, iria chamá-los, e eles não poderiam se recusar a ajudá-lo. Até lá, eles poderiam usar a magia da forma como melhor lhes aprouvesse.

Durante as provas e desafios de Merklynn, Darkstorm, que já tinha dois aliados - o mercenário Reekon, que só lhe deve lealdade enquanto estiver recebendo pagamento, e o puxa-saco Mortdredd, que só falta deitar no chão para Darkstorm pisar em cima - se aproveitou de dificuldades pelas quais outros quatro cavaleiros passavam para obrigá-los a jurar lealdade, formando, assim, um grupo conhecido como Lordes das Trevas, principais vilões da série. Os Lordes das Trevas, então, atacaram os demais Visionaries, que, jurando combatê-los, formaram uma aliança sob a liderança de Leoric e se autodenominaram Cavaleiros da Luz - evidentemente, os heróis do desenho, dos quadrinhos e da linha de brinquedos.

Os totens dos Cavaleiros da Luz são de cor azul, e representam animais associados às qualidades nobres que esses Visionaries apresentam. Leoric, o líder bondoso e sábio, tem o totem do leão. Seus dois melhores amigos são Ectar, que, por sua astúcia, recebeu o totem da raposa, e Feryl, que por ser um excelente rastreador ficou com o totem do lobo. Witterquick, que demonstrou grande velocidade nas provas, ficou com o totem do guepardo, enquanto Arzon, que voou para alcançar seus objetivos, recebeu o totem da águia. Cryotek, o mais forte de todos, recebeu o totem do urso, e sua paixão, Galadria, única mulher dos Cavaleiros da Luz, ficou com o totem do golfinho.

Os totens dos Lordes das Trevas, por outro lado, são de cor verde, e representam animais associados às suas qualidades vis. Darkstorm ficou com o totem do molusco (um caramujo gigante com dois braços, uma boca cheia de dentes, três línguas e que cospe fogo), Mortdredd com o do besouro, e o ambicioso Reekon com o do lagarto. Cindarr, o mais velho de todos, mas também o mais forte, recebeu o totem do gorila; o medroso e desleal Lexor recebeu o totem do tatu; e Cravex, que sempre tenta levar vantagem sobre os outros, recebeu o totem do phylot (um animal nativo de Prysmos, que se parece com um pterodáctilo sem pernas). Virulina, única mulher dos Lordes das Trevas, ficou com o totem do tubarão.

Além dos totens, quatro cavaleiros de cada grupo, que por um acaso estavam portando cetros (na verdade, estandartes, aquela vara comprida com uma bandeirola na ponta) durante o desafio de Merklynn, receberam o direito de mergulhá-los na piscina mágica do templo, o que fez com que os cetros também recebessem incríveis poderes mágicos. Esses poderes são ativados através da recitação de um poema específico para cada cetro e, embora eles tenham "donos" - o cavaleiro que os utiliza com mais frequência - qualquer Visionary que tenha um cetro pode ativar os poderes de qualquer cetro, bastando recitar o poema adequado. Cada cetro só pode ser usado uma única vez antes de ter de ser levado ao templo para uma recarga, o que só aumenta o fato de que os Visionaries estão nas mãos de Merklynn.

Assim como os totens dos Visionaries, os totens dos cetros dos Cavaleiros da Luz são de cor azul, enquanto os dos Lordes das Trevas são de cor verde. Ao serem usados, as figuras dos cetros dos Cavaleiros da Luz se alternam entre o totem e um unicórnio, e as dos Lordes das Trevas entre o totem e um dragão. Leoric recebeu o cetro da sabedoria, cujo totem é uma coruja que, quando ativada, dá um conselho enigmático que, quando desvendado, normalmente livra os Cavaleiros da Luz de alguma situação traiçoeira. Arzon recebeu o cetro do conhecimento, cujo totem é um homem de cérebro enorme, capaz de responder a qualquer pergunta quando ativado. O cetro de Witterquick é o da velocidade, cujo totem, um homem cujas pernas são um tornado, quando ativado o envolve e o leva a seu destino em velocidade impressionante. Cryotek recebeu o cetro da força, cujo totem é um arqueiro que dispara uma única mas poderosa flecha. O totem de Lexor é o da invulnerabilidade, e seu totem, um homem musculoso, o protege contra qualquer dano. Cindarr recebeu o cetro da destruição, que, ao ser ativado, libera seu totem, uma fera que destrói tudo em seu caminho. Cravex porta o cetro do medo, cujo totem é uma aranha que, se atacada, se divide em cada vez mais aranhas, e, se alguma delas picar uma pessoa, essa passará a ter alucinações envolvendo seu maior medo. Finalmente, Darkstorm ficou com o cetro da podridão, cujo totem, um felino alado, tem o poder de envelhecer automaticamente qualquer coisa que toque com suas asas, inclusive pessoas. O cetro de Darkstorm é o único que tem dois poemas, pois, enquanto o cetro estiver ativo, ele pode recitar o segundo para reverter seus efeitos.

Os quatro cavaleiros homens que não têm cetros (Feryl, Ectar, Reekon e Mortdredd) também receberam uma dádiva de Merklynn: eles podem usar sua magia para fazer funcionar antigos veículos, que se tornaram inúteis ao fim da Era da Tecnologia. A magia dos totens é tão poderosa que esses veículos também ganham seus próprios totens, que podem ser ativados normalmente. Qualquer Visionary pode pilotar ou utilizar um veículo, mas um desses quatro cavaleiros tem de estar presente para imbuí-lo com a magia, ou ele não funcionará. Os veículos dos Cavaleiros da Luz são a Carruagem de Captura, que conta com dois módulos com canhões que podem ser ejetados e funcionar independentemente, e cujo totem são duas mãos que lançam bolas de fogo; e a Ciclo-Lança, uma espécie de moto cujo totem também são duas mãos, mas que protegem o veículo de ataques. Os veículos dos Lordes das Trevas são a Adaga de Assalto, que além de contar com dois canhões, uma catapulta e uma mini-nave que pode ser ejetada e funcionar independentemente, conta com o extrator mágico, um compartimento no qual um Visionary ou cetro pode ser colocado para que o totem do veículo, um esqueleto, anule o poder se seu totem - para o poder voltar, o Visionary ou cetro tem de ser colocado de volta no extrator e o processo revertido; e a Garra Celeste, uma nave com canhões e dois totens, duas criaturas aladas que parecem misturas de aves e répteis.

No desenho, Galadria e Virulina não possuem qualquer poder além de seu prórpio totem, mas nos quadrinhos cada uma recebeu de Merklynn um escudo, o de Galadria com o poder da cura e o de Virulina com o poder da doença.

O desenhos dos Visionaries estreou já em esquema de syndication em 21 de dezembro de 1987. A princípio, assim como com fez com os Transformers, a Sunbow produziu uma primeira temporada com apenas 13 episódios, sendo que o último trazia um gancho para a introdução de novos personagens na segunda, que seria mais longa. Infelizmente, porém, os brinquedos não venderam o esperado - um dos motivos foi que as holografias fizeram com que eles ficassem muito caros - e a Hasbro decidiu não somente descontinuar a linha como também não renovar o desenho, que acabou ficando mesmo só com 13 episódios. Diferentemente do que ocorreu com Pole Position, com Visionaries eu tinha plena consciência de que eram só 13 episódios, e lembro que fiquei muito revoltado quando o desenho começou a repetir tão cedo, e assisti em vão vários meses esperando os novos episódios - que eu não sabia que não existiam - estrearem.

A série em quadrinhos teve vida ainda mais curta que o desenho: apenas 6 edições, sendo cancelada após a segunda parte de uma história em quatro. A primeira edição dos quadrinhos tinha história idêntica ao primeiro desenho, mas depois cada um seguiu em uma direção totalmente diferente, tanto que vários detalhes dos quadrinhos não combinavam com os do desenho - além dos escudos de Galadria e Virulina, cada Visionary podia usar seu cetro quantas vezes quisesse, e, quando estavam sob a forma de animais, os cavaleiros temiam perder o controle, por exemplo.

A linha de brinquedos jamais foi lançada no Brasil. Nos Estados Unidos, ela era composta apenas pelos 12 cavaleiros homens; os oito que tinham cetros eram vendidos separadamente, e os demais vinham cada um de brinde com um dos veículos. A Hasbro chegou a planejar uma segunda série, que traria nada menos que 18 Visionaries e seis veículos novos, mas que nunca saiu do papel.

O primeiro desenho no qual eu pensei para hoje (e que originalmente iria fazer par com Centurions nesse post) foi um que eu nem gostava tanto, mas que, por alguma razão, me deu vontade de falar sobre ele: M.A.S.K.. Segundo um primo meu, M.A.S.K. era os Transformers dos pobres, pois nele, ao invés de veículos que viravam robôs, tínhamos veículos que viravam outros veículos, o que até era legal, mas bem menos legal do que robôs.

O mais curioso é que a ideia original era mais ou menos essa mesmo: criar uma linha de brinquedos que misturasse as características de Transformers e Comandos em Ação, as duas linhas de brinquedos para meninos mais populares da década de 80. Lançada pela Kenner em 1985, M.A.S.K. trazia os já citados veículos que podiam se transformar em outros veículos, cada um acomopanhado de um piloto, um bonequinho articulado do mesmo tamanho e no mesmo estilo dos de Comandos em Ação.

Como era comum na época, cada brinquedo trazia também uma mini-história em quadrinhos, que contava quem eram aquelas pessoas e por que seus veículos se transformavam. O passo seguinte, logicamente, foi inventar uma série em quadrinhos regular e um desenho animado, para atiçar as crianças. A série em quadrinhos foi lançada pela DC um ano depois, em 1986, e teve 15 edições. Já o desenho animado foi produzido pela DIC, do já famoso por aqui Jean Chalopin. Talvez por culpa de Chalopin - que, como vimos, costumava ser um pouco criativo além da conta - o desenho é bastante diferente de ambas as séries em quadrinhos, mantendo apenas a premissa de que duas organizações - uma criminosa, outra lutando pela justiça - se enfrentam usando veículos que podem se transformar em outros veículos.

M.A.S.K., o desenho, estreou no canal USA Network em 16 de setembro de 1985, com uma temporada de 65 episódios - o padrão para desenhos que eram exibidos todos os dias. Seus heróis pertenciam à organização M.A.S.K., que, além de significar "máscara", é a sigla de Mobile Armored Strike Kommand, algo como "komando de ataque blindado móvel" - culpa do fato de que é muito mais difícil inventar nomes para siglas do que siglas para nomes. Fundada pelo multimilionário Matt Trekker, e contando com alguns dos maiores especialistas do mundo em suas áreas, a principal função da M.A.S.K. é combater a organização criminosa conhecida como V.E.N.O.M. - que, além de significar "veneno", é a sigla para Vicious Evil Network of Mayhem, a "rede maligna perversa de destruição" - liderada pelo ex-militar Miles Mayhem, e composta de vários mercenários e capangas. Tanto a M.A.S.K. quanto a V.E.N.O.M. tem como maior trunfo as Máscaras, capacetes que possuem armas ou habilidades especiais, e com os quais seus integrantes se tornam capazes de pilotar seus incríveis veículos, que, além de terem várias armas embutidas, ainda possuem a já mil vezes citada aqui capacidade de se transformar em outros veículos.

No início, a M.A.S.K. conta com oito membros - cada um deles possui uma profissão "comum", que usa como disfarce, e habilidades apropriadas para a guerra contra o crime. Matt Trakker é o líder, e suas máscaras são a Spectrum, que pode disparar um raio sônico ensurdecedor, confere visão de calor e atua como uma espécie de paraquedas, permitindo que Matt caia lentamente; e a Ultra-Flash, que dispara um raio de luz cegante. Com a Spectrum, Matt pode pilotar o Thunderhawk, um carro que vira avião, e com a Ultra-Flash ele pilota o Rhino, um caminhão que vira plataforma de ataque e centro de comando.

O segundo em comando é Bruce Sato, fabricante de brinquedos, engenheiro mecânico e especialista em design de origem japonesa - que, estranhamente, vive citando provérbios chineses - cuja máscara, Lifter, tem a capacidade de criar um campo anti-gravitacional. O melhor amigo de Brice e Matt é Alex Sector, britânico dono de pet shop, veterinário, zoólogo e especialista em computação e comunicação que usa a máscara Jack Rabbit, que lhe confere capacidade de voo. Tanto Bruce quanto Alex usam suas máscaras para piotar e operar o caminhão Rhino.

Dusty Hayes é um pizzaiolo, especialista em direção perigosa, rastreamento e demolições, que usa a máscara Backlash, que dispara um raio cinético e permite que ele pilote o Gator, um jipe que esconde um barco sob a carroceria. Gloria Baker, como de costume a única mulher da equipe, é campeã de automobilismo e faixa-preta em kung fu, usa a máscara Aura, que projeta um campo de força, e pilota o Shark, um Porsche que se transforma em submarino. Já Brad Turner é piloto de moto e helicóptero, alpinista, vocalista de uma banda de rock, usa a máscara Hocus-Pocus, que projeta hologramas, e pilota o Condor, veículo nada surpreendente se olharmos seu perfil: uma moto que se transforma em helicóptero.

Completam a equipe Hondo MacLaren, professor de história, especialista em armas e estrategista tático, que usa a máscara Blaster, que dispara poderosos lasers; e Buddy Hawks, mecânico da equipe, mestre dos disfarces e especialista em obetnção de informações, que usa a máscara Penetrator, que permite que ele atravesse objetos sólidos. Tanto Hondo quanto Buddy pilotam o Firecracker, uma picape com várias armas escondidas. Finalmente, embora não fosse parte da equipe, o filho adotivo de Matt, Scott Trakker, e seu robô T-Bob, que parece um ovo, pode se transformar em uma moto e não é muito corajoso, aparecem em todos os episódios, funcionando como apoio cômico, fazendo com que as crianças se identifiquem, e colocando a história em movimento - normalmente enfiando o nariz onde não foram chamados.

Inicialmente, a V.E.N.O.M. tinha apenas quatro membros. Nos quadrinhos, a organização surgiu depois que Miles Mayhem, que ajudou Matt e seu irmão Andy Trakker a criar a M.A.S.K., os traiu e decidiu usar os equipamentos que os três haviam inventado para cometer crimes, sendo o primeiro deles matar Andy. No desenho, nunca fica claro quais seriam os objetivos da V.E.N.O.M. - como o desenho não tem continuidade, a cada episódio eles resolvem comoter um crime por um motivo qualquer - então assume-se que é o de sempre, dominar o mundo, o que é meio estranho para uma organização com tão poucos membros.

Seja como for, mesmo com o desenho não tendo essa história da traição de Mayhem, a V.E.N.O.M., de alguma forma, também tem máscaras. A de Mayhem é a Viper, que lança um jato de ácido e permite que ele pilote o Switchblade, um helicóptero que vira avião. Curiosamente, o segundo em comando da organização, Vanessa Warfield - também única mulher da V.E.N.O.M. - não tem máscara nem veículo próprio, mas usa os de Mayhem ocasionalmente. Completam o time de vilões o trapaceiro Sly Rax, que secretamente planeja destituir Mayhem e se tornar o líder da organização, usa a máscara Stiletto, que dispara lâminas, e pilota a Piranha, uma moto cujo sidecar se transforma em submarino; e Cliff Dagger, capanga fortão que usa a máscara Torch, que lança chamas, e pilota o Jackhammer, também uma picape com várias armas escondidas.

Na metade da primeira temporada, novos personagens foram introduzidos e alguns dos antigos ganharam novas máscaras e veículos, para representar os brinquedos da segunda série, que seria lançada em 1986. Pela M.A.S.K., Matt ganhou a máscara Lava Shot, que dispara bolas de metal incandescente e permite que ele pilote o Volcano, um caminhão-monstro com várias armas escondidas; e Hondo ganhou um novo veículo, Hurricane, um carro que se transforma em tanque, que substituiu o Firecracker, destruído pela V.E.N.O.M..

Os quatro novos membros da M.A.S.K. eram Calhoun Burns, arquiteto, criador de cavalos e especialista em construção e demolição, com a máscara Gulliver, que podia aumentar ou encolher objetos, e que pilotava o Raven, carro que se transformava em hidroplano e submarino; Jacques LeFleur, lenhador canadense mestre de artes marciais e especialista em desastres naturais, que usava a máscara Maraj, capaz de deixá-lo invisível, e pilotava o Volcano junto com Matt; Julio Lopez, médico especialista em idiomas e criptografia, cuja máscara Streamer podia lançar cola, espuma ou óleo, e permitia que ele pilotasse o Firefly, buggy que virava avião; e Ace Riker, ex-piloto de testes da NASA, dono de uma loja de ferragens, que usava a máscara Richochet, que dispara um bumerangue de energia, e pilotava o Slingshot, furgão que esconde uma pequena nave em seu interior.

A V.E.N.O.M. também ganhou quatro novos membros: Bruno "Cachorro Louco" Sheppard, outro fortão, com a máscara Magna-Beam, que pode atrair ou repelir objetos, e o veículo Stinger, um carro que vira tanque; Floyd "Birdman" Malloy, especialista em fraudes e líder de uma gangue de motoqueiros, cuja máscara Buckshot dispara uma rajada de esferas e permite que ele pilote a Vampire, uma moto que abre asas e voa; e os capangas Nash "Goon" Gorey, que usa a máscara Powerhouse, que amplia sua força, e Lester "Lagarto" Sludge, cuja máscara Mudslinger lança jatos de uma substância pegajosa. Goon e Lagarto dividiam o veículo Outlaw, um caminhão-tanque que virava uma base de operações, e também podia ser pilotado por Mayhem com a nova máscara Python, que dispara um gancho que aprisiona oponentes e alcança objetos distantes.

Como a linha de brinquedos estava vendendo bem, a Kenner encomendou uma segunda temporada do desenho, que introduziria os personagens e veículos da terceira série de brinquedos, que seria lançada em 1987. A segunda temporada estreou em setembro de 1986, mas, por alguma razão, a DIC decidiu fazer o desenho semanal, ou seja, a temporada teria menos episódios que a primeira. O problema foi que a terceira série de brinquedos era baseada em carros de corrida, o que aparentemente não agradou aos fãs do desenho. O resultado foi que a segunda temporada acabou antes ainda do previsto, com apenas 10 episódios produzidos.

A segunda temporada (e a terceira série de brinquedos) trouxe novas máscaras e veículos para Matt, Alex, Dusty, Brad, Buddie, Ace, Mayhem, Sly e Lagarto, além de finalmente uma máscara e um veículo próprios para Vanessa (a Whip, que cria chicotes de energia, com a qual ela pilota o Manta, um carro de corrida que se transforma em avião), três novos integrantes para a M.A.S.K. e um novo membro para a V.E.N.O.M.. Curiosamente, Mayhem quase não apareceu nessa temporada, com Vanessa se tornando a líder de fato dos vilões.

Apesar do cancelamento repentino do desenho, os brinquedos continuaram vendendo bem, tanto que uma nova série seria lançada em 1988. Essa série trazia veículos que, ao invés de se transformar, se dividiam em dois. Cada veículo acompanhava um boneco de plástico transparente idêntico ao piloto do veículo, que representava um holograma que dirigia uma das duas metades enquanto o piloto dirigia a outra. Essa série não trouxe personagens novos, mas trouxe novas máscaras e veículos para Matt, Bruce, Dusty, Gloria, Hondo, LeFleur, Lopez, Mayhem, Dagger, Cachorro Louco e Birdman. Além dessas quatro séries, em 1986 foi lançada uma série especial, chamada Adventure Packs, composta por oito veículos de tamanho menor, nos quais os bonecos não cabiam, mas que ainda assim se transformavam em outros veículos. Assim como ocorreu com os Visionaries, os brinquedos de M.A.S.K. jamais foram lançados no Brasil.

3 enfiaram o nariz:

Ivan Linares disse...

O que eu gostava mais nesse "Visionaries" era o fato de que os vilões tinham tanta importância quanto os heróis, e volta e meia tinham que se aliar aos bonzinhos pra cumprir os desígnios de Merklynn. E, acima de tudo, eles tinham honra, não atacando os heróis após cada missão cumprida em conjunto.

(Só estranhei uma coisa... Imagino que, em nosso mundo, se por acaso a eletricidade deixasse de agir, após um certo caos inicial a civilização se reorganizasse, regredindo não a um cenário medieval monárquico, mas pelo menos à tecnologia do século XIX, com máquinas a vapor e bondes puxados a burro...)

Ah, sim, tem mais duas coisas: 1ª) o "Visionaries" foi lançado no Brasil no programa de Xuxa, fazendo dobradinha com outro desenho chamado "Comando Estelar" (Starcom USA), sendo que um passava às segundas, quartas e sextas e o outro às terças, quintas e sábados.

E 2ª) eu sei que ele teve duas dublagens -- e na primeira, o grupo do príncipe Leoric era chamado de "Cavaleiros do Espectro".

De resto, "Visionaries" e "M.A.S.K" eram desenhos sensacionais, que muito alegraram minha infância!

1:43 AM
Guil disse...

Eu até gostava mais da primeira dublagem (provavelmente por razões de memória afetiva), mas, sejamos francos, "Cavaleiros da Luz" é um nome bem mais heroico que "Cavaleiros do Espectro" :)

11:56 AM
alice disse...

Olá, que bom que alguém lembra deste desenho! Antes eu comentava com o meu esposo (que e nostálgico também) sobre os visionário. Ele achava que eu inventei o desenho. Quanto ao estória eu penso que para época ele era bastante criativo. O que mais me chamava atenção era os versos que os personagen recitavam para se transformarem nos animais. Salvo engano aquele personagem que virava pantera dizia: "Para a encosta do morro, para lá eu corro..." algo parecido com isto.
Até mais e parabéns pelo texto.

Alice

12:45 AM

Postar um comentário