quarta-feira, 15 de julho de 2009

Maggie Gyllenhaal

É muito raro que eu escreva sobre atores e atrizes aqui no átomo. De fato, de 317 posts, só seis foram dedicados a eles, e, assim mesmo, só porque eram os seis atores e atrizes que escolhi para colocar no meu Perfil quando decidi incluir essa categoria. O motivo para isso já foi discutido aqui diversas vezes: tirando o Schwarzenegger, ator nenhum nunca foi motivo para que eu visse um filme. Talvez porque eu nunca me liguei muito nesse lance de interpretação boa ou ruim como requisito para gostar de um filme. Lembro-me, por exemplo, que, quando fui assistir ao primeiro Hulk, aquele do Ang Lee, saí do cinema reclamando de várias coisas, enquanto uma amiga disse algo do tipo "pois é, e ainda por cima a Jennifer Connelly interpretou muito mal". Algo que eu nunca iria nem parar para prestar atenção.

Mas deixemos a digressão de lado e voltemos à introdução desse post, que, como alguns já devem ter imaginado, versa sobre um ator ou atriz. Mais especificamente, sobre uma atriz. Mais especificamente ainda, sobre Maggie Gyllenhaal, que receberá a honra de ser a primeira atriz de fora do meu Perfil a ganhar um post no átomo. E não que ela não esteja no meu perfil porque eu não goste dela, porque eu absolutamente a adoro, mas porque, se for para começar a colocar todos os atores de que eu gosto no Perfil, eu vou ter de colocar também todos os filmes, todos os games, todas as bandas, e aí meu Perfil vai ficar maior que a lista de Textos Passados, o que para mim não faria sentido algum.

E o que interessa é que Maggie Gyllenhaal é linda, é uma excelente atriz, e desde que eu revi O Cavaleiro das Trevas há alguns dias estou com uma vontade louca de escrever um post sobre ela. Então vamos a ele.



Margareth Ruth Gyllenhaal (que se pronuncia "djilenróu") nasceu dia 16 de novembro de 1977 na cidade de Nova Iorque, Estados Unidos. Filha do diretor Stephen Gyllenhaal com a roteirista Naomi Foner, e irmã mais velha do também ator Jake Gyllenhaal (de Brokeback Mountain), Maggie vem de uma linhagem nobre da Suécia, descendendo do famoso entomologista Leonard Gyllenhaal, um dos principais difusores da Igreja Swedenborgiana.

Mas Maggie não nasceu em uma família de entomologistas ou religiosos, mas de cineastas, o que fez com que eles se mudassem, quando ela tinha apenas um ano de idade, para Los Angeles. Enquanto seus pais trabalhavam para a indústria de Hollywood, Maggie e Jake, que nasceu dois anos depois deles se estabelecerem na Califórnia, estudavam na famosa escola preparatória Harvard-Westlake, onde Maggie participava de todas as peças de teatro que conseguia. Desde cedo, ela levava a interpretação a sério, embora fosse vista pelos professores e colegas como uma espécie de rebelde, que não gostava de se relacionar com os estudantes de famílias mais abastadas.

Em 1992, quando Maggie tinha 15 anos, seu pai decidiu dar um empurrãozinho em sua carreira e colocá-la em um papel de apoio em seu filme Waterland. No ano seguinte, ele arrumaria mais uma ponta para ela em Uma Mulher Perigosa. Conseguir papéis em outros filmes, porém, se revelaria uma tarefa difícil: alta, magra e de traços pouco convencionais, Maggie teve de ouvir mais de uma vez após um teste que era talentosa, mas não bonita ou sexy o suficiente para o papel.

Em 1995, Maggie se formou na Harvard-Westlake, e decidiu voltar para Nova Iorque, para estudar na Universidade de Columbia, onde estudou artes e literatura. Ela chegou a decidir suspender a carreira artística enquanto estudava, mas acabou participando de mais quatro filmes dirigidos pelo pai: Shattered Mind (1996, feito para a TV), Três Sócios Duvidosos (1998), The Patron Saint of Liars (1998, feito para a TV) e Resurrection (1999, feito para a TV). Em 1999, ao se formar na universidade, Maggie decidiu viajar para Londres e estudar na Royal Academy of Dramatic Arts, para ampliar suas habilidades teatrais.

Ao retornar, Maggie finalmente conseguiria um papel em um filme que não fosse dirigido por seu pai, interpretando uma maquiadora satanista na sátira Cecil Bem Demente, de 2000, dirigido por John Waters. No mesmo ano, ela conseguiria uma pontinha em O Flash da Morte, de Jeremy Stein. Também em 2000, enquanto fazia testes para novos filmes, ela decidiu se dedicar ao teatro, sendo bastante elogiada por sua interpretação na peça Closer (que em 2004 seria adaptada para o filme de mesmo nome com Natalie Portman, Jude Law, Julia Roberts e Clive Owen). Maggie também atuaria com elogios nas peças A Tempestade e Antônio e Cleópatra, ambos de Shakespeare; Sem Saída, de Jean Paul Sartre; e em O Efeito Borboleta (que também seria adaptada em 2004 para um filme de sucesso com Ashton Kutcher).

Em 2001, após uma participação em Os Garotos da Minha Vida, estrelado por Drew Barrymore, Maggie ganhou a oportunidade que esperava, mas talvez não da forma que esperava, sendo convidada para interpretar a irmã de seu próprio irmão, Jake, que seria o protagonista de Donnie Darko. Segundo ela, foi difícil ver o irmão mais novo se tornar uma estrela de Hollywood enquanto ela lutava para conseguir pequenos papéis. Sua atuação em Donnie Darko, porém, lhe renderia um convite para o papel que finalmente faria sua carreira decolar, em Secretária, de 2002.

No papel de uma menina tímida e um tanto perturbada, adepta do autoflagelamento, que consegue um emprego de secretária e se envolve em uma relação sado-masoquista com o chefe (James Spader), Maggie recebeu uma avalanche de críticas favoráveis, elogios da imprensa especializada, uma indicação para o Globo de Ouro, outra do Independent Spirit Award, e um prêmio de Performance Revelação da Online Film Critics Society. No mesmo ano de 2002 em que sua carreira começaria a deslanchar, Maggie conheceria seu namorado Peter Sarsgaard, com quem teria uma filha, Ramona, em 2006, e se casaria em 2009.

Ainda em 2002, Maggie poderia ser vista em pequenos papéis em filmes de grande repercussão, como 40 Dias e 40 Noites; Adaptação, onde contracenou com Nicholas Cage; e Confissões de uma Mente Perigosa, onde contracenou com George Clooney - estes dois últimos escritos pelo roteirista cult Charlie Kaufmann. Mas somente em 2003 ela participaria de um filme que pudesse ser considerado bem sucedido financeiramente, O Sorriso de Mona Lisa, onde interpretou Giselle Levy, uma aluna avançadinha da escola de 1950 que tem sua vida mudada pela chegada da nova professora interpretada por Julia Roberts.

Depois disso, buscando papéis desafiadores, Maggie se dedicaria a pequenos filmes independentes, como Casa de los Babys (2003), que conta a história de um grupo de mulheres norte-americanas que viaja para a Argentina para adotar crianças; 171 (2004), refilmagem do filme argentino Nove Rainhas, no qual interpreta a irmã do protagonista, uma gerente de hotel que acaba se envolvendo em um golpe tramado pelo irmão, que pretende vender um selo falsificado; e Strip Search (2004), um filme para a TV produzido pela HBO, no qual interpreta uma estudante norte-americana acusada de terrorismo durante uma viagem à China; além de uma pequena participação em The Pornographer: A Love Story (2004), que conta a história de um relacionamento conturbado entre um diretor e uma atriz.

Em 2004, Maggie voltou ao teatro, sendo bastante elogiada no papel da filha de uma turista britânica morta durante uma visita ao Afeganistão em Homebody/Kabul. Sua carreira também tomou novas direções quando ela foi convidada para integrar a Academy of Motion Picture Arts and Sciences, mais conhecida como a Academia, aquela que distribui os prêmios conhecidos no mundo todo como Oscars. No mesmo ano, ela participou da campanha Declare Yourself, que estimulava os cidadãos norte-americanos a votarem nas eleições daquele ano; e de um evento beneficente que buscava arrecadar dinheiro para a organização Tibet House, que busca preservar e difundir a cultura tibetana. Maggie também acabou gerando alguma repercussão negativa na imprensa ao promover seu novo filme, Histórias de Nova York (2005), que contava cinco histórias intercaladas ambientadas na cidade após os ataques de 11 de setembro de 2001, ao declarar que a América era "em parte responsável pelos ataques" por ter feito "coisas repreensíveis". E, finalmente, a menina que não era sexy o suficiente para ganhar seu primeiro papel viu-se vingada ao ser escolhida uma das "100 mulheres mais sexies do mundo" pelas duas revistas mais conceituadas nesse assunto nos Estados Unidos, a Maxim em 2004, e a FHM em 2005.

Em 2005 Maggie também estrelaria Finais Felizes, onde interpretaria uma cantora de caráter duvidoso que se envolve romanticamente com um rapaz homossexual receoso em assumir sua opção sexual, apenas para depois seduzir o pai dele; e Totalmente Apaixonados, onde tenta convencer o personagem de Billy Crudup, com quem namora há sete anos, de que é hora de assumir um compromisso mais sério. Infelizmente, nenhum dos dois filmes foi exatamente um sucesso de bilheteria, e a atuação de Maggie chegou a ser criticada, especialmente no segundo, onde alguns críticos consideraram que ela estava interprentando "o mesmo papel de sempre".

Maggie voltaria aos blockbusters em 2006 ao aceitar filmar As Torres Gêmeas, de Oliver Stone, onde mais uma vez contracenaria com Nicholas Cage. No mesmo ano, ela interpretaria uma dona de padaria que se apaixona pelo personagem de Will Ferrell, que aparentemente tem sua vida controlada por uma escritora de romances, na comédia Mais Estranho que a Ficção; teria mais uma performance arrebatadora, que lhe renderia uma segunda indicação ao Globo de Ouro e um prêmio de Melhor Atriz no Festival de Estocolmo, ao interpretar uma ex-viciada que tenta se reconciliar com a filha após sair da prisão em Sherrybaby; participaria da reunião de curtas Paris, Eu te Amo, como uma atriz americana viciada em haxixe e vivendo na Cidade-Luz; e faria seu primeiro trabalho de dublagem, ao emprestar a voz (e algo de sua aparência) à babá adolescente Zee, no desenho animado de terror produzido por Steven Spielberg A Casa Monstro.

Por causa da gravidez, Maggie faria um único trabalho em 2007, o curta High Falls, no qual contracena com Sarsgaard e interpreta uma mulher que tem seu casamento ameaçado quando seu marido decide trocar confidências íntimas com um amigo. Seu retorno aos longas seria em grande estilo, ao ser escolhida pela Warner para substituir Katie Holmes, que parece ter ficado meio alheia de tudo após se casar com Tom Cruise, no papel da assistente de promotoria Rachel Dawes em Batman: O Cavaleiro das Trevas, seu filme de maior bilheteria até o momento.

Em 2009, Maggie retornou aos teatros, na peça Tio Vanya, recebendo críticas positivas e negativas sobre sua interpretação. No cinema, ela participou de Away We Go, no papel de uma professora universitária, recebendo muitos elogios por sua interpretação. Seu mais recente filme, Crazy Heart, onde interpreta uma repórter que se envolve com um cantor de música country alcóolatra, está em pós-produção, e deve estrear ainda esse ano. Atualmente, ela está filmando Nanny McPhee and the Big Bang, continuação de Nanny McPhee, a Babá Encantada, onde interpreta a Sra. Green, com estreia prevista para 2010; e já foi reservada para South Solitary, sem data prevista ainda para o início das filmagens.

Além do cinema, Maggie continua envolvida com ações humanitárias, apoiando a American Civil Liberties Union, e participando de eventos como os da TrickleUp.org, que financia micro-empresas; da organização Witness, que delata violações de direitos humanos; da Food Bank, que arrecada comida para os moradores pobres de Nova Iorque; e da Lunchbox Fund, que arrecada comida para crianças da África do Sul. Ela também é contra a Guerra do Iraque e a favor da ecologia e do desenvolvimento sustentável, tendo sido apresentadora do evento Fashionably Natural de 2008, que apresenta estilistas e designers que trabalham com materiais biodegradáveis e não-nocivos ao meio-ambiente.

0 enfiaram o nariz:

Postar um comentário