quarta-feira, 13 de maio de 2009

The Ocean Hunter

Como quem acompanha este blog sabe, hoje é dia do terceiro post de uma série de cinco que eu resolvi fazer para "completar" o meu Perfil, ou seja, abordar assuntos listados nele que ainda não haviam sido abordados. Como quem acompanha esse blog também sabe, esses temas foram escolhidos através de sorteio. E, como todos os que acompanham sorteios sabem, às vezes em sorteios acontecem coisas imprevistas. Como serem sorteados dois games seguidos. Pois é, depois do papelzinho do Daytiona USA, eu puxei o do Ocen Hunter. Como sorteio é sagrado, esse será nosso tema de hoje.

o gabineteEu acho que pouca gente sabe do que se trata - o que é de certa forma bom, pois este post servirá para alguma coisa - mas, ao lado de Daytona USA, The Ocean Hunter foi um dos arcades que mais me comeram dinheiro na vida. Diferentemente daquele, porém, este tem um final, e, depois de zerá-lo, a comilança diminuiu consideravelmente. Além disso, o único lugar da face da Terra que eu conheço que tinha um era o Iguatemi, ou seja, depois que o tiraram de lá, eu não pude mais jogar. De vez em quando eu sinto saudades.

The Ocean Hunter, vale dizer, é um jogo de tiro, daqueles em que cada jogador pega uma pistola e sai disparando flashes de luz em coisas que aparecem na tela, perdendo o jogo quando é "atingido" de volta um número suficiente de vezes. O jogo tem, porém, três diferenciais em relação ao seus principais concorrentes: em primeiro lugar, o jogador não usa uma pistola, mas um lançador de arpões - não chega a ser uma metralhadora de helicóptero como a de Gunblade NY, nem lança arpões de verdade, mas dá pro gasto. Em segundo lugar, os jogadores jogam sentados, o que é ótimo para quem vai passar uma ou duas horas atirando em peixes. Em terceiro lugar, é isso mesmo que você leu, a ação se passa sob a água, e os oponentes pertencem à fauna marinha. O jogo não se chama The Ocean Hunter ("o caçador do oceano") por acaso.

Lançado em 1998 pela Sega, para sua placa Model-3, The Ocean Hunter: The Seven Seas Adventure tentou pegar carona no enorme sucesso que outros jogos de tiro da época, como Time Crisis II, estavam fazendo. Infelizmente, não conseguiu: poucos fliperamas se interessaram por colocá-lo à disposição, principalmente porque era uma máquina grande, com tela de 32 polegadas, um console onde as armas ficavam montadas, e o já citado banco para os jogadores sentarem. Em 1999, a Sega decidiu lançar uma "versão compacta", com gabinete e tela do tamanho tradicional dos arcades, onde os joghadores ficavam de pé, mas poucos foram os jogadores que se dispuseram a enfrentar seus perigos subaquáticos. Pouco depois, a onda dos arcades de tiro começou a esvanecer, e The Ocean Hunter foi tirado de circulação. Hoje, ele é considerado um dos arcades mais raros da história, podendo ser encontrado em pouquíssimos lugares, e com o impressionante fato de que nenhum colecionador cadastrado na Video Arcade Preservations Society, uma organização presente em 70 países, que reúne pessoas dispostas a guardar antigas máquinas de arcade para preservar sua história, tem um Ocean Hunter dentre seus títulos.

The Ocean Hunter é ambientado em um mundo steampunk, onde grandes máquinas a vapor ocupam o lugar de equipamentos eletro-eletrônicos. Com poucas terras e muita água, praticamente todo o comércio e todas as viagens neste mundo são feitos através de navios. Um dia, por alguma razão, monstros marinhos surgem, e começam a atacar os navios, deixando a população desesperada e causando enormes prejuízos. Sem conseguir dar conta do problema, os principais governos do mundo decidem oferecer recompensas a aventureiros corajosos que se disponham a matar tais monstros, pondo fim à sua ameaça. Neste cenário, os jogadores assumirão o papel de Torel e Chris, dois caçadores de recompensas que planejam enriquecer caçando os monstros, além de contribuir para fazer um mundo melhor, evidentemente.

O jogo é dividido em sete fases, cada uma representando um dos sete mares do mundo onde o jogo é ambientado. Em cada um deles, os jogadores se depararão com ameaças menores, como águas-vivas e tubarões; "subchefes", monstros maiores que valem recompensas; e com o monstro marinho residente no local, razão deles terem ido até lá arriscar suas cabeças. O movimento dos personagens é controlado pelo computador, cabendo ao jogador simplesmente mover a mira da arma pela tela e apertar o gatilho cada vez que quiser dispará-la. Eventualmente, o computador colocará os personagens em curso de colisão com os inimigos, que precisam ser atingidos para serem destruídos ou para se desviarem; caso o jogador não consiga atirar no inimigo a tempo (ou em quantidade suficiente para desviá-lo), será atingido, perdendo uma unidade de energia. Cada jogador tem três unidades de energia, tendo de gastar um novo crédito caso queira continuar jogando após perdê-las. As boas notícias são que você recomeça exatamente de onde parou quando coloca um novo crédito (desde que o coloque antes da contagem regressiva do continue chegar a zero, evidentemente), que existem itens espalhados pelas fases que fazem com que você recupere energia, e que, no modo para dois jogadores, se um morrer, o outro poderá continuar normalmente.

Os chefes - e alguns subchefes - de Ocean Hunter foram batizados em homenagem a criaturas mitológicas, embora nem sempre eles correspondam às criaturas que lhes deram nome. Para vencê-los, não basta sair atirando a esmo; cada um possui uma ou mais "áreas sensíveis", pontos fracos onde devem ser atingidos. Atingi-los em outras partes faz pouca diferença. Além disso, quando sua energia estiver no final, círculos aparecerão ao redor de certas áreas (como um olho ou a boca, por exemplo). É imperativo que três tiros sejam acertados nestes círculos para que o chefe seja derrotado.

Torel e ChrisA primeira fase, chamada Baroque Sea, é também a mais fácil, com alguns tubarões para encher o saco, e três subchefes fáceis, um tubarão branco chamado White Death, um dragão de komodo identificado apenas como Sea Dragon, e uma cobra gigante identificada como Sea Serpent. O chefe é Kraken, um polvo gigante que tenta agarrá-lo com seus tentáculos. O mais curioso é que ele acaba conseguindo não importa o quanto você tente afastá-los, mas isso é uma boa coisa, pois é a única forma de acertar seu olho.

A segunda fase, Luna Sea, tem apenas um subchefe, a Hydra, na verdade três moréias que ficam entrando e saindo de buracos em uma rocha. Seu chefe é o Leviathan, um tubarão gigantesco, com uma espécie de armadura, que deve ser acertado na goela para ser destruído, e ainda vem acompanhado de tubarões comuns que atrapalham seus objetivos. A terceira fase, Tartarus Deep, além de ser uma das mais interessantes, pois faz com que os mergulhadores desçam até profundidades abissais, tem um dos subchefes mais difíceis do jogo, Scylla, uma lula roxa que deve ser atingida enquanto está investindo contra você. Além de Scylla, você deverá lidar com Naga, uma serpente marinha de dezenas de metros de comprimento, mas difícil de acertar por ser fina. O chefe é um dos mais chatos de se derrotar do jogo, Charybdis, um peixe abissal gigante que não só vem acompanhado de serpentes marinhas, mas tenta sugá-lo para dentro de sua enorme boca, e ainda se esconde em uma caverna escura, onde tudo o que você pode ver dele é sua lanterna.

Como uma espécie de prêmio por sua paciência e habilidade em derrotar Charybdis, a quarta fase, Texcoco Great Lake, é a mais curta do jogo, e não tem subchefes. Seu chefe é um elasmossauro, primo do monstro do Lago Ness, chamado Ahuizotl. Embora seus ataques sejam velozes - o que lhe obriga a ser ainda mais veloz se quiser acertá-lo e não ser acertado por ele - a luta não é difícil, e ainda tem o bônus de ter parte dela travada no seco, com Ahuizotl esticando seu pescoço para fora da água para tentar comê-lo.

A quinta fase, North Sea, é uma das mais difíceis, principalmente pelo longo trecho infestado de águas-vivas. O subchefe, nada surpreendentemente, é uma água-viva gigante, chamada Medusa. O chefe, na minha opinião, é o mais difícil do jogo: Karkinos, um caranguejo gigante que tem a mania feia de agarrá-lo com suas pinças e prendê-lo no fundo do oceano, de onde você tem cinco segundos para se livrar antes de ser massacrado. Durante muito tempo, Karkinos representou o fim de jogo para mim, quer eu estivesse jogando sozinho ou acompanhado. Da primeira vez que consegui derrotá-lo, jogando junto com meu primo, no mesmo crédito zeramos o jogo. Mesmo depois que eu me tornei um bom jogador de Ocean Hunter, aliás, Karkinos continuou sendo o único inimigo além do último chefe capaz de me fazer gastar mais de um crédito em uma sessão de jogo.

Desavenças à parte, chegamos à sexta fase, West Ocean, fase comprida com apenas um subchefe, um basilossauro sem nome (bem, na verdade ele tem um nome, mas é Basilosaurus, então não conta). O chefe é o curioso Midgardsorm, uma serpente marinha gigantesca, que engole os jogadores assim que estes a encontram. Em uma luta pouco convencional, seu objetivo será atirar no coração de Midgardsorm, enquanto uns bichos esquisitos que eu e meu primo chamávamos de paramécios tentam protegê-lo. Bem mais fácil que lutar contra Karkinos ou Charybdis, se você me perguntar.

as águas-vivasFinalmente, após livrar o mundo de todas essas criaturas bizarras, Torel e Chris descobrem que há um vilão responsável por colocá-las no mundo, e rumam para Panthalassa, the Sea of Evil, (o "mar do mal", aparentemente não originário desse mundo) para derrotá-lo. Panthalassa é, na verdade, uma sequência de lutas contra subchefes: primeiro, três tubarões conhecidos coletivamente como Kerberos; então um polvo gigante capaz de ficar invisível chamado Umi-Bozu; em seguida um dragão de komodo preto chamado simpelsmente Black Dragon; e finamente um par de serpentes marinhas rapidíssimas chamadas Vritra e Kaliya, difíceis tanto de acertar quanto de perceber que elas estão vindo em sua direção. Passando por todo esse sofrimento, você chega no último chefe, Dagon, um gigante humanóide de pele escamada. Curiosamente, Dagon não tem os pontos fracos marcados com círculos, mas suas áreas sensíveis são as palmas de suas mãos. Quando estiver perto de ser derrotado, Dagon muda de forma e de nome, passando a se chamar Poseidon, também um gigante humanóide de pele escamada. Poseidon não só tem dois ataques novos - cuspir bolas de energia e tantar acertá-lo com um tridente - como também é o contrário de Dagon: não tem áreas sensíveis, mas, quando ele pega o tridente, um círculo aparece em um ponto minúsculo e bem no cantinho da tela, sobre seu ombro. Acertando lá três vezes, você o derrota.

Pensa que acabou? Poseidon muda de forma novamente e o verdadeiro último chefe se revela: Rahab, uma espécie de homem-peixe gigantesco, com três olhos e garras afiadas. Rahab é mais veloz que qualquer outro inimigo do jogo, e ainda tem a péssima mania de se proteger atrás das ruínas do templo que lhe serve de cenário. Suas áreas sensíveis são as palmas das mãos e os dentes, mas para derrotá-lo você terá de acertar três tiros em seu terceiro olho, o que só será possível se você deixá-lo agarrar-lhe com a língua, quando ele resolve te sacudir para tudo o que é lado, o que torna meio difícil fixar a mira. Acertando três tiros no olho de Rahab, o mundo está a salvo, e você pode ir curtir sua recompensa bem longe da água.

Como não foi exatamente um sucesso, The Ocean Hunter jamais ganhou uma versão caseira. Na minha opinião, agora que a Sega é amiguinha da Nintendo, eles bem que poderiam lançar uma versão par Wii, onde o controle poderia ser usado como arma (e aproveitar o embalo e fazer uma de Gunblade NY também, outro jogo de tiro da Sega que eu gosto). Até que eles resolvam ressucitar a luta contra os monstros marinhos, The Ocean Hunter viverá apenas na minha lembrança. E no coração dos fãs, já que eu espero que eu não seja o único.

Semana que vem, o quarto post sorteado. Alguém arrisca um palpite?

1 enfiaram o nariz:

Lovely disse...

otimo post, seria legal ter falado sobre o poema na final do jogo, sempre quis saber o que ele dizia, não sou boa em ingles

4:24 PM

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