quarta-feira, 16 de julho de 2008

Indiana Jones

Até por volta dos 15 ou 16 anos, minhas preferências musicais e cinematográficas eram bem diferentes das atuais. Em outras palavras, eu gostava de um monte de bandas e filmes para os quais eu não ligo muito hoje em dia. Em matéria de bandas e cantores, quase nenhum sobreviveu à minha adolescência, mas em matéria de filmes alguns continuaram na minha lista de favoritos, a maioria deles, porém, fora das primeiras colocações. Um bom exemplo é o tema do post de hoje, Indiana Jones.

Quando criança, eu absolutamente adorava Indiana Jones, e achava Indiana Jones e o Templo da Perdição a coisa mais incrivelmente fantástica já feita para o cinema. Eu tinha vontade de comprar uma jaqueta de couro e um chapéu, e me imaginava vivendo aventuras em meio a templos ancestrais infestados de insetos, com meu chicote como companheiro. Eu era criança, oras!

Com o tempo, o deslumbramento pelos filmes de Indy foi passando, e hoje, embora eu ainda adore todos eles, já não são os primeiros a vir à minha mente quando me perguntam quais são meus filmes favoritos. Mas ainda me divirto ao ver a armadilha da pedra que rola, a perseguição no carrinho de mina, ou a sessão de autógrafos de Hitler. Em homenagem a estes três filmes tão especiais - e ao quarto, que estreou recentemente - Indiana Jones finalmente ganhará seu post aqui no átomo! Um post que às vezes eu acho que já deveria ter sido escrito há mais tempo, mas tudo bem.

IndyIndiana Jones foi criado por George Lucas e Steven Spielberg no final da década de 1970, pouco após o lançamento do primeiro Star Wars. Spielberg havia acabado de dirigir Contatos Imediatos de Terceiro Grau, e comentava com seu amigo Lucas que desejava que seu próximo filme fosse algo aventureiro e divertido, mais ou menos como os filmes de James Bond - curiosamente, a EON havia cogitado o nome de Spielberg para dirigir um filme de Bond na mesma época, mas o descartara por ele estar envolvido com a pós-produção de Tubarão. Lucas, fã dos heróis de aventuras que povoavam as revistas pulp da década de 1930, já vinha há algum tempo maturando a idéia de fazer um filme sobre um deles, e teria respondido a Spielberg que tinha "uma idéia ainda melhor".

Após acertarem os detalhes, ambos reuniram uma equipe para criar o personagem principal do filme. Seu visual foi criado pelo desenhista Jim Steranko, que havia ilustrado histórias de Nick Fury para a Marvel, e, curiosamente, era grande fã de James Bond. Lucas sugeriu que o herói deveria usar uma jaqueta do tipo que usavam os aviadores da Primeira Guerra Mundial, um chapéu semelhante ao de Humphrey Bogart no filme O Tesouro de Sierra Madre, e um chicote ao estilo Zorro. Steranko adicionou um cinto com coldre, e uma camisa e calças cáqui ao estilo das usadas por Charlton Heston em O Segredo dos Incas. Faltava apenas um nome, e Lucas sugeriu Indiana Smith, em homenagem a um cachorro chamado Indiana que ele mesmo tinha na época; Spielberg, que não gostava do nome Smith, discordou, e Lucas sugeriu, meio de brincadeira, "ok, então que tal Indiana Jones?". Pegou.

"Indiana", evidentemente, não era o nome de batismo do personagem (bem mais tarde seria revelado que este seria Henry Walton Jones, Jr.); ao melhor estilo dos pulps, Indiana - ou Indy, como era chamado por seus amigos - possuía uma espécie de "identidade secreta", atuando como o simples professor Dr. Jones quando não estivesse caçando tesouros. Apesar de Indy não ser um super-herói, ser bem humano e bem falível, ele e seu alter ego têm personalidades quase que diametralmente opostas: enquanto está dando aulas, o Dr. Jones é tímido, comedido, apenas mais um no meio da multidão; quando veste a roupa de Indiana, porém, ele se torna corajoso, heróico, falastrão e capaz de proezas aparentemente impossíveis a um humano normal. Segundo Lucas e Spielberg, isso era o que mais os atraía nos heróis dos pulps, e é provavelmente a maior razão para o sucesso de Indiana: ele transmite a mensagem de que, com um pouco mais de dedicação e coragem, qualquer um pode ser um herói.

Com o personagem criado, faltava apenas o ator para interpretá-lo. Spielberg sugeriu Harrison Ford, mas Lucas, já tendo trabalhado com ele em dois filmes, preferiu Tom Selleck. Selleck, na época, porém, gravava a série de TV Magnum, e não foi liberado pela CBS para as filmagens. Após um pouco mais de insistência de Spielberg, Lucas acabou concordando, e Ford foi chamado para o papel a menos de três semanas de começarem as filmagens do que seria o primeiro filme estrelado por Indiana Jones.

Os Caçadores da Arca Perdida (no original, Raiders of the Lost Ark, e atualmente "rebatizado" para Indiana Jones e os Caçadores da Arca Perdida), dirigido por Spielberg e produzido por Lucas, estrearia em junho de 1981. Com uma espantosa renda de 384 milhões de dólares - o mais rentável filme do ano, sendo que custou "apenas" 20 milhões - e oito indicações para o Oscar, incluindo melhor filme, das quais ganhou quatro - Melhor Som, Melhor Edição, Melhores Efeitos Visuais e Melhor Direção de Arte, além de um Oscar Especial por Edição de Efeitos Sonoros - o filme foi um imenso sucesso, recebendo várias críticas bastante favoráveis, e se tornando praticamente um clássico instantâneo.

O enredo dos Caçadores envolve a Arca da Aliança, aquela onde Moisés teria depositado os fragmentos dos Dez Mandamentos, idéia do roteirista Philip Kaufman, que ouviu a história da Arca de um dentista quando era pequeno, e ficou fascinado. Ambientado em 1936, o filme mostra Indy sendo contratado para encontrar a Arca antes dos nazistas, que podem usar seu poder para tornar o exército alemão invencível, e conquistar o mundo. Para encontrar a Arca, Indy precisa da ajuda de uma antiga paixão, Marion Ravenwood (Karen Allen), filha de seu antigo professor, Abner Ravenwood, e que está de posse de um medalhão necessário para apontar o lugar onde se encontra o tesouro; e de Sallah (John Rhys-Davies), o "melhor escavador do Cairo", que conhece a região onde a Arca está supostamente enterrada, assim como as lendas sobre ela. Para encontrar a arca antes, os nazistas contrataram ninguém menos que o maior rival de Indy, o arqueólogo francês René Belloq (Paul Freeman), auxiliado por vários soldados alemães e agentes da Gestapo, dos quais o mais sinistro é o interrogador Arnold Toht (Ronald Lacey). Completa o elenco principal o Dr. Marcus Brody (Denholm Elliott), amigo de Indy e curador do museu para onde ele planeja levar a Arca após encontrá-la.

As filmagens dos Caçadores foram bastante tumultuadas. Grande parte delas ocorreu na Tunísia, onde também foram filmadas as cenas de Tatooine de Star Wars - a cena onde Indy ameaça explodir a Arca, inclusive, foram feitas no mesmo local onde R2-D2 foi capturado pelos Jawas. Muitos membros da equipe, incluindo Ford e Rhys-Davies, sofreram de disenteria devido ao calor intenso e à má qualidade da água, o que fez com que uma programação de seis semanas de filmagens tivesse de ser reduzida para apenas quatro, e com que muitas das cenas fossem alteradas no momento das filmagens, recorrendo a improvisações de última hora, incluindo uma das mais famosas: na cena em que um espadachim se exibe para Indy, e este o mata com um tiro, o roteiro previa uma complicadíssima cena de Indy lutando contra o oponente usando seu chicote. Doente e cansado, Ford perguntou a Spielberg: "por que não podemos simplesmente dar um tiro nele?". Várias cenas da perseguição onde Indy pilota um caminhão também tiveram de ser filmadas sem Ford, com os closes dele na cabine sendo filmados depois. Uma das cenas, porém, saiu bem melhor do que todos esperavam: a igualmente famosa seqüência da abertura, onde Indy escapa de ser esmagado por uma pedra gigante. Feita de fibra de vidro, a pedra ficou tão realística e a cena tão boa que Spielberg pediu para que se acrescentasse mais um metro e meio de perseguição no finalzinho da cena.

Além de problemas com filmagens, Spielberg e Lucas também tiveram alguns problemas com elenco: além de Selleck não poder interpretar Indy, o papel de Marion foi escrito com Debra Winger em mente, que o recusou. Toht foi oferecido a Klaus Kinski, que disse ter odiado o roteiro; e Sallah seria de Danny DeVito, que não pôde aceitar por já estar envolvido com a série Taxi. O elenco também traz duas curiosidades: Alfred Molina em seu primeiro papel no cinema, como um guia que leva Indy ao templo da seqüência de abertura; e Pat Roach em dois papéis, o de um dos capangas de Toht que atacam o bar de Marion, e o do mecânico que luta com Indy na cena do avião estacionado - o que fez com que ele tivesse a duvidosa honra de ser um dos poucos a morrer duas vezes em um único filme. Também como curiosidade, vale citar duas idéias de Spielberg que foram rejeitadas por Lucas: a de que o Dr. Jones seria alcóolatra, e que Toht teria um braço biônico - esta última descartada para que o filme não acabasse virando ficção científica.

Apesar de todos estes problemas, tudo deu certo no final, com o filme se tornando o grande sucesso do qual já falamos, e dando origem, evidentemente, a uma continuação - prevista por Lucas desde o início: graças ao igualmente enorme sucesso de Star Wars, ele conseguiu da Paramount um contrato para produzir nada menos que cinco filmes de Indiana Jones. O segundo deles, Indiana Jones e o Templo da Perdição (Indiana Jones and the Temple of Doom), seria lançado dali a três anos, em maio de 1984.

O Templo da Perdição não é uma seqüência, mas uma "preqüência" dos Caçadores, ambientada um ano antes - segundo Lucas, ele optou por esta estratégia porque não queria que os nazistas fossem mais uma vez os vilões do filme. O clima do filme é bem mais pesado que o do anterior, quase um filme de terror. Spielberg e Lucas atribuem este fato à intenção inicial de que o filme fosse uma espécie de homenagem a Gunga Din, um famoso filme da década de 1930 com Cary Grant, e ao humor da dupla na época, já que ambos haviam terminado relacionamentos amorosos recentemente. De fato, o filme seria até mais pesado que a versão final, e se chamaria "Indiana Jones e o Templo da Morte".

Nesta nova aventura, Indy vai parar na Índia (?), acompanhado da cantora Willie Scott (Kate Capshaw) e do pequeno órfão chinês Short Round (Ke Huy Quan). Lá, eles são confundidos como enviados do deus Shiva, e recrutados pelo povo de uma pequena aldeia para recuperar uma pedra sagrada, que teria sido roubada por um culto maligno, que ainda escravizou todas as crianças do povoado, missão que Indy aceita por acreditar que a tal pedra seria uma das lendárias Pedras de Sankara. Durante a busca pela pedra, Indy acaba descobrindo que seu roubo faz parte do renascimento do culto Tugue, que idolatra Kali, a deusa da morte, e planeja destruir todas as outras religiões e dominar o mundo, liderados pelo sacerdote Mola Ram (Amrish Puri). Dan Aykroyd faz uma participação especial como o diretor de um aeroporto.

Os JonesSpielberg e Lucas usaram no Templo da Perdição várias cenas que haviam escrito para os Caçadores mas acabaram cortadas do roteiro, como a da perseguição na mina e a do salto do avião usando um bote inflável. Por incrível que pareça, as filmagens só consumiram 85 dias. O orçamento foi de 28 milhões de dólares, e o filme rendeu 333 milhões, além de duas indicações para o Oscar - Melhor Trilha Musical Original e Melhores Efeitos Visuais, ganhando só o último - e muitas reclamações por parte dos hindus, de que o filme seria racista e estereotipado.

As curiosidades sobre o filme incluem o fato de que temos novamente personagens batizados em homenagem a cachorros, já que Willie era a cocker spaniel de Spielberg, e Short Round o cachorro do roteirista Willard Huyck; uma nova participação de Pat Roach, desta vez em três papéis diferentes, o do homem que toca o gongo na primeira cena do filme, o de um assassino enviado para matar Indy, e o de um mestre de escravos, o que fez com que ele fosse o único ator além de Ford presente em ambos os filmes - e mais uma vez morresse duas vezes em um filme só; e o nome do clube onde se desenrola a seqüência de abertura, Club Obi Wan, em homenagem a Star Wars. Em relação ao elenco, Kate Capshaw, em seu segundo papel no cinema, não era a primeira escolha para Willie, mas após seu teste ela tirou o papel de Sharon Stone; e Ke Huy Quan (que depois também faria Os Goonies, e hoje é conhecido como Jonathan Ke Quan) na verdade não se ofereceu para o papel, mas foi acompanhando seu irmão a um teste, e os diretores de elenco decidiram convidá-lo depois que viram que ele dava dicas ao irmão sobre o que fazer e o que não fazer durante o teste. Finalmente, o Governo da Índia não deu autorização para as filmagens por não gostar do roteiro, o que fez com que o filme fosse na verdade filmado no Sri Lanka - onde Ford arrumou uma hérnia de tanto cavalgar elefantes.

Após este desvio por um filme mais "sério", Indy retornaria em mais uma aventura ao estilo da primeira cinco anos depois, em Indiana Jones e a Última Cruzada (Indiana Jones and the Last Crusade). De certa forma, Spielberg se sentiu desconfortável por ter feito uma seqüência tão diferente da original, e fez questão de completar a trilogia com um filme o mais parecido com Os Caçadores possível. Para começar, nesta nova aventura Indy está em busca mais uma vez de um artefato religioso, o Santo Graal.

Na verdade, o Santo Graal era o projeto de vida do pai de Indy, o Professor Henry Jones (Sean Connery), que durante toda a sua vida se preocupou mais em estudar sobre o Cálice e procurá-lo do que em criar seu filho. Indy se envolve com a busca do Graal quando seu pai é dado por desaparecido durante a procura, e, para completar, ele descobre que os nazistas também estão atrás do artefato. Inicialmente, portanto, a missão de Indy é salvar seu pai, mas evidentemente ambos partem em busca do Graal após se reunirem. Buscando recuperar o clima de Os Caçadores da Arca Perdida, Spielberg e Lucas ambientaram este novo filme apenas dois anos depois, em 1938, e trouxeram de volta dois personagens, Marcus Brody, que desta vez viaja com Indy, servindo como apoio cômico do filme, e Sallah, já que talvez seja preciso escavar atrás do Cálice. Completam o elenco principal Alison Doody como a Dra. Elsa Schneider, a "Indy Girl" do filme, e Julian Glover como Walter Donovan, um empresário norte-americano que deseja beber do Cálice para se tornar imortal. Pat Roach fez uma pequena participação como um agente da Gestapo, se tornando o único ator além de Ford a aparecer nos três filmes.

De certa forma, A Última Cruzada também é o primeiro filme em que outro ator além de Ford interpreta Indiana Jones, já que na seqüência inicial vemos Indy ainda com 13 anos, interpretado por River Phoenix, e já vivendo aventuras. Phoenix foi sugerido para o papel pelo próprio Ford, que disse que, de todos os atores mirins da época, Phoenix era o que mais se parecia com ele quando tinha esta idade. Já Sean Connery foi escolhido pelo próprio Spielberg, que disse que ninguém a não ser James Bond poderia ser pai de Indiana Jones.

Mas, de início, o filme não teria nada de Graal ou pai de Indy. Quando surgiu a idéia de um terceiro filme, Spielberg e Lucas pensaram mais uma vez em utilizar elementos que ficaram de fora do filme anterior, levando Indy desta vez para a China, idéia que até chegou a ganhar um roteiro feito por Chris Columbus. Após chegar à conclusão de que seria melhor algo mais próximo do primeiro filme que do segundo, Lucas sugeriu o Santo Graal, mas Spielberg não concordou, pois achava que as pessoas iriam associar o filme a Monty Python e o Cálice Sagrado. Spielberg, porém, já pensava em incluir o pai de Indy na aventura, e, após refletir um pouco, chegou à conclusão de que o Graal seria uma adição interessante, pois a busca pelo Cálice Sagrado poderia ser uma metáfora para a busca pela reconciliação entre pai e filho.

Estreando em maio de 1989, com orçamento de 48 milhões de dólares - o dobro do anterior - A Última Cruzada rendeu 474 milhões, se tornando o filme mais rentável do ano - embora, nos Estados Unidos, tenha tido renda inferior à de Batman. O filme foi indicado a três Oscars, de Melhor Trilha Sonora, Melhor Som e Melhor Edição de Efeitos Sonoros, ganhando este último, e recebeu muitas críticas positivas.

Apesar do contrato de Lucas com a Paramount ainda permitir mais dois filmes, ele não conseguia encontrar um motivo satusfatório para que Indy decidisse se aventurar novamente, e a série foi interrompida por alguns anos. Enquanto o novo filme não saía, Lucas decidiu produzir uma série de TV com o personagem, que mostrasse suas primeiras aventuras, mais ou menos como a seqüência inicial da Última Cruzada.Assim nasceu O Jovem Indiana Jones (The Young Indiana Jones Chronicles).

Televisionada entre 1992 e 1996 pela ABC, a série teve 28 episódios ao todo, mais quatro filmes feitos para a TV, e era o que nos Estados Unidos se chama edutainment, programas de televisão infantis feitos como entretenimento, mas que procuram ensinar alguma coisa às crianças ao invés de apenas diverti-las. Cada episódio se iniciava com Indy aos 93 anos, interpretado por George Hall, contando uma das aventuras que viveu quando criança. Então, um flashback nos mostrava o herói dos 8 aos 10 anos (interpretado por Corey Carrier) ou dos 16 aos 21 anos (Sean Patrick Flanery), vivendo a tal aventura - aparentemente, dos 11 aos 15 anos ele pouco se aventurou. O "velho" Indy voltava ao final do episódio para a conclusão. Ford, aos 50 anos, fez uma participação especial como um Indy de meia idade em um dos episódios. Curiosamente, quando a série foi lançada em DVD, Lucas removeu todas as aparições de Hall, mantendo apenas as aventuras, sem a introdução ou conclusão. O motivo, comenta-se, era que Hall usava um tapa-olho, em referência a uma aventura futura na qual Indy perderia um olho, mas depois Lucas teria desistido desta idéia.

Após a participação de Ford na série de TV, Lucas teve a idéia de fazer um novo filme, com um Indy mais velho, ambientado na década de 1950, tendo alienígenas como vilões, já que extraterrestres eram moda nos anos 1950. Ford e Spielberg não concordaram, achando que a idéia não era boa, mas mesmo assim Lucas decidiu encomendar um roteiro. A idéia de colocar Indiana Jones contra os ETs foi descartada de vez após a estréia de Independence Day, quando Spielberg convenceu Lucas de que mais um filme de invasão alienígena era desnecessário naquele momento. Lucas então abandonou Indiana, e se concentrou na nova trilogia de Star Wars.

Indy sessentãoNo ano 2000, Ford, Lucas e Spielberg se reencontraram durante uma homenagem do American Film Institute a Ford. Coincidentemente, o filho de Spielberg havia lhe perguntado quando sairia um novo filme de Indiana Jones, o que reacendeu o interesse do diretor no projeto. Os três, e mais os produtores Frank Marshall e Kathleen Kennedy, decidiram discutir idéias para um novo filme, e Lucas sugeriu que eles poderiam usar as Caveiras de Cristal, artefatos da América Pré-Colombiana, que ele já havia pensado em colocar em um dos episódios de O Jovem Indiana Jones, antes da série ser cancelada, como mote para que Indy se envolvesse em uma nova aventura. M. Night Shyamalan chegou a ser convidado para escrever o roteiro, mas acabou recusando por não se achar capaz de escrever uma seqüência para Os Caçadores da Arca Perdida, um de seus filmes preferidos de todos os tempos.

Após muitas mudanças de nome e no roteiro, finalmente nasceu Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal (Indiana Jones and the Crystal Skull Kingdom), ambientado em 1957, exatos 19 anos após A Última Cruzada - mesmo tempo que separa os dois filmes - e trazendo os soviéticos substituindo os nazistas no papel de vilões, para aproveitar o momento da Guerra Fria. Diferentemente dos outros filmes, este foi filmado quase todo nos Estados Unidos, exceto por algumas seqüências nas Cataratas do Iguaçu. Spielberg também optou por não filmar com equipamento digital, e por não utilizar efeitos especiais gerados por computação gráfica, para que o filme tivesse o mesmo clima dos outros três. Ford, apesar dos 63 anos, também fez todas as suas cenas de ação, dispensando dublês, para que o filme ficasse o mais realístico possível.

Este novo filme traz um Indiana Jones mais velho e mais experiente, acompanhado do explorador Mac (Ray Winstone) e do adolescente Mutt (Shia LaBeouf), em busca da Caveira de Cristal, um artefato ancestral e poderoso, descoberto por seu amigo Harold Oxley (John Hurt), e que interessa aos soviéticos, liderados pela Dra. Irina Spalko (Cate Blanchett). O filme também traz de volta Karen Allen no papel de Marion, antiga paixão de Indy, que mais uma vez o acompanha em sua aventura. Marcus Brody, infelizmente, não pôde estar no filme, já que Denholm Elliott falecera em 1992, assim como Pat Roach, que faleceu em 2004. Sean Connery ainda está vivo, mas aposentado, e recusou repetir o papel do Professor Jones.

Estreando em maio deste ano, O Reino da Caveira de Cristal foi um grande sucesso, recebendo muitas críticas positivas, apesar de alguns críticos terem torcido o nariz, e do Partido Comunista da Rússia ter reclamado de os soviéticos serem os vilões. Com orçamento de 185 milhões, rendeu até agora 715 milhões no mundo inteiro, sendo 25 milhões apenas no dia da estréia, o que fez com que ele se tornasse a quarta maior bilheteria de abertura da história, além do filme mais rentável de 2008 até o momento.

Criado para homenagear os heróis do passado, Indiana Jones se tornou um dos maiores ícones do cinema, superando até mesmo alguns dos que lhe serviram de inspiração, como Allan Quatermain, que existe desde 1885, mas ganhou um filme em 1985, na carona do sucesso de Indy. O próprio Indy inspirou diversos outros personagens, como Jack Colton de Tudo por Uma Esmeralda, Rick O'Connell de A Múmia, e a mulher mais famosa dos games, Lara Croft, de Tomb Raider. Já se fala em um "Indiana Jones 5", no qual Indy passaria o bastão provavelmente para Mutt, que daria segmento às suas aventuras. Eu pessoalmente, não me importaria de ver Ford no papel até que tivéssemos um Indy bem velhinho.

2 enfiaram o nariz:

O observador de Fatos disse...

Esse post foi muito show! Sugiro que você inclua no seu blog curiosidades sobre armas e acessórios usados pelos personagens em alguns filmes. No mais, o texto foi uma maravilha!

12:02 PM
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12:09 PM

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