domingo, 5 de dezembro de 2004

Vampire Princess Miyu

Vampiros não são um de meus temas favoritos. Tem muita gente que se amarra, e eu absolutamente não tenho nada contra, pois toda mitologia é fascinante. No Japão, também houve uma época em que vampiros eram moda, quando surgiram vários anime e mangá onde os protagonistas - tanto vilões quanto heróis - eram vampiros. As diferenças culturais entre o ocidente e o oriente, porém, fizeram com que alguns dos vampiros nipônicos saíssem um tanto... incomuns. Um desses vampiros incomuns - perdão, uma dessas vampiras incomuns - é a protagonista de um anime que eu gosto muito, Vampire Princess Miyu, tema do post de hoje.



Miyu não é exatamente uma vampira, mas um Shinma, uma espécie de demônio que se alimenta da miséria humana, natural de uma dimensão paralela. Destinada a se tornar a rainha dos Shinma, Miyu acidentalmente os libertou, fazendo-os chegar até a Terra, quando sua mãe preparava um ritual para transformá-la em humana. Miyu então decidiu vir até a Terra, destruir os Shinma e mandá-los de volta para sua dimensão. Miyu é imortal e jamais envelhece, e ainda pode criar fogo com as mãos para destruir os Shinma e outros oponentes. Sua desvantagem é que, sendo um Shinma, ela precisa se alimentar de sangue humano, o que faz com que ela seja confundida com uma vampira.

Assim como Lodoss e muito outros, a primeira vez que eu vi um episódio de Miyu foi em um Comic Mania (ou Trash Mania, ou Anime Mania, sei lá) do SESC, em 1995 ou 1996. Assisti um lá do final, e não entendi nada. Há uns poucos anos, uma revista chamada DVD Anime começou a vender os episódios da segunda série, mas só ofereceu 10 episódios em 3 DVDs. Até hoje eu estou esperando o resto.

Criada com o nome de Kyuuketsu Miyu, a menina vampira já teve quatro séries, duas em anime e duas em mangá. A primeira, lançada em 1988, foi lançada em formato OVA (somente em vídeo sem nunca ter passado na TV, uma prática comum no Japão), em quatro volumes. Nesta série, o personagem principal não é Miyu, mas sim uma investigadora espiritualista chamada Himiko. No primeiro episódio, Himiko acaba conhecendo Miyu e, fascinada com seus poderes, decide observar como seria sua vida. Miyu já está cumprindo sua missão de caçar os Shinmas fugitivos, e conta com a ajuda de Larva, um Shinma não-maligno, destinado a tomar conta da menina enquanto ela estiver na Terra. Himiko acaba se tornando a biógrafa de Miyu, descobrindo através da menina como os Shinma vieram até a Terra, por que ela luta contra eles, e quais seriam seus poderes. Os Shinma normalmente se disfarçam como pessoas ou animais, e se alimentam de sofrimento humano. Para isso, eles fazem com que estas pessoas imaginem estar vivendo outra vida, uma espécia de transe, como se eles estivessem em um sonho eterno, enquanto os Shinma se alimentam de sua tristeza. Quando Miyu se alimenta de um ser humano (afinal, ela também é Shinma), sua vítima também entra neste transe, que é irreversível. Miyu costuma escolher pessoas que estejam sofrendo muito, sem chance de viver uma vida melhor, como crianças órfãs que perderam toda sua família. No fundo, porém, seu comportamento não é tão diferente dos Shinma malignos (exceto porque estes escolhem suas vítimas indiscriminadamente), e Miyu morre de remorsos, desejando que consiga derrotar logo todos os Shinma fugitivos para que ela possa voltar para sua dimensão e deixar a humanidade em paz. O clima dos desenhos de Miyu é tenso e sinistro, além de possuir um toque inesperado: as vítimas dos Shinma não saem do transe quando estes morrem, e alguns até morrem durante a luta de Miyu contra o Shinma. Tudo isso fez com que o desenho fosse considerado adulto, o que também é comum no Japão.

Em 1997, a mesma equipe responsável pela OVA criou uma segunda série, desta vez para a TV, em 25 episódios. Agora mais apropriada para adolescentes que para adultos, Miyu é a personagem principal, estuda em um colégio, vive aventuras com suas colegas de classe, possui um mascote (um Shinma-coelho do qual eu não lembro o nome) e uma rival, Reiha, outra princesa Shinma, mas com o poder de criar gelo, e cujo mascote é uma boneca de porcelana que fala. Reiha também veio à Terra para destruir Shinmas, mas costuma ser mais violenta e menos preocupada com baixas civis do que Miyu. Aliás, nesta série Miyu é muito mais "humana" que na anterior, demonstrando muito mais compaixão. Os episódios não são tão tensos, mas mesmo assim são sinistros (alguns bem tenebrosos) e as vítimas dos Shinma continuam morrendo - sem falar nas vítimas de Reiha, que não deveria ser uma vilã. Larva fala muito mais nesta série (na outra, se ele disse duas frases foi muito) e frequentemente aparece sem máscara. Dizem que foi estratégia para atrair o público feminino, já que ele é charmoso. Aliás, Miyu, Larva e Reiha são quase humanos, mas tem cada outro Shinma... Fãs da primeira série não costumam gostar desta segunda, principalmente por ser mais de ação que de terror, mas mesmo assim foi uma produção bem sucedida.

Miyu também teve duas séries em mangá, uma com história quase idêntica à da segunda série, outra onde Shinmas europeus resolvem invadir o Japão e matar os Shinmas japoneses (?). Também gerou uma subsérie, Vampire Princess Yui, onde a protagonista é uma menina meio-humana meio-Shinma, cuja mãe recebeu o sangue de Miyu enquanto estava grávida (??). Na minha opinião, psicodélico demais, desculpe.

Fã de filmes e livros de terror que sou (terror mesmo, nada de carnificina igual Sexta-Feira 13, por favor) acabei gostando bastante dos desenhos de Miyu. Pena que não consegui ainda ver todos. Provavelmente, nunca vai passar na TV aberta, devido a todos aqueles velhos preconceitos que conhecemos, entre eles o de que desenho é coisa de criança. Ainda bem que no Japão o pensamento é diferente.

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