domingo, 11 de abril de 2004

O Feitiço de Áquila

Quando eu era pequeno, meu tema preferido eram Dinossauros. Depois de ver Guerra nas Estrelas, passou a ser Ficção Científica, e eu entrei na fase "quero ser astronauta". Eventualmente, porém, o tema passou a ser Fantasia Medieval. Não tenho bem certeza que idade eu tinha quando os dragões, cavaleiros e elfas começaram a povoar minha imaginação, mas deve ter tido algo a ver com Conan, Tolkien e o assunto do post de hoje, Ladyhawke.

Ladyhawke, para quem não sabe, é o filme O Feitiço de Áquila, de 1985, com Rutger Hauer, Michelle Pfeiffer e Matthew Brodderick, e dirigido por Richard Donner, que já havia dirigido o filme do Super-Homem, e depois faria os Goonies e a série Máquina Mortífera. Desde que eu assisti esse filme ele encabeça a lista dos meus filmes favoritos, e, já que nem O Senhor dos Anéis conseguiu tirar ele de lá, acho que lá ele ficará por um bom tempo.

Etienne NavarreA história é bem simples: Em algum país europeu da Idade Média (mais provavelmente a França), o ladrão Philippe Gastone (Brodderick), conhecido como "O Rato", é preso e levado para a cidade de Áquila, de cuja masmorra ninguém consegue escapar. Para provar que toda regra tem uma exceção, ele escapa, através dos esgotos. Ao saber de sua fuga, o Bispo (John Wood) envia a Guarda para recapturá-lo. Ao ser encontrado pela Guarda, Gastone acaba topando com Etienne Navarre (Hauer), ex-Capitão da Guarda, por algum motivo expulso, e que agora retorna. Navarre é um homem misterioso, cujas únicas companhias são seu cavalo Golias, a espada de sua família, e seu falcão. Navarre salva a vida de Gastone colocando a Guarda para correr, e, em troca, pede para que Gastone o leve até Áquila, pois ele tem contas a acertar com o Bispo.

A princípio, Gastone não fica muito satisfeito com a idéia de retornar ao local de onde acabou de fugir, mas ter Navarre por perto ao fugir da Guarda pode ter suas vantagens. Eles viajam juntos, e, durante a noite, Gastone percebe a presença de uma fera próxima ao local onde descansam. Uma bela moça, Isabeau d'Anjou (Pfeiffer), aparentemente é amiga da fera, surge do nada, e desaparece pela manhã. Navarre diz que nada viu, nem fera, nem moça, mas se mostra curioso quanto à aparência de Isabeau. Mesmo confuso com os acontecimentos, Gastone decide continuar acompanhando Navarre em sua jornada a Áquila.

Isabeau d'Anjou Ao saber que Navarre voltou, o Bispo manda uma Guarda reforçada caçá-lo. Durante uma emboscada, o falcão de Navarre é flechado mortalmente, e Navarre ordena que Gastone o leve até o Padre Imperius (Leo McKern), o único que poderá curá-lo.

Durante a estada no castelo onde mora Imperius, Gastone descobre a verdadeira história: Isabeau é o falcão, e Navarre, a fera (um lobo). Há alguns anos, o Bispo de Áquila foi apaixonado por Isabeau, mas não pôde ter seu amor, pois ela e Navarre eram amantes. Revoltado, ele fez um pacto com o Diabo, e lançou sobre o jovem casal uma maldição: eles estariam eternamente juntos, mas eternamente separados. Durante o dia, Navarre é humano, mas Isabeau é um falcão; à noite, Isabeau se torna humana, mas Navarre se transforma em lobo. Somente durante um único segundo, no romper da aurora, ambos podem se olhar em forma humana, apenas para torturá-los com a lembrança de que jamais se tocarão novamente.

A única forma de quebrar a maldição é ambos encararem o Bispo, em sua forma humana, simultaneamente, algo que supostamente era impossível. Navarre, cansado de tanto sofrimento, decidiu se vingar e matar o Bispo de uma vez por todas, mas, se fizer isso, jamais voltará a ver Isabeau. O Padre Imperius, porém, parece ter descoberto uma solução: dali a alguns dias, ocorrerá um eclipse, e ambos poderão andar em sua forma humana enquanto o fenômeno durar. Não vou contar o final para não ser estraga-prazeres, mas acho que é mais do que óbvio que a maldição é quebrada.

Ladyhawke é um ótimo filme, com pelo menos uma cena fabulosa (a do tal único segundo da aurora), e uma história simples porém bonita (além de uma "trilha sonora anos 80", a década onde as músicas da trilha realmente tocavam nos filmes). Para mim, a Idade Média é o período mais fascinante da História (sim, eu sei que na época as pessoas faziam xixi no chão e nunca tomavam banho, mas hoje em dia também tem gente que age assim e nem tem a desculpa de que vive na Idade das Trevas), e a magia sutil presente no filme (sem dragões ou elfos, só uma maldiçãozinha) apenas ajudou a aumentar o encanto do cenário. Não é nenhuma superprodução como O Senhor dos Anéis, mas é das coisas simples que vêm as maiores surpresas.

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