sábado, 24 de abril de 2004

Krull

O Glaivo!


Era uma vez um belo mundo, infelizmente fragmentado por uma grande guerra entre suas nações. Um dia, a guerra teve de ser esquecida, pois ameaça maior pairava sobre seus habitantes. Do espaço, sem maiores avisos, surgiu a Fortaleza Negra, trazendo os terríveis Assassinos, liderados pelo monstro sem nome conhecido como a Besta. Para poder combater os invasores, uma trégua e uma aliança entre as nações foram arranjadas. Mas, no dia em que esta aliança seria forjada, algo saiu errado...

Os mais nostálgicos já devem ter reconhecido o início do filme de fantasia Krull, de 1983, que fecha a lista dos meus favoritos, mas nem por isso é o que eu gosto menos. Para falar a verdade, eu adoro esse filme, tanto que até o comprei em DVD. Não lembro a primeira vez em que o vi (devia ser bem pequeno...) mas jamais o esqueci. E toda vez que passava na Sessão da Tarde eu fazia questão de ver de novo. Mês passado ele apareceu de novo na Sessão de Sábado, mas já não é exibido com tanta freqüência quanto há alguns anos.

Lyssa e ColwynKrull é um filme muito criticado, parcialmente por ser considerado uma cópia mal-feita de Guerra nas Estrelas (aliás, a cena em que a Fortaleza Negra desce do espaço é muuuuuito parecida com a abertura do Star Wars original), e também pelas atuações serem consideradas.. er... pouco profissionais. Mas eu não sou conhecido por, em matéria de filmes, prestar atenção no que os outros dizem (principalmente críticos) nem por avaliar as interpretações enquanto assisto. Adoro esse filme, e pronto.

É verdade, porém, que Krull surgiu na cola de Guerra nas Estrelas, tentando misturar ação capa-e-espada com ficção científica. Não tem muita ciência, mas o resultado foi um filme de fantasia que acabou por detonar uma verdadeira onda do gênero, cujos representantes mais ilustres são A Lenda (1985) e Labirinto, a Magia do Tempo (1986). Depois do fogo queimar toda a palha, o gênero foi esquecido, mas deve retornar agora depois d'O Senhor dos Anéis.

Voltando à vaca fria, as guerras foram interrompidas para que as nações pudessem se unir contra a Besta. O símbolo de tal aliança seria o casamento do príncipe Colwyn (Ken Marshall) com a princesa Lyssa (Lysette Anthony), filhos de governantes de nações rivais, e convenientemente apaixonados. No dia do casamento, porém, os Assassinos invadiram o palácio real, seqüestraram a princesa, e mataram todo mundo (não se sabe se os reis e os generais foram todos mortos, mas já que o pobre príncipe teve que ir salvá-la sozinho, presumo que sim).

O príncipe Colwyn sobreviveu ao ataque, e jurou salvar a princesa das garras da Besta (que, aparentemente, também quer se casar com ela, mas o detalhe de que ele é um monstro com mais de 10 metros de altura pode trazer problemas a este matrimônio...). Para isso, o príncipe contará com a ajuda de Ynyr (Freddie Jones), que o guiará em sua jornada. Colwyn e Ynyr têm alguns problemas a resolver antes de sair atacando a Fortaleza Negra, porém.

O primeiro deles é encontra o Glaivo, uma arma mística há muito forjada, e a única coisa capaz de destruir a Besta. Esse é o mais fácil, pois o Glaivo está no fundo de um vulcão, e é só enfiar a mão na lava e pegá-lo.

A Besta... Er... Pelo menos seu olho...O segundo problema é mais complicado: reunir homens capazes de acompanhá-lo em sua jornada. Enquanto viajam, Colwyn e Ynyr conseguem a ajuda de Ergo, o Magnífico (David Battley, "pequeno em estatura, grande em poder, largo em visão, estreito em propósito") um feiticeiro cujos truques não costumam dar muito certo; do ciclope Rell (Bernard Bresslaw) que quer vingança contra os Assassinos, pois há muito tempo a Besta prometeu a seu povo levar um de seus olhos em troca da visão do futuro, mas o único futuro que podem ver é a hora da própria morte; e de um bando de ladrões fugitivos, que aceitam seguir o príncipe em toca de seu perdão e liberdade (detalhe interessante: um dos ladrões é interpretado por Liam Neeson).

Mas ainda há o terceiro problema: Não é tão fácil assim chegar à Fortaleza Negra. Ela muda de lugar durante a noite. Ao anoitecer, a Fortaleza desaparece de onde está, para reaparecer magicamente em outro lugar qualquer de Krull (ah, sim, eu esqueci de comentar, Krull é o nome do planeta onde esta história se desenrola).

Para descobrir com antecedência o local onde a Fortaleza Negra aparecerá no dia seguinte, Colwyn e seus amigos precisam consultar o Vidente. O Vidente, porém, é morto e substituído por um Assassino disfarçado, e Colwyn é salvo da morte certa por Rell. A única esperança do grupo agora é consultar a Viúva da Teia (Francesca Annis), que vive em uma teia protegida por uma enorme aranha devoradora de homens. Ynyr faz a jornada até a Teia, e consegue descobrir que, no dia seguinte, a Fortaleza Negra aparecerá no Deserto de Ferro, mas perece após contar sua descoberta a Colwyn.

O desafio do grupo então passa a ser encontrar as Éguas de Fogo, únicos animais capazes de levá-los ao Deserto de Ferro (que deve ser do outro lado do planeta) antes do anoitecer seguinte, quando a Fortaleza desaparecerá para reaparecer em local ermo e não sabido mais uma vez.

Rell, o CiclopeA odisséia de um grupo de heróis por diferentes localidades até alcançar a base do vilão deve ter sido inspirada no Senhor dos Anéis. Seja como for, esta é a melhor parte de qualquer filme de fantasia, e em Krull não há exceção. Apesar dos efeitos especiais simplórios (gente colada no filme e uma aranha em stop-motion, por exemplo) é um excelente representante da categoria de filmes de fantasia, que hoje anda tão desprestigiada.

Hein? Se Colwyn consegue derrotar a Besta e dalvar Lyssa? Não gosto de sair por aí contando o final dos filmes, mas, sinceramente, o que vocês acham?

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