quinta-feira, 26 de junho de 2003

Escrito por em 26.6.03 com 0 comentários

Mudança de rumo

Como vocês devem ter reparado, não tivemos post aqui semana passada. Eu até queria ter postado alguma coisa, mas não tive nenhuma boa idéia. Como disse o Ombudsman, assuntos sérios não nascem em árvores.

Quando eu criei esse blog, não era minha intenção transformá-lo em um blog de auto-ajuda. Minha idéia era fazer uma coisa séria sim, mas no estilo dos "blogs sérios" dos meus amigos, que você pode encontrar ali nos links da coluna do lado. Acontece que eu comecei a dar minha opinião pessaol sobre vários assuntos, e esse acabou se tornando o estilo do átomo, uma dissertação sobre um certo tema, minha opinião pessoal, talvez uns conselhos, e aí abre-se a discussão.

Acontece que fazer isso é difícil. Toda semana eu tenho que pensar em um assunto diferente (ou não, já que falei mal da televisão duas vezes), e nem sempre eu estou a fim de escrever sério. Escrever no BLOGuil, apesar de exigir mais criatividade, é mais fácil.

Diante deste dilema, estou considerando uma possibilidade. Não, não é acabar com o átomo, como muitos de vocês devem estar pensando desde que começaram a ler este texto. É apenas mudar um pouco as coisas por aqui, começar a postar sobre coisas que eu goste, pequenos acontecimentos da minha vida, histórias da minha adolescência, enfim, essas coisas que formam um blog normal. Não vai chegar a ser humorístico nem graficamente intenso como o BLOGuil (afinal, pra que eu iria querer dois blogs iguais?), e eu espero que não fique acéfalo como alguns blogs que andam por aí. A freqüência deve continuar a de um post por semana, pois o BLOGuil continuará sendo meu projeto principal, com a maior parte de meu tempo dedicado a ele.

Esse post de hoje não é somente uma preparação para o que está por vir, mas também uma satisfação aos leitores. Reafirmo que não era minha intenção quando criei o átomo levá-lo para o lado que ele foi, mas nem por isso me arrependo. E se surgir um tema sério de última hora, postá-lo-ei aqui para discussão com o maior prazer. Só que realmente está difícil achar um tema sério por semana, e esse aspecto de blog de auto-ajuda não me agrada mais.

Como disse um antigo professor meu, "a experimentação é a mãe da ciência". Vamos experimentar umas coisas diferentes a partir de agora. Se piorar, eu volto pro que era antes.

Inté.
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domingo, 15 de junho de 2003

Escrito por em 15.6.03 com 0 comentários

Ganância musical

Como todos sabem, esta semana teve o Dia dos Namorados. Como todo "dia de alguém", como o Dia das Mães e o Dia das Crianças, é uma ocasião para se ganhar presentes. Portanto, lá fui eu com minha namorada para o shopping, para comprar nossos presentes mutuamente. Eu prefiro assim porque aí cada um escolhe o que quer, e se não tiver escolhe outra coisa, e ninguém ganha uma linda surpresa da qual não precisa ou não quer.

Pois bem, lá fomos nós pro shopping. Antes de irmos, definimos nossas primeiras opções, das quais abriríamos mão se não tivessem ou se estivessem fora de nossas posses. Eu queria o novo CD do Placebo ou o novo dos Cardigans. Ela queria um CD da Celine Dion ou um DVD do Zezé di Camargo (e essa é a prova cabal de que os opostos se atraem).

Antes de entrar no mérito da minha discussão, um aparte curioso: A lógica me dizia que o CD do Placebo eu não ia encontrar em lugar nenhum (afinal, comprar os outros três foi um suplício), e o dos Cardigans teria em tudo o que é lugar (depois do "love me, love me, saaaaaaaaaay that you love me" eles ficaram meio famosos). Por alguma razão espúria, o do Placebo tinha em tudo o que é lugar (até nas Lojas Americanas!) e o dos Cardigans só tinha na Saraiva Megastore, e ainda por cima só tinha um. Eu hein.

Entremos, portanto, no mérito da discussão: Meu Deus, como os CDs estão caros!!! Quase todos estão custando mais de R$ 30,00, e um por R$ 29,90 já é considerado em promoção. Depois não querem que as pessoas comprem CDs piratas! Desafio qualquer um a me provar matematicamente que existe uma razão lógica para que nos cobrem esse preço extorsivo.

Não faço parte do enorme contingente que já desistiu de comprar CDs originais. Ainda acho melhor ter um CD original, com um encarte bonito e aparência apresentável, do que um de procedência duvidosa com uma capa borrada e um nome de carimbo. Só que o preço abusivo dos CDs fez com que eu ficasse muito mais seletivo. Só compro um CD se tiver certeza de que vou gostar de pelo menos a metade das músicas. Gastar trinta Reais pra ouvir uma faixa só, não dá.

Não acho que um CD de loja tenha que ser "três por dez Real" igual ao pirata, mas diminuir o preço do original adiantaria mais no combate à pirataria do que algumas das medidas já adotadas, como a tal da tecnologia contra cópias digitais, que já começou a aparecer em alguns CDs. Minha irmã comprou um CD do Roxette que tem a tal tecnologia (indicada por um selinho redondo). Tal tecnologia impede que gravemos as faixas do CD para Mp3, ou para um outro CD gravável qualquer. Só que, aparentemente, não impediu os piratas: No camelô aqui perto de casa tem um igualzinho, com a vantagem de que se pode utilizar o pirata para gravar Mp3 e copiar para onde quiser. O mesmo ocorre com o novo CD do Renato Russo, também "protegido contra cópias digitais", e também presente no camelô aqui da rua.

A tecnologia contra cópias digitais é meramente uma medida paliativa, não vai acabar com os piratas, e ainda vai irritar um monte de gente, acostumada a gravar "coletâneas caseiras" ou que comprou um Mp3 player daqueles tipo walkman e não vai poder gravar seu novo CD pra ele. A maioria das pessoas que eu conheço parou de comprar CDs não porque as gravadoras sejam demoníacas e explorem os artistas, nem porque é amigo do camelô e quer ajudar no orçamento, mas sim por causa do preço. Se os CDs custassem um preço justo e acessível, não seria mais atraente comprar o original do que o pirata, mesmo que o primeiro fosse mais caro? O problema é que, com os preços atuais, um CD original não tem atrativos. Por mais fotos bonitas que ponham nos encartes, por mais cupons de promoções que ponham dentro da embalagem, por mais conteúdo exclusivo que os sites dos artistas ofereçam pra quem compra o CD original, é mais negócio abrir mão de tudo isso e comprar dez CDs piratas com a mesma grana que se compraria um original.

Posso até estar errado, mas só consigo pensar em um motivo para o preço alto dos CDs: Ganância.
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domingo, 8 de junho de 2003

Escrito por em 8.6.03 com 0 comentários

Nivelando por baixo

Devido a alguns problemas financeiros, estou sem TV a cabo. Isso fez com que eu descobrisse todo um novo mundo de programas televisivos da TV aberta. Eu nem gosto de assistir televisão (devem ter só uns dois ou três programas que eu realmente acompanho), mas como o resto da minha família assite, eu acabo vendo algumas coisas também. Após assitir alguns programas de gente do calibre do Gilberto Barros, Olga Bongiovanni e Leonor Corrêa, comecei a desenvolver uma constatação.

Não que esses programas sejam ruins. O conceito de bom/ruim é igual ao de bonito/feio, então, o que é horrível pra mim, pode ser maravilhoso para alguém por aí. O problema com eles é que são... Como direi... Acéfalos. São programas sem imaginação, com atrações de nível discutível. E isso não me agrada.

Não sou daqueles que dizem que a televisão tem que "ter uma função social", "ser educativa", "inteligente", nem nada disso. Pra mim, televisão é entretenimento, e tem que, pura e simplesmente, entreter. Só que, por outro lado, entreter não é fazer uma pessoa ficar sentada em frente à TV como se estivesse lobotomizada. Eu não consigo ver onde está a diversão em se assistir um programa onde a apresentadora fica lendo milhares de revistas ipsi litteri, do exato modo como lá está escrito, sem mudar uma única vírgula (bem... de vez em quando ela muda umas involuntariamente...), e cujos únicos comentários são "é, ela é mesmo uma gracinha", "puxa, fiquei tão feliz" ou "é bom a gente ver esses vestidos das pessoas famosas porque depois pode copiar".

Em outros programas semelhantes, podemos ver um homem que tem que beber 11 cocos para ganhar R$ 2.000,00, a festa de lançamento da Playboy com a Sabrina, onde todos os convidados "VIPs" só têm a dizer "eu não posso falar sobre isso", o concurso da Garota Pocotó, e "profissionais" de todas as áreas da "saúde", explicando como balancear seu corpo apenas comendo rúcula, como curar dor de ouvido cuidando dos rins ("porque o ouvido tem o mesmo formato dos rins, então isso significa que eles estão interligados") ou como descobrir se uma pessoa é psicopata pelo formato de seu nariz.

Eu já falei mal da televisão uma vez (ou talvez mais de uma) aqui neste blog, mas dessa vez meu enfoque será diferente. Estes programas que eu citei não estão cheios de violência e sexo (talvez só pelas ajudantes de palco e a Garota Pocotó) como outros por aí, mas nem por isso significa que eles sejam bons. Mas o que me espanta é que ninguém publicamente fala mal deles! Quando o Big Brother está no ar, todos os jornais e revistas só fazem falar mal, dizer que é "amador", "baixo-nível", "forjado", e outras coisas do tipo, mas ninguém fala mal do programa que fica mostrando cenas congeladas do Big Brother e reproduzindo os diálogos que passaram do dia anterior. As editoras não se importam que as pessoas tomem conhecimento do conteúdo de suas revistas através de um programa de TV, ao invés de comprarem-nas nas bancas. Por que?

Repetindo, não acho que a TV tenha que ser obrigatoriamente educativa nem inteligente, mas o que acontece hoje é que o nível está sendo puxado pra baixo. Ninguém faz programas de qualidade porque não vão ter audiência, e os programas que dão audiência são cada vez mais acéfalos, o que faz com que as pessoas gostem cada vez menos dos programas onde terão que pensar, o que levará à produção de mais programas acéfalos. Ou seja, caminhamos para uma TV acéfala, que será assistida por uma população acéfala. Que pena.
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domingo, 1 de junho de 2003

Escrito por em 1.6.03 com 0 comentários

Vazio interior

Vocês já sentiram aquela leseira, aquele desânimo, aquela vontade de fazer nada? De repente bate um vazio interior, e a gente olha pra televisão, pros livros, pro jornal, pra estante bagunçada, e não sente vontade de fazer nada. O pior é quando isso vem acompanhado de uma sensação de que aquele "valioso" tempo está sendo desperdiçado, uma angústia por não estar fazendo nada quando algo poderia ser feito.

Estamos tão acostumados com a pressa, com nossos afazeres diários, que quando ficamos sem nenhum deles, em nosso momentos de lazer, somos acometidos desta "culpa", como se pudéssemos estar estudando, arrumando uma estante, sei lá, fazendo algo para aproveitar um tempo que, a princípio, seria para não fazer nada mesmo.

Eu, particularmente, odeio acordar tarde. Agora que estou "de férias" (ou seja, desempregado), não tem nada que me deixe mais irritado do que abrir os olhos e ver no relógio que já está perto do meio-dia. Por alguma razão, durante todo esse dia, eu fico com a sensação de que as horas estão passando mais depressa do que deveriam, de que não vai dar tempo de fazer nada que presta.

A comprovação de que isso é um efeito psicológico vem quando eu tenho uma das raras oportunidades de "fugir para um local bucólico", viajando num feriadão por exemplo. Fora da nossa Cidade Calamitosa eu posso ficar o dia inteiro olhando pro teto, que não sinto nenhuma angústia, a hora não demora a passar, nada. Esquisito.

Sexta-feira eu tive essa sensação de tempo desperdiçado, enquanto assitia TV à tarde. Eu não tinha a menor vontade de assistir o que estava assistindo, mas pensava em milhares de alternativas, e igualmente não tinha a menor vontade de mudar para nenhuma delas. Foi quando eu pensei "oh, não, não estou fazendo nada, preciso fazer algo para não disperdiçar meu tempo", foi que me deu o clique que motivou este post: Por que, dentro de uma semana, não posso ficar umas duas horas fazendo nada que presta? Quem me disse que isso é errado? Quantos que estão trabalhando estafantemente nesse momento não estariam querendo simplesmente sentar e ver televisão?

Estamos vivendo como abelhas. Ou formigas, se você não gostar de abelhas. Inconscientemente, trabalhamos dois terços do nosso tempo (seja em trabalho mesmo, estudo, afazeres domésticos ou o que seja), e achamos que não servimos para mais nada se não estivermos trabalhando. Esse pensamento inconsciente é que nos leva ao "vazio interior" que surge quando não estamos fazendo nada. De tanto sermos condicionados desde pequenos a não sermos vagabundos, desenvolvemos um medo irracional de realmente seguirmos esse caminho. Quaisquer dez minutos improdutivos já bastam para que nosso cérebro ligue o alarme de vagabundagem e nos ponha para arrumar um serviço.

E aí, mesmo que estejamos gostando do programa da TV, começamos a nos sentir culpados porque ver TV é "improdutivo". Não queremos desligar a TV, mas também não queremos ficar ali assistindo impunemente. Se fôssemos autômatos, nessa hora entraríamos em curto.

Se você não sabe do que eu estou falando, e fica sem fazer nada na maior e sem culpa, parabéns. Ou não, já que existe a possibilidade de você ser apenas um vagabundo convicto. De qualquer forma, não acho que isso possa acabar bem. Precisamos de descanso, afinal, mesmo que não queiramos descansar.
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