domingo, 13 de julho de 2003

Cowboy Bebop



Minha mãe diz que, na outra encarnação, eu devo ter sido japonês. Bom, a favor conta que eu sou fascinado pelo idioma e pela cultura japonesa. Anime faz parte da cultura japonesa, portanto, mesmo admitindo que existem alguns bem ruinzinhos, eu costumo gostar muito deste tipo de obra. E, de todos os anime, meu preferido é o Cowboy Bebop.

Spike SpiegelCowboy Bebop foi produzido nos anos de 1998 e 1999 pelo estúdio Sunrise, e costumava passar aqui no canal Locomotion da DirecTV (não sei se ainda passa porque não tenho mais DirecTV). Teve 26 episódios, 13 em cada temporada. É um desenho complexo, de ficção científica noir. O que mais me chama a atenção é a qualidade de produção do desenho. Esqueçam Pokémon, Dragon Ball e essas coisas que acabam dando má fama aos anime, Cowboy Bebop é extremamente bem produzido, com uma trama central bem desenvolvida, personagens carismáticos, e o tom certo de "tristeza" necessário a qualquer desenho que se diga adulto.

Jet BlackA tal Bebop do título é uma nave espacial. Nela viajam Jet Black e Spike Spiegel, caçadores de recompensa que vagam pelo sistema solar a procura de criminosos foragidos. Jet é um ex-policial, aposentado contra a vontade após perder um braço em uma emboscada. Spike é um ex-mafioso da organização marciana Dragão Vermelho, tido como morto e perseguido por um antigo rival, Vicious (um aparte: a organização é marciana, mas todos os personagens do desenho são humanos. No cenário de Cowboy Bebop, os terráqueos colonizaram todos os planetas do sistema solar, e inclusive tiveram que abandonar a Terra quando um defeito em um Portal Estelar arrancou um pedaço da Lua e causou uma chuva de meteoros que destruiu tudo por aqui).

Faye ValentineA Jet e Spike, mais adiante, se unem três insólitos personagens: Ein, um cachorro objeto de pesquisa genética, que lhe conferiu uma inteligência fora do normal (mas não o suficiente para fazê-lo falar, graças a Deus), Faye Valentine, uma mulher ambiciosa e espertalhona, que vive de pequenos golpes e sofre de amnésia, e Ed, uma garotinha com uma habilidade incomum para hackear sistemas de computação. O conflito entre os personagens é um dos pontos altos da série (minha frase preferida, de Spike: "As três coisas que eu mais odeio na vida são bichos, crianças e mulheres ambiciosas"), embora o melhor mesmo é acompanhar a história de Spike, que é contada em doses homeopáticas ao longo dos capítulos, conforme ele procura sua amada Julia e enfrenta Vicious. Ficam faltando alguns pedaços, mas quem presta atenção consegue deduzi-los perfeitamente. A busca de Faye por seu passado perdido também é muito bem construída, e chega a emocionar em algumas cenas.

EdE é claro que tem humor. Além de muitas tiradas típicas de filmes noir, cada episódio tem pelo menos uma piada que vale a pena (minha preferida: Spike e Faye procuram contrabandistas que roubaram uma nave de carga. Encontram duas naves iguais. Spike pergunta: "Como faremos para descobrir qual é a dos contrabandistas?". Faye tem uma brilhante idéia: "Vamos atirar. A que fugir é a dos contrabandistas". Ante uma expressão facial memorável de Jet, eles abrem fogo. As duas fogem, cada uma para um lado. Spike pergunta: "E agora?". Faye demonstra raciocínio rápido: "Hmmm... Não considerei esta possibilidade!"). Alguns episódios também possuem metáforas, que funcionam melhor que diálogos inteiros.

EinEnfim, em minha avaliação, uma obra-prima. Infelizmente, as televisões daqui não se interessam em nos presentear com bons anime, como Cowboy Bebop, Record of Lodoss War ou Ghost in the Shell, preferindo nos submeter aos Pokémons e Digimons da vida. Deve ter a ver com a cultura brasileira de que desenho é coisa de criança. O que acaba levando a efeitos colaterais, como o fato de terem dublado "A Viagem de Chihiro" para passar no cinema...

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