domingo, 15 de junho de 2003

Ganância musical

Como todos sabem, esta semana teve o Dia dos Namorados. Como todo "dia de alguém", como o Dia das Mães e o Dia das Crianças, é uma ocasião para se ganhar presentes. Portanto, lá fui eu com minha namorada para o shopping, para comprar nossos presentes mutuamente. Eu prefiro assim porque aí cada um escolhe o que quer, e se não tiver escolhe outra coisa, e ninguém ganha uma linda surpresa da qual não precisa ou não quer.

Pois bem, lá fomos nós pro shopping. Antes de irmos, definimos nossas primeiras opções, das quais abriríamos mão se não tivessem ou se estivessem fora de nossas posses. Eu queria o novo CD do Placebo ou o novo dos Cardigans. Ela queria um CD da Celine Dion ou um DVD do Zezé di Camargo (e essa é a prova cabal de que os opostos se atraem).

Antes de entrar no mérito da minha discussão, um aparte curioso: A lógica me dizia que o CD do Placebo eu não ia encontrar em lugar nenhum (afinal, comprar os outros três foi um suplício), e o dos Cardigans teria em tudo o que é lugar (depois do "love me, love me, saaaaaaaaaay that you love me" eles ficaram meio famosos). Por alguma razão espúria, o do Placebo tinha em tudo o que é lugar (até nas Lojas Americanas!) e o dos Cardigans só tinha na Saraiva Megastore, e ainda por cima só tinha um. Eu hein.

Entremos, portanto, no mérito da discussão: Meu Deus, como os CDs estão caros!!! Quase todos estão custando mais de R$ 30,00, e um por R$ 29,90 já é considerado em promoção. Depois não querem que as pessoas comprem CDs piratas! Desafio qualquer um a me provar matematicamente que existe uma razão lógica para que nos cobrem esse preço extorsivo.

Não faço parte do enorme contingente que já desistiu de comprar CDs originais. Ainda acho melhor ter um CD original, com um encarte bonito e aparência apresentável, do que um de procedência duvidosa com uma capa borrada e um nome de carimbo. Só que o preço abusivo dos CDs fez com que eu ficasse muito mais seletivo. Só compro um CD se tiver certeza de que vou gostar de pelo menos a metade das músicas. Gastar trinta Reais pra ouvir uma faixa só, não dá.

Não acho que um CD de loja tenha que ser "três por dez Real" igual ao pirata, mas diminuir o preço do original adiantaria mais no combate à pirataria do que algumas das medidas já adotadas, como a tal da tecnologia contra cópias digitais, que já começou a aparecer em alguns CDs. Minha irmã comprou um CD do Roxette que tem a tal tecnologia (indicada por um selinho redondo). Tal tecnologia impede que gravemos as faixas do CD para Mp3, ou para um outro CD gravável qualquer. Só que, aparentemente, não impediu os piratas: No camelô aqui perto de casa tem um igualzinho, com a vantagem de que se pode utilizar o pirata para gravar Mp3 e copiar para onde quiser. O mesmo ocorre com o novo CD do Renato Russo, também "protegido contra cópias digitais", e também presente no camelô aqui da rua.

A tecnologia contra cópias digitais é meramente uma medida paliativa, não vai acabar com os piratas, e ainda vai irritar um monte de gente, acostumada a gravar "coletâneas caseiras" ou que comprou um Mp3 player daqueles tipo walkman e não vai poder gravar seu novo CD pra ele. A maioria das pessoas que eu conheço parou de comprar CDs não porque as gravadoras sejam demoníacas e explorem os artistas, nem porque é amigo do camelô e quer ajudar no orçamento, mas sim por causa do preço. Se os CDs custassem um preço justo e acessível, não seria mais atraente comprar o original do que o pirata, mesmo que o primeiro fosse mais caro? O problema é que, com os preços atuais, um CD original não tem atrativos. Por mais fotos bonitas que ponham nos encartes, por mais cupons de promoções que ponham dentro da embalagem, por mais conteúdo exclusivo que os sites dos artistas ofereçam pra quem compra o CD original, é mais negócio abrir mão de tudo isso e comprar dez CDs piratas com a mesma grana que se compraria um original.

Posso até estar errado, mas só consigo pensar em um motivo para o preço alto dos CDs: Ganância.

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