domingo, 8 de junho de 2003

Nivelando por baixo

Devido a alguns problemas financeiros, estou sem TV a cabo. Isso fez com que eu descobrisse todo um novo mundo de programas televisivos da TV aberta. Eu nem gosto de assistir televisão (devem ter só uns dois ou três programas que eu realmente acompanho), mas como o resto da minha família assite, eu acabo vendo algumas coisas também. Após assitir alguns programas de gente do calibre do Gilberto Barros, Olga Bongiovanni e Leonor Corrêa, comecei a desenvolver uma constatação.

Não que esses programas sejam ruins. O conceito de bom/ruim é igual ao de bonito/feio, então, o que é horrível pra mim, pode ser maravilhoso para alguém por aí. O problema com eles é que são... Como direi... Acéfalos. São programas sem imaginação, com atrações de nível discutível. E isso não me agrada.

Não sou daqueles que dizem que a televisão tem que "ter uma função social", "ser educativa", "inteligente", nem nada disso. Pra mim, televisão é entretenimento, e tem que, pura e simplesmente, entreter. Só que, por outro lado, entreter não é fazer uma pessoa ficar sentada em frente à TV como se estivesse lobotomizada. Eu não consigo ver onde está a diversão em se assistir um programa onde a apresentadora fica lendo milhares de revistas ipsi litteri, do exato modo como lá está escrito, sem mudar uma única vírgula (bem... de vez em quando ela muda umas involuntariamente...), e cujos únicos comentários são "é, ela é mesmo uma gracinha", "puxa, fiquei tão feliz" ou "é bom a gente ver esses vestidos das pessoas famosas porque depois pode copiar".

Em outros programas semelhantes, podemos ver um homem que tem que beber 11 cocos para ganhar R$ 2.000,00, a festa de lançamento da Playboy com a Sabrina, onde todos os convidados "VIPs" só têm a dizer "eu não posso falar sobre isso", o concurso da Garota Pocotó, e "profissionais" de todas as áreas da "saúde", explicando como balancear seu corpo apenas comendo rúcula, como curar dor de ouvido cuidando dos rins ("porque o ouvido tem o mesmo formato dos rins, então isso significa que eles estão interligados") ou como descobrir se uma pessoa é psicopata pelo formato de seu nariz.

Eu já falei mal da televisão uma vez (ou talvez mais de uma) aqui neste blog, mas dessa vez meu enfoque será diferente. Estes programas que eu citei não estão cheios de violência e sexo (talvez só pelas ajudantes de palco e a Garota Pocotó) como outros por aí, mas nem por isso significa que eles sejam bons. Mas o que me espanta é que ninguém publicamente fala mal deles! Quando o Big Brother está no ar, todos os jornais e revistas só fazem falar mal, dizer que é "amador", "baixo-nível", "forjado", e outras coisas do tipo, mas ninguém fala mal do programa que fica mostrando cenas congeladas do Big Brother e reproduzindo os diálogos que passaram do dia anterior. As editoras não se importam que as pessoas tomem conhecimento do conteúdo de suas revistas através de um programa de TV, ao invés de comprarem-nas nas bancas. Por que?

Repetindo, não acho que a TV tenha que ser obrigatoriamente educativa nem inteligente, mas o que acontece hoje é que o nível está sendo puxado pra baixo. Ninguém faz programas de qualidade porque não vão ter audiência, e os programas que dão audiência são cada vez mais acéfalos, o que faz com que as pessoas gostem cada vez menos dos programas onde terão que pensar, o que levará à produção de mais programas acéfalos. Ou seja, caminhamos para uma TV acéfala, que será assistida por uma população acéfala. Que pena.

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